Após vitória histórica para a reitoria da UFSC, o desafio é avançar nas conquistas e acumular força na luta pela Universidade Popular! | Juventude Comunista Avançando

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Após vitória histórica para a reitoria da UFSC, o desafio é avançar nas conquistas e acumular força na luta pela Universidade Popular!


     A vitória de Roselane e Lúcia para a reitoria da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) por 52,47% contra os 47,53% a candidatura da situação Paraná e Vera Bazzo é algo bastante significativo. Sendo a eleição para reitoria na UFSC paritária (ou seja, cada um das três categorias possui um terço do peso total de votos), o apoio do movimento estudantil foi decisivo: Rose fez 67,60% dos votos, o que representa mais de 6.500 estudantes. A candidatura Paraná venceu entre os professores e servidores técnico-administrativos.
     Após o dia 17 de Novembro, data da votação do primeiro turno, as eleições para a reitoria polarizou o movimento. Por um lado, era a clara posição do grupo historicamente hegemônico na UFSC desde sua fundação, que criminalizou o movimento estudantil, que manteve comprovadas práticas de corrupção e uso indevido do dinheiro público (como no caso da intervenção às fundações da UFSC há 3 anos atrás), que tem tentado repetidas vezes privatizar a nossa universidade, seja através da cobrança de taxas, da restrição no uso dos espaços públicos da universidade pela comunidade, seja através do crescente incentivo ao patenteamento do conhecimento produzido na universidade pelos grandes monopólios nacionais e estrangeiros. Por outro lado, Roselane já como vice-diretora do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFH) em 2005, diretora desde 2008, foi eleita por voto universal (CFH é o único centro da UFSC que nas eleições permite o mesmo peso de votos a todos indivíduos independente da categoria), com amplo apoio entre os estudantes. Neste centro manteve uma prática transparente e democrática, apoiando as lutas das três categorias, com destaque ao apoio às lutas do movimento estudantil na constituição da Bolsa Permanência e o apoio à realização do I Seminário Nacional de Universidade Popular (SENUP) em 2011.
     Nos próximos 4 anos de sua gestão, o movimento estudantil terá grandes possibilidades de avanço e necessitará estar permanentemente mobilizado, mantendo sua autonomia. A chapa vencedora teve posicionamentos claros pela manutenção do Hospital Universitário (HU) 100% público, gratuito e de qualidade e referência como hospital-escola; a extinção das taxas acadêmicas, incluindo do vestibular; a reativação de concursos públicos para cargos extintos (como segurança, cozinheiro, motoristas) que freia a crescente terceirização; a abertura para definição de pró-reitores em fóruns abertos, contrariando a lógica de negociata de cargos; a defesa da democracia interna, como pela eleição direta para os Diretores dos campi de Araranguá, Curitibanos e Joinville, e a disposição de reestruturar o Conselho Universitário; a defesa dos direitos estudantis, moradia e RU em todos os campi, ampliação do número e valor das bolsas, café da manhã no RU; abertura do Centro de Cultura e Eventos gratuitamente; contratação de professores e técnicos efetivos; apoio a iniciativas de extensão popular. Esses são apenas alguns dos pontos que consideramos importantes.
     Certamente a direita da universidade estará disposta a disputar esta gestão para seus fins particularistas e privatistas. Por outro lado, se o movimento estiver organizado, com um programa que expresse uma clareza de que rumo seguir, de que UFSC queremos, as possibilidades reais de lutas e aquilo que acumule força para uma transformação profunda da estrutura universitária, poderemos construir experiências que sirvam de exemplo para uma universidade referenciada nos interesses dos “de baixo”, dos setores populares e dos trabalhadores que historicamente se vêem fora do circuito universitário, apesar de manterem essa instituição pública de ensino superior.
     A JCA apoiou Roselane desde as eleições em que foi eleita vice-diretora e depois diretora de centro, apoiou a chapa Roselane e Lúcia no primeiro e segundo turno das eleições. Analisamos esse processo eleitoral como um importante passo. Agora é preciso seguir avançando e sabemos que várias contradições serão enfrentadas no caminho. Defendemos uma UFSC Popular, que expresse política e cientificamente os anseios mais profundos do povo brasileiro e catarinense. O conhecimento não deve ser voltado à acumulação de capital, aos lucros de poucos que transformam a universidade em um balcão de negócios. Democracia interna, ensino-pesquisa-extensão voltado aos interesses da maioria explorada e oprimida, à superação das mazelas e desigualdades sociais, difusão de um conhecimento crítico, reversão de processos privatizantes, são desafios que deverão ser enfrentados pela próxima gestão da reitoria e pelo movimento universitário nos próximos anos. A tática será avançar na organização do movimento de baixo para cima, avançar nas conquistas democráticas e caminhar rumo à Universidade Popular, crítica e criadora!

Viva a vitória da chapa Roselane e Lúcia!

Por uma UFSC Popular!

Juventude Comunista Avançando
Dezembro de 2011