Trabalhadores se revoltam e matam patrão na Índia | Juventude Comunista Avançando

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Trabalhadores se revoltam e matam patrão na Índia


Revoltados com o assassinato do presidente do seu sindicato, M. Murali Mohan, os trabalhadores da empresa Regency Ceramics, na cidade de Yanam, Andra Pradesh, Índia, invadiram a casa de seu patrão e lhe espancaram com canos de chumbo até a morte.

Em greve desde o dia 2 de janeiro, mas reivindicando desde outubro de 2011 aumento salarial, a regularização de terceirizados e a reintegração de colegas injustamente demitidos, a empresa chamou a polícia na última quinta-feira para tentar resolver uma discussão com os trabalhadores. Murali, presidente do sindicato, foi demitido poucas horas após a polícia ter deixado o local.

Na manhã seguinte, às 06hs da manhã, Murali voltou à empresa e com outros trabalhadores organizou um piquete, obstruindo a entrada dos fura-greves. A polícia então foi acionada e agrediu os trabalhadores com cacetetes (chamados de lathis, na Índia), ferindo mais de 20 deles, incluindo Murali, que morreu a caminho do hospital. Centenas de trabalhadores se reuniram no lado de fora da delegacia e exigiram a condenação dos responsáveis por homicídio.

Trabalhadores da Regency Ceramics
Várias medidas civis, como toque de recolher, foram impostas na cidade devido à rebelião que se iniciou e levou à morte do vice-presidente geral (e também presidente de operações e gerência) da Regency Ceramics, K. C. Chandrashekhar. Segundo a polícia, vários veículos foram queimados no lado de fora da delegacia. Oito trabalhadores foram atingidos num tiroteio, sendo crítica a situação de dois deles.

Assim que se espalhou a notícia da morte de Murali um grupo de 600 trabalhadores, apoiado pela população local, queimou cerca de 50 carros, ônibus e caminhões da empresa, ao mesmo tempo que outro grupo se dirigiu à casa de Chandrashekhar.

Os trabalhadores da Índia recebem os menores salários entre os quatro países do chamado BRIC, o que lhe confere o título de país mais pobre deste grupo, apesar de sua economia ser considerada emergente.

A Regency Ceramics conta com 1.200 trabalhadores, sendo 800 deles terceirizados. O sindicato estava reivindicando a regularização de pelo menos aqueles com mais de 15 anos de serviço. Segundo o atual presidente de honra do sindicato, Harsha Kumar, os trabalhadores da Regency não tem aumento salarial há 10 anos.

Glauber Ataide