Declaração de 19 organizações juvenis comunistas da Europa 20 anos depois da contra-revolução | Juventude Comunista Avançando

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Declaração de 19 organizações juvenis comunistas da Europa 20 anos depois da contra-revolução



NOSSO FUTURO É O NOVO MUNDO, O COMUNISMO

As Organizações Juvenis Comunistas que assinam o documento abaixo dirigem-se aos jovens da Europa, e de todo o mundo, na ocasião do 20° aniversário da dissolução da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e a queda do socialismo.

Esse aniversário, na visão dos governos e partidos burgueses e das forças do capital, é uma chance para caluniar o socialismo e sua contribuição, para projetar a “eternidade” e o “bem-estar” do capitalismo. Eles que com suas políticas têm retrocedido em todos os direitos da juventude; que têm feito dúzias de guerras imperialistas e estão planejando ainda mais; que têm nos condenado à pobreza e ao desemprego; são eles os mesmos que penalizam a ideologia comunista.

Na nossa compreensão, na visão dos trabalhadores, dos povos e da juventude do mundo, esse aniversário é uma chance para lembrar e ressaltar as conquistas do socialismo, sua contribuição para a humanidade; é uma chance para tirar conclusões importantes sobre a sua derrota nos anos 1989-1991.

Nos dirigimos a todos os jovens, para aprender e conhecer a verdade sobre o socialismo; para dizer que nosso futuro é o novo mundo, o Socialismo-Comunismo.

O século XX trouxe o sucesso da Revolução Socialista de Outubro na Rússia em 1917, que foi o ponto de partida para uma das mais importantes realizações da civilização na história da humanidade, a abolição da exploração do homem pelo homem. Depois da Segunda Guerra Mundial, o poder foi conquistado com a meta de construção do socialismo em muitos países da Europa, Ásia e também na América, aproximadamente 1/3 do mundo.


Em 1991, a contra-revolução interrompeu o curso desse primeiro esforço de construir a nova sociedade. Aquilo que foi conquistado – com a classe trabalhadora e seus aliados tomando o poder e a riqueza, que eles produziram com suas mãos –, apesar de suas fraquezas, foi derrotado desde cima e não a partir de baixo.


As derrocadas daqueles processos foram na verdade contra-revoluções, que significa uma regressão social, a vitória do sistema de exploração e opressão de classes contra a tentativa de construir uma sociedade livre da exploração. Isso foi confirmado da pior maneira para o povo, durante os últimos 20 anos.


Os capitalistas e os representantes políticos dos monopólios celebraram a vitória de sua classe, a vitória não somente contra os países socialistas e seus povos, mas contra os trabalhadores de todo o mundo. Essa vitória, no entanto, é passageira, pois o desenvolvimento social nunca termina. A vontade dos povos fará do Socialismo novamente uma realidade.


Eles prometeram um desenvolvimento do capitalismo “perpétuo” que supostamente traria prosperidade e paz. Eles falaram do “fim da história” e da luta de classes e que por isso as pessoas se acomodariam. Foi provado que estavam errados. Não somente a luta de classes não acabou, como está mais aguda. Ela é o motor da história e haverá um resultado vitorioso para a classe trabalhadora.

A barbárie capitalista não pode ser humanizada, ela deve ser derrotada

No início do século XXI e 20 anos após as derrotas, foi comprovado que não só o capitalismo não pode satisfazer as necessidades da classe trabalhadora como ele condena os povos à exploração e à pobreza. Tudo o que foi dito pela burguesia e seus apologistas foi comprovado ser uma mentira.


A contra-revolução tornou o capital mais agressivo, conquistas populares que foram alcançadas com lutas e sacrifícios foram arrasadas; novas guerras imperialistas estouraram e as competições para invasão e divisão de mercados se tornaram ainda mais enfurecidas. Os povos dos países socialistas estavam em meio à restauração capitalista; seus padrões de vida regrediram décadas. Os povos dos outros países capitalistas perderam seu apoio, o contrapeso à barbárie capitalista.

A atual crise que atinge o mundo capitalista leva o desemprego massivo, pobreza e miséria para a classe trabalhadora, para as camadas populares e suas crianças. Ela demonstra da forma mais clara possível que o capitalismo é um sistema corrupto e anacrônico, que impede o progresso de toda a humanidade. Sua tentativa de manter-se vivo é à custa do sangue de milhões de trabalhadores.

As crises são uma parte integrante disso, porque ele é um sistema no qual a produção não serve ao povo trabalhador, mas sim aos lucros e interesses dos capitalistas. Com seu suor e a força de suas mãos e mentes, os trabalhadores do mundo produzem boas e abundantes riquezas que seriam suficientes para eles e suas crianças viverem bem. Essa riqueza é roubada deles por um punhado de capitalistas parasitas que hoje convocam o povo, de uma maneira provocativa, a fazer sacrifícios, pois assim a plutocracia pode ser salva.

A crise capitalista se aprofunda na União Européia (UE) e na zona do euro. Está provado que a UE é uma união imperialista transnacional, uma “coalizão negra” do capital contra os povos. A rivalidade dos grupos monopolistas e países capitalistas na Europa e internacionalmente está se intensificando. Uma disputa como essa levará a guerras que são da natureza do capitalismo. Nós não escolhemos velhos ou novos imperialistas, nem suas uniões, velhas ou novas. Nós não seremos “buchas de canhão” para eles dividirem seus mercados. A luta para a derrota do poder dos monopólios, da burguesia em cada país e sob todas circunstâncias, é uma tarefa vital para todos os jovens homens e mulheres da classe trabalhadora.

Socialismo é mais urgente e necessário do que nunca

Depois de 20 anos, nossa geração está crescendo sob condições de distorção das verdades históricas, de anticomunismo e mentiras. Através dos livros didáticos, através dos jornais e seus canais de televisão, o capital, os Estados Burgueses e seus mecanismos estão tentando reescrever a história. Eles caluniam a heróica contribuição de milhões de comunistas e do poder proletário nos países do bloco socialista, mas também a contribuição dada no mundo capitalista para a libertação das amarras da exploração de classe. Estão conduzindo um ataque massivo contra um inimigo que, como eles mesmos dizem, já venceram. Isso mostra o medo deles. Se o “fim da história” fosse um fato, se o capitalismo fosse “invencível”, eles não estariam gastando tantas energias para derrotar um inimigo que não existe mais.

Eles dizem que a vitória do capitalismo demonstrou a falha do socialismo. A história tem comprovado que nenhum sistema sócio-econômico se estabeleceu para sempre. Isso é evidente pela história de dominação do próprio capitalismo. O desenvolvimento das forças produtivas e o caráter social do trabalho são incompatíveis com um sistema onde a minoria controla a maioria. O revés, entretanto, tem um caráter temporário no desenvolvimento social. A roda da história não pára. Nossa época é a de transição do capitalismo para o socialismo, mesmo com essa vitória temporária da contra-revolução, mesmo com a correlação de forças negativa, que está se alterando.

A necessidade do socialismo emerge do acirramento das contradições do próprio capitalismo. Ele deriva do fato de que na fase imperialista do desenvolvimento capitalista, caracterizada pelo domínio dos monopólios, as condições materiais necessárias para fazer a transição para um sistema sócio-econômico superior estão completamente maduras.

O capitalismo socializou a produção em uma escala jamais vista; todavia, ele privatiza os lucros resultantes dessa produção. Os meios de produção, o produto do trabalho social, são privados, são propriedade capitalista. Essa contradição é a matriz de todo o fenômeno da crise da sociedade capitalista moderna: desemprego e pobreza que explodem quando a crise econômica ocorre.

Essa contradição ainda mostra o passo seguinte: a abolição da propriedade privada dos meios de produção, a partir dos monopólios; sua socialização e uso planejado na produção social para a satisfação das necessidades sociais; planejamento centralizado da economia pelo poder proletário socialista revolucionário, controle dos trabalhadores.

Mesmo que tenha sido escrito em sangue, não poderá ser apagado pela tinta suja

A classe trabalhadora, particularmente os jovens das famílias de trabalhadores devem estudar as experiências de construção socialista no século XX. Devem aprender sobre sua enorme contribuição para os povos, mas ainda tirar conclusões sobre as razões que levaram a sua derrota.

A verdade é que, apesar dos muitos problemas, dos erros, das diferenças dos princípios da construção socialista, o sistema socialista que chegou a se formar demonstrou sua superioridade, as enormes vantagens para a vida de trabalhadores e jovens.


A abolição das relações capitalistas de produção livrou o homem do aprofundamento da escravidão salarial; ela pavimentou o caminho para a produção e desenvolvimento da ciência a fim de satisfazer as necessidades do povo. Assim, o direito a trabalho para todos foi assegurado, bem como a saúde e a educação pública e gratuita, a garantia de serviços acessíveis através do Estado, moradia, acesso à criação intelectual e cultural.

Tempo livre foi garantido para os trabalhadores descansar, para participar do poder proletário e para dirigir as unidades produtivas. Um nível superior de democracia foi desenvolvido com a participação representativa dos trabalhadores no poder e no manejo da produção, a oportunidade para eleger e depor as representações dos trabalhadores que estavam nos órgãos de poder.


Seguridade social foi a primeira preocupação do estado socialista. O poder socialista pôs o fundamento para a eliminação da desigualdade para com as mulheres. Ele assegurou, na prática, a natureza social da maternidade, o cuidado social para a criança.


Esses são ganhos que foram assegurados décadas atrás nos países socialistas, que agora parecem um sonho arredio para os trabalhadores e jovens no mundo capitalista.

A União Soviética e o sistema socialista mundial constituíram o único contrapeso real à agressão imperialista. O papel que a União Soviética teve na vitória antifascista dos povos foi decisiva. Mais de 20 milhões de cidadãos soviéticos deram suas vidas pela pátria socialista e pela vitória antifascista, cerca de 10 milhões foram lesados ou feridos, e ainda, é claro, houve uma enorme destruição material.

O novo ataque será vitorioso

A contra-revolução na URSS não veio da intervenção militar imperialista, mas “de dentro e de cima”.


No processo de construção escolhas erradas foram feitas, leis de desenvolvimento do novo sistema foram violadas, novas medidas foram implementadas, as quais eram estranhas ao desenvolvimento socialista.

A derrota contra-revolucionária não muda o caráter da era.


O Século XXI é o século de um novo ascenso do movimento revolucionário global e de uma nova série de revoluções sociais.


Dois caminhos se abriram sob os povos: a manutenção, com sacrifícios sem fim dos povos, do sistema caduco do poder burguês e da propriedade capitalista; ou a luta pela superação revolucionário do capitalismo pelo poder proletário, pelo socialismo-comunismo.


Entre a formação sócio-econômica capitalista e socialista-comunista não há outra formação, outro sistema. O poder será ou dos trabalhadores ou dos capitalistas.

A construção do chamado “socialismo do século XXI” ou “socialismo democrático” nega o poder dos trabalhadores, a socialização dos meios de produção e o planejamento centralizado. Ele não tem nada a ver com o socialismo científico. É uma ferramenta do sistema para a manipulação dos povos, para frear a luta de classes.

Os povos são aqueles que terão a última palavra!

Os jovens trabalhadores e trabalhadoras, a juventude das camadas populares não devem esperar nada do velho e anacrônico sistema capitalista, que está agora no seu último estágio imperialista. O futuro por uma vida melhor, pela satisfação de suas necessidades está ligado a sua participação e contribuição para o desenvolvimento da luta de classes, para derrotar a barbárie capitalista e construir o novo, o sistema socialista.

À frente de nós estão grandes lutas.
As próximas revoluções serão socialistas!

Assinam:
Juventude Comunista da Áustria - KJO
Juventude Comunista da Bélgica - COMAC
Liga Juvenil Comunista da Inglaterra - YCL
Juventude Comunista da República Tcheca - KSM
Liga Juvenil Comunista da Geórgia - YCL
Juventude Comunista da Alemanha - SDAJ
Juventude Comunista da Grécia - KNE
Frente de Esquerda – Aliança Juventude Comunista da Hungria
Movimento da Juventude da Irlanda
Juventude Comunista de Luxemburgo - JCL
Movimento da Juventude Comunista da Holanda - CJB
Juventude Comunista da Noruega - UNGKOM
Juventude Comunista da Polônia - KMP
Juventude Comunista da Rússia - RKSM(B)
Juventude Comunista da Sérvia – SKOJ
Coletivos de Jovens Comunistas da Espanha - CJC
União da Juventude Comunista da Espanha - UJCE
Juventude Comunista da Suécia - SKU
Juventude Comunista da Turquia - Youth TKP

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Tradução:
Juventude Comunista Avançando (JCA-Brasil)