Contribuição da JCA ao FENEX | Juventude Comunista Avançando

sexta-feira, 16 de março de 2012

Contribuição da JCA ao FENEX

16, 17 e 18 de Março de 2012


A Juventude Comunista Avançando - JCA saúda todos os estudantes presentes neste Fórum Nacional de Executivas e Federações de Curso – FENEX. Ressaltamos a importância de espaços deste tipo, que buscam articular diferentes entidades do movimento estudantil (ME) numa luta geral que possa ter como horizonte um projeto alternativo de sociedade e de universidade.

Os espaços do FENEX sugiram da necessidade de unificar as executivas e federações de curso em torno de pautas de luta comum que possam fortalecer a atuação do ME geral. Na atual conjuntura de total domesticação da UNE frente ao projeto privatista e precarizante de contra-reforma universitária imposto pelo governo federal a serviço da classe dominante nativa e do imperialismo estrangeiro, foi necessário construir um espaço por fora da UNE que pudesse dar maior consequência as lutas dessas entidades de área.

As executivas e federações possuem o caráter de valorizar o debate de área de cada curso, o que potencializa o trabalho de base por despertar o interesse de muitos estudantes, no entanto sempre existem pautas que podem mobilizar diversas executivas e federações, tanto no combate a precarização e privatização do ensino superior quanto na construção de iniciativas que edifiquem outro projeto de universidade. Nos fóruns do FENEX já há um importante acúmulo na análise das medidas e do caráter da contra-reforma universitária, e em ações como os boicotes unificados ao ENADE, construção de cartilhas e de propostas alternativas para a avaliação do ensino superior, etc. 

No ano passado a JCA esteve empenhada na construção do 1º Seminário Nacional de Universidade Popular – SENUP, conjuntamente com outras organizações políticas, coletivos, grupos de pesquisa e extensão, e executivas e federações como a FEAB, ENESSO e com o apoio da EXNELL e ABEF. O seminário contou com a participação de cerca de 500 pessoas, entre estudantes, professores, técnicos e militantes sociais, e foi uma iniciativa pioneira no sentido de um espaço de abrangência nacional que buscou dar um primeiro passo rumo à consolidação de um movimento que congregue diferentes iniciativas locais que constroem a pauta histórica da universidade popular.

O esforço de diferentes setores combativos neste processo possui um enorme potencial para a construção de um movimento universitário forte que consiga priorizar as lutas que realmente acumulam para o horizonte de uma universidade construída pelo povo e para o povo, que produza conhecimento para os interesses dos explorados e oprimidos em sua luta pela superação da sociedade capitalista. Compreendendo que a luta por uma universidade popular só pode se dar em articulação com a luta pela transformação da sociedade como um todo. Para empreender essa tarefa é necessário superar o pragmatismo e o imediatismo, pensando historicamente e atuando de maneira consequente perante as urgentes tarefas da humanidade na superação da atual ordem societária, que se encontra em uma crise estrutural, colocando a tarefa de construção do socialismo como única alternativa viável para a espécie humana. 

O resultado do 1º SENUP está na “Carta de Porto Alegre” (Disponível no blog: http://senup2011.blogspot.com ) que aprovou posições políticas e bandeiras de luta conjuntas entre todos os organizadores do seminário, e nas reuniões do “Grupo de Trabalho Nacional de Universidade Popular - GTNUP” que está debatendo a continuidade e o fortalecimento desta articulação e desta luta, através de campanhas e agendas comuns. Achamos que há duas táticas de luta fundamentais para acumular forças ao horizonte histórico da universidade popular: a democracia interna nas universidades e a da luta por projetos de extensão popular, que dispute o conhecimento produzido e para quem é produzido.

Compreendendo a luta por democracia interna dentro da necessidade de maior abertura para os interesses da comunidade universitária e do povo como um todo, garantindo voto universal ou no mínimo paridade nos espaços decisivos da universidade, bem como o repúdio a qualquer tipo de repressão a livre manifestação a exemplo dos atuais casos ocorridos na USP. E a luta por projetos de extensão popular está no sentido de direcionar a produção de conhecimento, ciência e tecnologia para as reais necessidades da sociedade, combatendo a lógica de privatização do conhecimento produzido e fortalecendo todas as iniciativas que vão ao encontro dos interesses populares.

Consideramos de fundamental importância que o ME eleve seu nível de consciência e organização, se fortaleça nas bases e se reconstrua “de baixo pra cima” em torno da luta estratégica pela universidade popular. Para isso é necessário que encaminhemos pautas de luta comum que marchem nesse sentido, fortalecendo cada vez mais a formação, a atuação comum e a combatividade.

Por um ME autônomo, democrático e combativo!

Por uma universidade crítica, criadora e popular!

Plenária de abertura do SENUP. Porto Alegre-RS, 02/09/2011