Péssimas condições de trabalho provocam nova paralisação em Jirau | Juventude Comunista Avançando

terça-feira, 20 de março de 2012

Péssimas condições de trabalho provocam nova paralisação em Jirau




Cerca de 20 mil operários que trabalham na construção da Usina Hidrelétrica de Jirau, em Porto Velho (RO) iniciaram uma nova greve na manhã do dia 12 de março por melhores condições de trabalho


A mobilização começou no dia 9 de março, quando funcionários da Enesa Engenharia, terceirizada do Consórcio Energia Sustentável do Brasil (ESBR) para montagem dos geradores na obra, decidiram suspender as atividades por conta das precárias condições no canteiro administrado pela empresa.
Os trabalhadores lutam contra os baixos salários e denunciam as péssimas condições de trabalho onde “falta desde banheiro até área de lazer”, neste canteiro de obras situado em área remota dentro da floresta amazônica.
A paralisação acabou por antecipar as reivindicações da campanha salarial. A categoria, cuja data-base é em maio, cobra o reajuste de 20% dos salários, o aumento do vale-alimentação para R$ 510 e o pagamento de 100% de todas as horas extras. Atualmente, o valor equivale a 70% nos dias normais e 100% em domingos e feriados.
A realidade da Greve, o clima de repressão policial-militar que recrudesceu no canteiro de obras, o assassinato do operário da Construtora Camargo Corrêa, JOSIVAN FRANÇA SÁ, 24 anos, mortalmente atingido por tiro disparado pela policia nas proximidades da rodoviária do distrito de Jaci Paraná, dia 13 de fevereiro, após revolta contra atraso de ônibus; mostram que a situação dos trabalhadores de Jirau só piorou. Não passou de demagogia e enrolação as reuniões realizadas, após a justa revolta dos operários no ano passado, pelo ministro Gilberto Carvalho com empresários e os pelegos das centrais sindicais, onde criaram uma comissão tripartite e assumiram o compromisso de melhorar as condições de trabalho. Na esteira dessas reuniões a Camargo Corrêa promoveu a demissão de 4 mil operários e as centrais sindicais pelegas e o governo chancelaram a covardia da empresa.
Dando prosseguimento a demagogia petista, no último dia 1º de março, a gerente de plantão Dilma Rousseff, empresários e pelegos das centrais sindicais assinaram, em cerimônia no Palácio do Planalto, o denominado “Compromisso Nacional para Aperfeiçoar as Condições de Trabalho na Indústria da Construção”. O documento supostamente estabelece condições de trabalho, saúde e segurança nas obras, e prevê a negociação coletiva para definição do piso salarial, benefícios, jornada, transporte, alojamento e alimentação. A presidenta Dilma Rousseff também assinou o decreto que cria a Mesa Nacional Permanente, composta pelos mesmos membros do governo, empresários e pelegos das centrais sindicais, que “deverá acompanhar e avaliar o cumprimento dos termos do acordo” (Sic.)
O documento, onde é facultativa a adesão das empresas, faz demagogia sobre padrões mínimos para questões como salário, moradia, segurança e saúde no trabalho, jornada, higiene e alimentação. O que os operários sentem na pele como medida concreta é a repressão desencadeada pela chamada “força de segurança nacional” e polícia federal que atuam juntos com a policia militar do governo de Rondônia na abjeta repressão e criminosa aos trabalhadores. É por isso que os pelegos das centrais sindicais e os traidores do Siticcero não são bem vindos a obra de Jirau e em outros canteiros de obras.