Organizar os Jovens Trabalhadores: mais um desafio para a JCA! | Juventude Comunista Avançando

sábado, 7 de abril de 2012

Organizar os Jovens Trabalhadores: mais um desafio para a JCA!


Com a perspectiva de avançarmos na organização dos jovens brasileiros, a Juventude Comunista Avançando (JCA) aprovou em seu VI Encontro Nacional do ano passado a Secretaria de Jovens Trabalhadores. Essa política, apesar de ainda estar em estado de formulação e pesquisa do jovem em relação ao mundo do trabalho, é uma necessidade candente diante da ofensiva que o capital está impondo a toda a classe trabalhadora.

A realidade nos mostra que a juventude vinda da classe trabalhadora não está presente, em sua grande maioria, na escola e nas universidades. No total, 14% dos jovens entre 18 e 24 anos estão nos bancos das universidades, e não mais que 50% completam o ensino médio no Brasil (Relatório Tribunal de Contas da União de agosto de 2010). 

Com a crise estrutural da ordem sóciometabólica do capital impondo limites insuperáveis para a sua autoreprodução ampliada, vemos hoje tanto a ofensiva que esse mesmo impõe a classe trabalhadora como um todo, buscando intensificar a expropriação de mais-valia para atenuar a queda da taxa de lucro, quanto essa classe duramente explorada buscando encontrar alternativas. No Brasil o fenômeno da superexploração é duramente sentido por essa juventude que, em muito dos casos, é ofertada como força de trabalho de menor valor, e condicionada pela ordem à “qualificar-se” ideologicamente para suportar essa condição. O “boom” de escolas técnicas públicas e privadas demonstra o quanto é necessário “dar instruções” para essa força de trabalho incipiente cuidar do “bom funcionamento das máquinas”. Muitas vezes, sem o menor incentivo do empregador, o jovem se vê obrigado a custear seus estudos em uma instituição de ensino – na maioria das vezes privada, pois é onde o modelo de ensino mais foi moldado para atender as necessidades do mercado de trabalho –, exaurindo fisicamente, financeiramente e intelectualmente este jovem.

Outra questão que temos que aprofundar é a legislação trabalhista para os estágios que foi sancionada em 2008 pelo presidente Lula (Lei 11.788/2008). O quanto essa medida atende aos interesses dos monopólios e do imperialismo, ofertando muitas vezes jovens universitários para executar tarefas de profissionais já formados (que ganhariam muito mais), ou jovens do ensino médio que na falácia do primeiro emprego ganham muito pouco pela carga horária que executam (menor, mas nem por isso menos intensiva).

Por outro lado, os jovens no mundo inteiro sentem a ausência de perspectivas para o futuro, fazendo com que muitos se levantem contra a autocrática ordem do capital, mesmo não o identificando ainda em toda a sua plenitude enquanto seu opressor. Sejam os jovens da Espanha que convivem com taxas de desemprego nessa faixa etária de quase 40%, a juventude dos países do Oriente Médio e África que se levantam contra a carestia e a miséria, os gregos que se aliam aos trabalhadores para as grandes greves gerais, ou mesmo os dos EUA que se aproximam da crítica ao capital quando refutam os grandes monopólios financeiros. Ou ainda os chilenos e colombianos que lutam contra a privatização já realizada em seus sistemas escolares.

Organizar a juventude trabalhadora, que conduzirá os processos revolucionários vindouros é necessidade urgente no processo da luta de classes. Com teoria e práxis revolucionária poderemos avançar na constituição do partido revolucionário brasileiro, no movimento dos trabalhadores e na construção da central sindical das classes trabalhadoras, e também, porque não, na universidade e escola popular. 

Fonte: Jornal Avançando ano IV no. VI