“A Copa do Mundo é nossa”? | Juventude Comunista Avançando

quarta-feira, 9 de maio de 2012

“A Copa do Mundo é nossa”?


"o futebol é um espelho do mundo e que, falando da bola, redonda como o mundo, aparacem as maravilhas e as misérias do tempo que nos tocou viver." 
Eduardo Galeano




Como todos sabem, em 2014 e 2016, o Brasil será sede, respectivamente, da Copa do Mundo e das Olimpíadas. Esses mega-eventos estão vindo acompanhados de uma promessa de desenvolvimento para o nosso país em diversos  setores. Promessas como melhorias da infra-estrutura urbana, entrada de milhões de dólares trazidos pelos turistas, geração de novos empregos, aumentos nas arrecadações públicas e divulgação positiva do país em todo o mundo.  Vários estudiosos, movimentos sociais e outros grupos políticos vêm debatendo sobre as conseqüências dos mega eventos para o povo brasileiro. Para isso é pertinente a seguinte questão: Quem está financiando e a quem esses megaeventos servem?

Segundo Luiz Kohara “O estudo do Tribunal de Contas da União (TCU), em janeiro de 2011, previa que a realização da Copa de 2014 custaria R$ 23 bilhões com construções e reformas de estádios, ampliação de aeroportos e mobilidade urbana, sendo que, desse montante, 98,56% seriam de recursos públicos”. Além do altíssimo gasto, as possibilidades de aumento expressivo deste valor são muito grandes, visto que para a realização do Panamericano de 2007 a previsão inicial de gasto era de R$ 350 milhões, mas custou ao fim R$ 3,9 bilhões. A presidenta Dilma recentemente declarou que os gastos com a copa do mundo não serão divulgados até 2014, evidenciando com isso que a quantia pode ser absurdamente acima do especulado inicialmente. O governo Lula / Dilma vem sendo dócil as exigências  da FIFA (Federação Internacional de Futebol Associados), que tem em seu histórico grandes esquemas de corrupção, lavagem de dinheiro e compras de resultado.  Segundo matéria do jornal Brasil de Fato de outubro de 2011, a Lei 12350 de dezembro de 2010, garante isenção fiscal à FIFA, o que compreende uma renúncia de impostos de cerca de R$ 1,2 bilhões.   

Além dos gastos astronômicos de dinheiro público, a população que mais vem sofrendo com as obras da copa são as de baixa renda através das remoções forçadas. Segundo a professora Raquel Rolnik em várias cidades do Brasil isso já está acontecendo sem a adequada compensação com propostas de assentamento. Apesar da poucas informações disponíveis sobre a quantidade de pessoas atingidas,  a professora afirma que mais de sessenta famílias  nas comunidades da cidade do Rio de Janeiro estão sendo desabrigadas, sem receber um  único ressarcimento, ou quando recebem, são valores insignificantes, o que tende a intensificar muito mais em decorrência dos avanços das obras. As famílias de baixa renda estão muito vulneráveis, segundo a professora: "às situações de remoção na medida em que a situação da propriedade é muito menos reconhecida no âmbito jurídico do que a propriedade privada registrada no cartório.”  Ou seja o direito a moradia que está presente na constituição está  sendo totalmente desrespeitado pelo Governo Federal, Governos Estaduais e Prefeituras.

A Fifa e COI (Confederação Olímpica Internacional), responsáveis pela Copa do Mundo e Jogos Olímpicos, são instituições privadas, com muitas comprovações de corrupções, e que com a Lei da Copa e contratos, submete os países sedes em territórios sob sua dominação, desrespeitando a cultura, as legislações, os poderes instituídos e seus interesses tornam-se “interesses públicos” para assegurar os altíssimos lucros aos grupos envolvidos.

Segundo Luiz Kohara: “Para dificultar as resistências populares, as prefeituras das cidades sedes têm apresentado mapas e planos com pouca precisão sobre locais e pessoas que serão atingidas com as intervenções. A prática da criminalização das lutas sociais é outro artifício para enfraquecer qualquer resistência. Os gestores públicos das cidades sedes, muitos deles vinculados com o setor da construção civil, têm utilizado desse momento eufórico, de forma articulada com setor do Judiciário, para realizar remoções arbitrárias de comunidades, principalmente aquelas mais vulneráveis por não possuírem a posse da terra regularizada.”

Porém verificamos algumas resistências. Recentemente vários operários da construção civil, como exemplo do que aconteceu na última copa da África do Sul, organizaram greves devido às condições precárias de trabalho e baixos salários.  Isso causou paralisação na construção e reformas de alguns estádios de Futebol. Essa notícia teve pouca abordagem pelas grandes mídias burguesas deixando evidente a união entre FIFA, CBF, GOVERNO FEDERAL e Rede Globo.

Por tais evidencias, acreditamos que os Mega Eventos no Brasil nada mais são do que uma grande “política de pão e circo”. O qual a ideologia dominante Burguesa tenta mascarar por trás de um patriotismo alienante, o seu esquema corrupto. E quem vai pagar tudo isso será o povo brasileiro, que não terá nenhum legado pós mega eventos, como foi o exemplo do pan-americano do Rio de Janeiro.  E quem vai sair ganhando com isso? A FIFA, o COI juntamente com o Capital estrangeiro e nacional que lucrarão valores orbitais as custas do suor do povo brasileiro.

Publicado originalmente no Jornal Avançando no. VI