Depois de 20 anos sem a União Soviética, o Socialismo segue sendo a alternativa | Juventude Comunista Avançando

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Depois de 20 anos sem a União Soviética, o Socialismo segue sendo a alternativa


Há 20 anos se dissolvia a primeira experiência de construção do socialismo na humanidade, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). A Revolução de Outubro de 1917 mostrou para o mundo que a construção de uma sociedade mais justa e igualitária não só era possível, como era necessária e provinha das próprias contradições da sociedade capitalista. O desenvolvimento das forças produtivas no capitalismo é superior a todas sociedades anteriores e é cada vez mais social, no entanto, passa a se chocar com as relações capitalistas de produção, calcadas sobre a exploração do trabalho e a apropriação privada dos meios de produção e do produto do trabalho social. 

Enquanto alguns se utilizam do fim da URSS para defender a “eternidade” do sistema do capital, como se suas bases fossem fruto da “natureza humana”, os trabalhadores e a juventude do mundo olham para este passado recente no sentido de relembrar as conquistas daquela experiência, bem como analisar os motivos da derrota na passagem dos anos 80 para os 90. 

Em pouco mais de 70 anos a Revolução de Outubro de 1917, tirou o território Russo e os demais países soviéticos do antigo modelo de produção feudal e os levou a um rápido desenvolvimento. Superou a profunda miséria do povo russo sob o jugo do czarismo, e com “todo o poder aos soviets” construiu o primeiro Estado Proletário, onde o poder político deixou de estar nas mãos de uma minoria economicamente dominante. Durante a Segunda Guerra Mundial a URSS com seu heroico povo foi a principal responsável pela derrota do nazi-fascismo, inimigo número um da humanidade. Influenciou posteriormente diversos processos revolucionários, formando um Bloco Socialista que compunha cerca de 1/3 do globo em resistência ao avanço do imperialismo e do capital internacional. Os países socialistas garantiram aos trabalhadores o pleno emprego, garantiram moradia, saúde e educação pública e gratuita, produziram ciência e tecnologia para a satisfação das necessidades humanas.

O fim da URSS não significou o “fim da história” como alguns apologistas do sistema do capital buscam afirmar, muito pelo contrário: este sistema colocou progressivamente para a humanidade a tarefa de superação de relações sociais baseadas no lucro e na exploração. Em 20 anos, a situação somente piorou. O capital em sua crise estrutural levou as massas de trabalhadores à pobreza, retirou direitos básicos conquistados com muita luta, aprofundou a exploração, multiplicou as guerras imperialistas e transformou a “guerra ao terror” num verdadeiro combate aos trabalhadores e povos oprimidos.

O que ocorreu naqueles anos foi uma verdadeira contra-revolução efetivada com um golpe de Estado, foi uma regressão sem tamanho para toda a humanidade. Ainda em Março de 1991, 76% da população votou em plebiscito pela manutenção da URSS. No entanto, justificada pela crescente atuação de movimentos separatistas que ganhavam força nas repúblicas bálticas, uma manobra interna do Conselho de Ministros declarou Estado de Emergência de forma inconstitucional. Neste processo, Boris Yeltsin, então Presidente da República Federativa Socialista Soviética da Rússia, cresceu em popularidade e em pouco tempo forçou Gorbachev a renunciar, precipitando a dissolução da URSS, que ocorreu oficialmente em 26 de Dezembro de 1991. 

A necessidade de um golpe de Estado na URSS já havia sido propagada pela imprensa de países imperialistas, como através da revista britânica The Economist e pelo jornal estadunidense The Washington Post. Um ano após a vitória do imperialismo, fora aplicada uma privatização massiva, um corte radical dos gastos sociais, liberação geral dos preços, desregulamentação dos mercados. Com isso, 1/3 da população russa ficou abaixo da linha de pobreza, o consumo de alimentos reduziu quase pela metade, a inflação superou 2.000%, o PIB caiu 54% e o desemprego tornou-se generalizado. O Partido Comunista da União Soviética (PCUS) fora colocado na ilegalidade, sendo seguido dos sindicatos, dos conselhos de trabalhadores e das organizações populares de massa. Já no início de 1993, o povo resistiu a tais medidas e exigiu o fim do poder despótico exercido por Boris Yeltsin, mas a restauração do capitalismo havia sido consolidada.

Após 20 anos, podemos dizer que a revolução proletária não foi derrotada, ela apenas perdeu uma batalha. Os comunistas russos, organizados no Partido Comunista da Federação Russa (PCFR) representam atualmente a segunda maior força política do país. Nos últimos processos eleitorais, obtiveram significativas vitórias, apesar das sucessivas fraudes eleitorais. Somente no ano passado mais de 30.000 jovens ingressaram na Juventude Comunista.

O desenvolvimento do capitalismo tem demonstrado sua incapacidade de resolver os problemas candentes dos trabalhadores: o capitalismo não pode ser humanizado. Alguns dos velhos ensinamentos da Revolução Russa, a genialidade e criatividade de Lênin e do Partido Bolchevique, o nível de organização dos trabalhadores e das camadas populares ressurgem no presente com implacável vitalidade. A revolução socialista apresenta-se como única alternativa capaz de superar o processo destrutivo gerado pelo capitalismo em sua fase senil. O dever dos comunistas repousa hoje, assim como no passado, na luta pela socialização dos meios de produção e reprodução da vida humana no sentido de superar o antagonismo de classes.

Publicado originalmente no JA no. VII