Semana tensa no Peru devido a dois conflitos de mineração | Juventude Comunista Avançando

terça-feira, 29 de maio de 2012

Semana tensa no Peru devido a dois conflitos de mineração


Protesto contrário à Conga
Lima, 28 maio (Prensa Latina) O Peru começará hoje uma semana tensa, com uma greve geral, que cumpre oito dias, marcada por distúrbios contra uma empresa mineira e mobilizações a favor e contra o complexo e controverso projeto Conga de mineração.

A greve da província de Espinar exige a retirada da multinacional canadense Xstrata Tintaya, à qual as organizações sociais da zona acusam de contaminar dois rios vitais para a agricultura, apesar dos compromissos de preservação.

O protesto, que começou há uma semana, exigia que a empresa controle e detenha a poluição, mas depois de cinco dias de distúrbios com dezenas de feridos, na última sexta-feira dirigentes da Frente de Defesa de Espinar exigiram a retirada da companhia que explora uma jazida de cobre.

A proposta foi feita quando os dirigentes exigiram conversar com ministros, recusando-se a tratar com funcionários públicos de menor nível que chegaram a Espinar e se reuniram com eles e autoridades provinciais.

Para o chefe do Escritório de Gerenciamento de Conflitos do governo, Víctor Caballero, a intransigência impede chegar a uma solução.

A Frente de Defesa acusa o governo de falta de vontade para negociar, por ter enviado ao diálogo, segundo afirmam, a funcionários públicos sem poder de decisão.

Segundo o presidente Ollanta Humala, depois do protesto de Espinar se estão movendo o que chamou de grupos radicais similares aos que dirigem o movimento social contra o projeto mineiro Conga, na região de Cajamarca, bloqueado por essa resistência desde dezembro do ano passado.

O mandatário chamou ao diálogo e assegurou que o Governo quer evitar mortes, preocupação expressada previamente pela Defensoria do Povo ao chamar a um diálogo sobre o Conga, com sua mediação, a da Igreja Católica e da Assembleia de Governos Regionais.

Enquanto isso, em Cajamarca setores empresariais e afins intensificam preparativos para realizar amanhã uma marcha a favor dos investimentos estrangeiros e do Conga, de capital majoritariamente estadunidense e que prevê investir quatro bilhões, 800 milhões de dólares.

As organizações sociais contrárias ao Conga, que consideram que o projeto devastará os recursos hídricos, preparam por sua vez uma greve geral exigindo a inviabilidade do projeto e a Defensoria teme confrontos entre civis.

Tal protesto é apoiado por organizações sociais a nível nacional e partidos progressistas, porém não conta com apoio do movimento Cidadãos pela Mudança, formado por ex-membros do governo que deixaram o Executivo por discrepâncias com o manejo do conflito do Conga, e que exigem diálogo para melhorar o projeto.

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