Eleições municipais se aproximam e UBES e UNE se posicionam contra a greve dos professores da Bahia: será mera coincidência? | Juventude Comunista Avançando

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Eleições municipais se aproximam e UBES e UNE se posicionam contra a greve dos professores da Bahia: será mera coincidência?


Em recente nota, a UBES, UNE e as entidades estaduais baianas ABES e UEB, deixam claro seu atrelamento aos interesses do governo do PT ao posicionarem-se contrárias à heróica greve dos professores da rede estadual da Bahia. 

A greve dos professores foi iniciada em abril desse ano, conta hoje com mais de 70 dias de paralisação e até o momento o governo de Jaques Werner (PT) se nega a negociar com o movimento grevista. O mesmo governador, que se elegeu com o discurso de oposição ao governo Carlista que comandava o estado com mãos de ferro, tem reprimido o movimento grevista com bastante “requinte”: corte de salários, cancelamento dos empréstimos consignados e do crédito dos professores no Cesta do Povo (mercados com produtos da cesta básica subsidiados pelo governo). Mesmo assim, os professores seguem firmes em sua mobilização, certos da necessidade de que o cumprimento da Lei do Piso Nacional do magistério é um importante elemento para garantir a qualidade da educação. 

Porém, ao invés de denunciar o caráter repressor do atual governo e cobrar do mesmo uma solução para o impasse, a UBES e UNE cobram dos professores o encerramento da greve, colocando-se assim ao lado do governo petista e dos seus amigos empresários da educação. Com a proximidade das eleições municipais, o governo petista sente o impacto que o desgaste político gerado pelas greves pode lhe causar nas urnas e busca a todo custo asfixiar o movimento grevista. Cabe lembrar que no início desse ano a Bahia também foi palco da greve dos Policiais Militares que, da mesma forma, foram reprimidos e criminalizados pelo governador. A atitude da UNE e UBES se colocando contrárias à forma de luta escolhida pela classe trabalhadora reafirma mais uma vez o verdadeiro caráter que as direções dessas entidades têm assumido principalmente sob o governo do PT: comportam-se como braços de tal governo, tentando confundir os estudantes com relação às suas nefastas políticas relacionadas à educação e afastando-se cada vez mais da realidade da maioria dos estudantes que é forçada a abandonar seus sonhos por não ter uma educação capaz de lhe dar uma vida digna. 

A JCA repudia veementemente a atitude da UBES e UNE que, somada às suas demais defesas (como do PNE do governo e do “Novo ENEM”), mostra que tais entidades há muito tempo não representam os interesses dos estudantes brasileiros, não contribuem para elevar o seu nível de consciência sobre a realidade, e muito menos, contribuem para acumular forças para a luta por uma educação de qualidade, pública e popular. 

O movimento estudantil secundarista precisa retomar a construção e fortalecimento de suas entidades de base, os grêmios estudantis, debatendo em cada escola as consequências que o projeto educacional do governo traz e trará à educação. Somente a reorganização do movimento estudantil secundarista desde as bases será capaz de retomar as entidades estudantis e colocá-las realmente a serviço dos interesses dos estudantes e da educação pública e de qualidade. Somente um movimento estudantil secundarista organizado e autônomo é capaz de combater o atrelamento das entidades aos interesses dos governos e partidos políticos. 

O apoio dos estudantes à reivindicação dos professores pelo cumprimento da Lei do Piso Nacional e a defesa do seu direito de greve é fundamental para garantir a melhoria da educação pública! 

Viva a heróica greve dos professores do estado da Bahia! 

Pela autonomia do movimento estudantil frente aos governos e partidos políticos! 


Confira a nota da UBES, UNE, UEB e ABES: http://ubescomunica.files.wordpress.com/2012/06/nota_abes_ueb.pdf

Para saber sobre a greve dos professores:

http://www.aplbsindicato.org.br/estadualeinterior/

http://www.brasildefato.com.br/node/9831