Curso de medicina na UFFS: “Não houve debate e a decisão foi puramente política” | Juventude Comunista Avançando

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Curso de medicina na UFFS: “Não houve debate e a decisão foi puramente política”


Medicina em Passo Fundo

Reitor da UFFS tentou, mas não convenceu os acadêmicos

Apesar de afirmar que a decisão foi do MEC, reitor da Universidade Federal foi vaiado durante audiência

“Queremos antes de qualquer coisa uma formação de qualidade, com uma infraestrutura que atenda às necessidades de cada campus e de cada curso individualmente. Não precisamos de mais um campus, precisamos dos nossos campi terminados, funcionando e atendendo devidamente as necessidades da comunidade acadêmica”. Em nota à imprensa, acadêmicos representantes da Universidade Federal da Fronteira Sul, UFFS, protestaram contra a implantação do curso de Medicina em Passo Fundo, e adiantaram o assunto debatido na tarde de ontem, dia 11, na sede da instituição.


Na oportunidade, o reitor, Jaime Giolo, justificou a decisão do Ministério da Educação e Cultura, MEC, em implantar o curso na cidade gaúcha. “Houve, de fato, uma articulação política, mas acredito que o Ministério levou em consideração as condições técnicas de Passo Fundo, que tem mais estrutura para receber o curso”, explicou o reitor. Segundo ele, a reitoria da Universidade foi pega de surpresa com a decisão federal.

O discurso de Jaime não convenceu o Diretório Central dos Estudantes, DCE, que alega que os acadêmicos foram excluídos dos debates e discussões. Sobre isso, a assessoria de imprensa da UFFS alega que a instituição está em fase de implantação e não tem autonomia, ainda, para tomar decisões com a ajuda dos estudantes. Para o presidente do DCE, Diogo Hartmann, “acredito que a reitoria não foi pega de surpresa, pois Passo Fundo já estava ‘cantando vitória’. Não Houve debate e nem discussão; a decisão foi puramente política”, acredita Diogo.

Passo Fundo é mais articulado
Apesar de afirmar que a estrutura de Passo Fundo é mais completa estando o município gaúcho mais apto para receber o curso de Medicina, o reitor Jaime declarou que a cidade gaúcha é mais articulada. “Prefeitos da região, hospitais, parlamentares, instituições de saúde entre outros se reuniram para garantir a implantação do curso lá, o que não ocorreu em Chapecó”, explica o reitor. Questionado se a decisão foi tomada por que ele próprio nasceu no Rio Grande do Sul, a exemplo do presidente da câmara dos deputados federais, Marco Maia, que também é gaúcho, Jaime foi categórico: “Ele tem esse poder, eu não”, garantiu.

Para Jaime, os planos de implantar um curso de Medicina em Chapecó ainda existem, porém, primeiro é preciso organizar uma estrutura adequada. Para o presidente do DCE, Diogo, “as UFFS foram planejadas para serem implantadas em regiões economicamente desassistidas, e o Oeste de Santa Catarina é a região que mais necessita. Não é justo que Passo Fundo, um município que já tem três cursos de Medicina, receber mais este”, reclama. Para ele, a cidade gaúcha já esta fazendo propaganda sobre o novo polo de saúde, “não somos contra a expansão da Universidade, mas por que este polo não pode ser implantado em Chapecó?”, questiona.

No final da audiência, alunos puderam debater e faze perguntas às autoridades formadoras da mesa.
A Universidade Federal da Fronteira Sul se comprometeu em enviar uma nota explicativa à imprensa, no entanto, até o fechamento desta edição nenhum documento foi encaminhado. O Jornal Sul Brasil tentou contato por telefone, mas não obteve reposta.


Por Petra Sabino
Petra Sabino/SB