O Imperialismo em pele de cordeiro | Juventude Comunista Avançando

domingo, 3 de junho de 2012

O Imperialismo em pele de cordeiro

Por trás da máscara de defensor dos direitos humanos o Imperialismo intensifica a exploração e dominação nos países árabes


O Oriente Médio tem sua história marcada por uma série de conflitos e é palco de contínuos confrontos armados tornando-se uma região de grande interesse e de interferência nas relações internacionais.

Já estamos familiarizados com a falsa ideia de que se trata de uma região de guerras sem solução, de uma sociedade voltada para o passado, recheada de fundamentalismo. O ataque de 11 de Setembro foi utilizado para consolidar ainda mais essa imagem, seguido de uma campanha de desinformação a fim estigmatizar a imagem dos árabes como um povo extremista, terrorista e fanático do ponto de vista religioso. 

Porém, se analisarmos os processos históricos dessa região veremos um conjunto de contradições racionalmente explicáveis. Suas riquezas naturais que deveriam ter servido para a emancipação destes povos, atraiu muitos interesses e intervenções imperialistas cobrando um alto preço histórico para o Oriente Médio.

O que hoje se veicula como intervenções pela causa humanitária e democrática, pelo contrário, não passam de medidas desesperadas do sistema do capital que se encontra em plena crise estrutural, e de suas potências que veem ameaçado seu controle da região.

O Irã tem sido o mais recente foco dos ataques políticos das grandes potências. Os EUA não têm poupado falsas acusações, como a da fabricação de armas nucleares, na tentativa de isolar e fragilizar politicamente esse país e assim poder iniciar mais uma sangrenta guerra pela apropriação dos seus recursos energéticos, tão importantes economicamente. O que assusta os EUA é que o Irã, por conta de seu petróleo, possui certa autonomia com relação às políticas estadunidenses. Mesmo sendo um grande comprador de seu petróleo, os EUA não tem a garantia de seus acordos, o Irã pode muito bem exportar para a China que estaria esperando ansiosamente. Assim, isolar o Irã e garantir que seu governo seja dependente dos EUA é fundamental para a economia estadunidense.   Nesse caminho segue provocando conflitos nos países aliados ao Irã, como fez com a Líbia, substituindo Kaddafi por um governo inteiramente subserviente, tentativa que nesse momento vemos se passar com a Síria. 

A situação criada na Síria com o intuito de forçar a renúncia de Bashar Al Assad, é mais uma dessas tentativas de impor à região um governo obediente aos interesses imperialistas (representados na região pela Liga Árabe, EUA, UE e Israel). Porém, esse plano não contava com o veto da China e Rússia no Conselho de Segurança da ONU. Atitude que entrou para a história marcando a posição dessas duas potências na disputa das relações econômicas na região e provocando assim a fúria nos demais membros do Conselho.
Os acontecimentos recentes na Líbia, Síria e Irã são partes de um mesmo projeto de dominação imperialista, que tem como objetivo imediato manter a hegemonia de Israel no Oriente Médio em detrimento do Irã. Como sabemos, Israel é um país que, assim como a Colômbia na América Latina, tem todo apoio militar e político dos EUA para defender os interesses imperialistas na região. 

Denunciar e rechaçar a interferência imperialista que se esconde por trás da máscara da defesa dos direitos humanos, é hoje fundamental para evitar que milhares de vidas sejam sacrificadas para alimentar um sistema que agoniza numa de suas piores crises. É fundamental que se saiba diferenciar o apoio à política de um governo e o rechaço à intervenção estrangeira.  O que se trata nesse atual momento é garantir que os povos da Síria, Líbia e Irã tenham o direito a definir por si próprios os rumos que seus países devem seguir. Pois, toda interferência imperialista, independente de qual país se der, terá como resultado a subordinação aos interesses dos grandes monopólios internacionais. 

As questões democráticas e os direitos civis, tão “defendidos” pela mídia internacional, nunca irão avançar ou serem resolvidos com a intervenção de países imperialistas. Atualmente, a resistência dos povos sírio, líbio e iraniano é a única garantia para evitar que seus países voltem a ser colônias de países imperialistas.

Publicado originalmente no JA no. VII