Documentário sobre a luta dos praças é premiado no Florianópolis Audiovisual Mercosul (FAM) | Juventude Comunista Avançando

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Documentário sobre a luta dos praças é premiado no Florianópolis Audiovisual Mercosul (FAM)

O filme documentário "Não senhor", de Gabriela Brandão, que revela a intensa e sofrida luta dos praças catarinenses da Polícia Militar e dos Bombeiros durante sua greve, ocorrida no final de 2008, foi o vencedor da Mostra Competitiva Catarinense pelo Juri Popular. A competição ocorreu durante o Festival Florianópolis Audiovisual Mercosul (FAM), na capital de Santa Catarina, e o resultado foi divulgado no dia 22 de junho.

Naquela greve os praças chegaram a ocupar por cinco dias quartéis de todo o estado de Santa Catarina em uma luta heroica, mas que poucos conheciam – a não ser de maneira bastante distorcida através das informação transmitidas pela grande mídia – antes do aparecimento do filme "Não senhor". O documentário de aproximadamente 30 minutos possui depoimentos emocionados de muitos dos praças que viveram aquela situação, além de depoimentos de quem estava do outro lado da trincheira.

Segundo reportagem do Jornal universitário da UNISUL, universidade onde Gabriela se formou (tendo produzido "Não senhor" como trabalho final) e foi dirigente do DCE até poucos meses atrás, o que conferiu ao filme tanta qualidade foi justamente o engajamento político e militante de sua diretora. Gabriela participou ativamente dos movimentos pela redução da tarifa do transporte coletivo na mesma época da greve dos praças. O movimento, que foi fortemente reprimido pela polícia, abriu para ela a questão de que ambas eram lutas populares que não se opõe. O que coloca policiais, estudantes e trabalhadores em conflito são imperativos que vem de fora, de outra classe. Em entrevista ao jornal da UNISUL ela revela: “Também já apanhei de polícia e a gente tem essa ideia que a policia está lá para reprimir. [...] Com essa história eu percebi que é uma coisa que vai muito além de um soldado que esta lá muitas vezes contra sua vontade”.

O filme "Não senhor" cumpre assim um papel importantíssimo. Além de divulgar e desvendar um feito histórico pouco conhecido, o filme coloca em questão algo que precisa ser cada vez mais salientado: há algo que unifica todos os trabalhadores e há algo que separa a humanidade. Esse algo não é aquilo que geralmente aparece nas manifestações de rua. Os verdadeiros inimigos do povo não se sujeitam a enfrentar seus oponentes em campo aberto, antes colocam-nos a guerrear contra nós mesmos. O que eles não esperam é deparar-se com o fato de que seu "escudo" tem uma falha:

"O homem, meu general, é muito útil
Sabe voar, e sabe matar 
Mas tem um defeito 
Sabe pensar"
É o que diria Bertold Brecht.