Paralisação na Universidade Estadual de Santa Catarina | Juventude Comunista Avançando

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Paralisação na Universidade Estadual de Santa Catarina


Estudantes da Universidade Estadual de Santa Catarina – UDESC – estão em mobilização contra corte orçamentário proposto pela reitoria. Na última quinta-feira houve paralisação e as aulas foram transformadas em debates e atividades nos Halls do campus 1 e em frente à reitoria.

Além do corte orçamentário a reitoria através de uma comissão composta de cargos de confiança, está centralizando a decisão sobre os gastos de todos os centros e cursos da universidade, sem debate com a comunidade universitária.

Além do corte no orçamento dos centros, essa comissão também está cortando bruscamente a verba da Pesquisa e da Extensão abalando simultaneamente os três pilares estruturais da Universidade.

As medidas são resultado de um "incentivo" (como afirma o documento oficial da UDESC sobre os cortes de verba) do  governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo (PSD), que com a resolução nº008/2012 que “Dispõe sobre a contenção de despesas nos órgãos da Administração Direta, Autarquias e Fundações do Poder Executivo estadual e das Empresas dependentes do Tesouro do Estado.” alerta para a não contratação de serviços terceirizados como a faxina, segurança e professores entre outros. No entanto, esses serviços não só não estão sendo contratados, como estão sendo cortados.

Os cortes não enquadrados nessa resolução são justificados pela reitoria por um 'equívoco' na avaliação da quantia que a UDESC receberia nesse ano de 2012, para qual planejou seu orçamento com base em um valor muito além do previsto.

Esse desrespeito à autonomia universitária é pratica comum nas ultimas administrações da UDESC, os exemplos mais recentes são o decreto de dezembro de 2011, que interfere no reajuste dos salários e na database dos servidores da UDESC, e a tentativa de mudança do estatuto da universidade através de um golpe, barrado pelo movimento estudantil.

Sintomas do que são as prioridades da reitoria, são a falta de assistência estudantil – não há RU, moradia estudantil, creche, e as bolsas do Programa de Auxilio e Permanência se limitam a 10% do previsto.

Outro grave problema diz respeito a falta de democracia interna. A porcentagem da participação dos estudantes nos Conselhos Superiores e nas eleições pra reitor está abaixo de 20%.

A universidade estadual passa por um processo de expansão desordenado e sem estrutura física de prédios, laboratórios e salas de aula. Os estudantes estão sujeitos à bolsas de trabalho que substituem trabalho de técnico, devido a falta de reajuste de bolsas de extensão, monitoria e pesquisa.

O atrelamento da reitoria com o governador do Estado de Santa Catarina, deixa explícita sua contínua política privatista, reduzindo o investimento público e favorecendo as Parcerias Público Privadas.

Essas ações visão aumentar o poder de barganha da reitoria para facilitar o projeto da oligarquia catarinense de fazer com que a UDESC retorne ao regime de “instituição pública de direito privado”, tal qual as demais universidades do sistema ACAFE, que chegam a cobrar mensalidades de até 4 mil reais.

A experiência da UDESC é exemplo de como as diretrizes da Reforma Universitária se impõem a todo o Ensino Superior brasileiro, distanciando ensino de pesquisa e extensão, aumentando número de vagas, sem aumento respectivo de estrutura, e direcionamento da produção de conhecimento científico e tecnologia às demandas do capital.