Estudantes da USP São Carlos se levantam pela democracia universitária | Juventude Comunista Avançando

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Estudantes da USP São Carlos se levantam pela democracia universitária



Na cauda de toda a ofensiva antidemocrática que vem sendo empreendida pela administração central da Universidade de São Paulo (USP), a administração de um de seus campi do interior - São Carlos, 230km da capital - tem sido ponta de lança na tentativa de desmantelar a autonomia do movimento estudantil.

Neste campus os estudantes organizam-se em torno de apenas um Centro Acadêmico - o CAASO, Centro Acadêmico Armando Salles Oliveira -, que responde pelo corpo discente de todos os cursos mediado por Secretarias Acadêmicas. O CAASO tem um longo histórico de importantes lutas, tendo sido criado já em 1953. Um apanhado de sua história aparece bem representado no vídeo abaixo:


Entre as conquistas históricas do CAASO, chama a atenção sua estrutura, cuja sede se localiza no ponto mais central do campus e abriga, entre outras atividades, o Restaurante Universitário. Além disso, os estudantes da USP São Carlos conservam vitórias importantes do movimento, como a garantia de interferência limitada dos órgão da reitoria na seleção de novos moradores e na definição de regras na Residência Universitária (chamada em São Carlos de "Aloja"). Todas estas conquistas estão sob ameaça neste processo de ofensiva da reitoria, que no ano passado apareceu com força no campus de São Paulo, mas que se mantém vigente de forma mais silenciosa no dia a dia de toda a universidade.

Especificamente no campus de São Carlos, os ataques possuem três frentes: a entrada da PM no campus, restrições quanto à autonomia e utilização do espaço físico pelo CAASO, e tentativa de retirada das conquistas relacionadas ao Alojamento. Diante destas três ameaças, que seriam discutidas e deliberadas pelo Conselho Gestor do campus em uma única reunião no dia 29 de agosto, os estudantes construíram uma mobilização no sentido de pressionar o Conselho, garantindo a manutenção das conquistas. A mobilização ocorreu e foi importante, mas não foi capaz ainda de garantir nenhuma vitória efetiva, a não ser o adiamento da decisão.

Compareceram ao ato do dia 29 cerca de 500 estudantes, o que denota um grande potencial e disposição de luta por parte dos mesmos em defesa de sua entidade. O movimento precisa avançar, no entanto, em sua politização e aprofundar o nível de seu debate estratégico. Sem a definição de um horizonte para a luta, limitado a uma luta defensiva, será difícil conquistar qualquer garantia de que a universidade mantenha o mínimo de abertura democrática. Não pode haver ilusão: são tempos de ofensiva do capital por sobre o sistema de ensino público. Se o movimento por uma transformação efetiva da Universidade, no sentido de sua democratização e vinculação aos anseios populares, não avança, os inimigos não deixarão de partir para cima.

A construção de um projeto de transformação da universidade formulado no seio do movimento estudantil (e universitário como um todo, incluindo o movimento docente e dos STAs) não é apenas uma possibilidade, mas torna-se cada vez mais uma necessidade. A ofensiva da administração da USP não é um caso isolado, basta analisar como a autonomia universitária tem sido ferida seguidamente pela contra-reforma universitária a nivel nacional. Tudo isso explicita a forma autoritária como a universidade tem tomado suas decisões a partir das demandas das classes dominantes. É momento de fazer valer as demandas populares com relação à universidade. O GT Nacional de Universidade Popular elegeu a luta por democracia interna nas universidades como uma pauta prioritária, essa luta deve abrir caminho para conquistas maiores na direção de uma Universidade Popular. Para isso a existência de um movimento estudantil autônomo é fundamental, e a luta pela autonomia das entidades pode cumprir um papel central, desde que não seja vista de forma isolada.