Panamá: Maior rebelião popular dos últimos anos | Juventude Comunista Avançando

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Panamá: Maior rebelião popular dos últimos anos

[A Nova Democracia] A população de Colón, segunda maior cidade do Panamá, foi em peso às ruas nos últimos dias protestar contra a privatização de terrenos na Zona Franca que circundam o canal que liga os oceanos Atlântico e Pacífico. Os protestos tiveram início no dia 19 de outubro, quando a lei foi aprovada, e se prolongaram por dias chegando a outras partes do país.

Em 20 de outubro, a repressão policial assassinou um menino de 9 anos. A polícia disparou contra os manifestantes ferindo a criança na barriga. Ela chegou a ser levada ao hospital Manuel Amador Guerrero, em Colón, mas não resistiu ao ferimento. Pelo menos mais 13 pessoas ficaram feridas, entre elas três policiais por disparos vindos da multidão. Dezenas de pessoas foram detidas.

As “autoridades” de Colón chegaram a decretar um toque de recolher. Lojas localizadas na Zona Livre de Colón (ZLC) foram saqueadas e diversos caixas eletrônicos foram destruídos.

No dia 23, pelo menos duas pessoas – uma mulher de 29 anos e um indígena – morreram após ser atingidas pelas balas de borracha.

Já no dia 26 de outubro, onze pessoas ficaram feridas e mais de 200 foram detidas num dos mais violentos choques entre manifestantes e a polícia na cidade do Panamá, capital do país. Os manifestantes ergueram barricadas, incendiaram pneus e saquearam grandes centros comerciais.

Também no dia 26, em Colón, mais seis pessoas ficaram feridas (três manifestantes e três policiais) e 15 foram detidas. Em outras regiões foram registrados cortes de estradas e manifestações populares.

Tamanha a rebelião popular que o gerente federal, Roberto Martinelli, após diversas “tentativas de diálogo”, foi obrigado a revogar a decisão. Cinicamente, ele chegou a declarar em uma rede social que “Se o povo colonense não quer que se vendam as terras da ZLC (Zona Livre de Colón), revoga-se a venda”. No dia 28, os deputados chegaram a um acordo, com 59 votos a favor, nenhum contra e sem abstenções, de revogar a lei (n° 72 de 2012) que havia sido aprovada por Ricardo Martinelli.