Governo colombiano intensifica perseguição política para frustar os diálogos de paz | Juventude Comunista Avançando

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Governo colombiano intensifica perseguição política para frustar os diálogos de paz

Na ultima sexta-feira o governo colombiano prendeu, em diferentes partes do país, nove jovens membros do movimento social e político Marcha Patriótica, sob acusação de terem vínculos com grupos insurgentes. Esse tipo de prisão é comum na Colômbia e faz parte da política de terrorismo de Estado, que criminaliza todos tipo de contestação social, classificando-os como terroristas. Os jovens presos na última semana já haviam sido vítimas de perseguição estatal, no ano de 2006 foram detidos pela mesma acusação e inocentados, quando seus advogados provaram se tratar de acusações infundadas.

O mais velho entre os militantes presos tem apenas 34 anos, os jovens são profissionais de diferentes áreas como sociologia, engenharia, professores universitários e estudantes de mestrado. A maioria realizava trabalho comunitário, como o médico Lessner Almenarez, membro do Partido Comunista Colombiano, que trabalhava em 3 centros assistências no momento de sua prisão.

A perseguição aos movimentos sociais é sistemática na Colômbia e intensifica-se neste momento em que se vislumbra a possibilidade de avançar na construção da paz com justiça social, com a retomada dos diálogos entre o governo e as Força Armadas revolucionárias da Colômbia Exército do Povo – FARC-EP.

O governo aceitou sentar à mesa com as FARC-EP devido à pressão social crescente reivindicando paz, mas afirma, na figura do ex-vice-presidente Humberto de la Calle, que não serão debatidas questões estruturais ou modelos econômicos e se recusa a aceitar um cessar fogo durante as negociações, motivo pelo qual existe apenas por parte das FARC-EP a suspensão de hostilidades militares.

A prisão destes jovens faz parte da estratégia do governo de Juan Manoel Santos de sabotar o processo de paz, buscando criar desculpas para se retirar da mesa de negociação repetindo a fórmula adotada pela oligarquia colombiana nas tentativas anteriores, frustradas pela truculência das classes dominantes viciadas no uso da violência para garantir seus interesses.