México: zapatistas retomam marchas em Chiapas no fim da era maia | Juventude Comunista Avançando

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

México: zapatistas retomam marchas em Chiapas no fim da era maia

Protesto silencioso foi marcado pela juventude dos manifestantes, escolarizados em centros educativos comunitários

Em silêncio e sob chuva, milhares de zapatistas deixaram suas comunidades nas montanhas de Chiapas e tomaram pacificamente as ruas de San Cristobal de las Casas, Ocosingo e Las Margaritas. Caminhando com as bandeiras da EZLN (Exército Zapatista de Libertação Nacional) e do México, o grupo voltou a se manifestar depois de anos de silêncio.

Em um ato simbólico que durou algumas horas, os descendentes dos maias aproveitaram o dia em que muitos esperam o fim do mundo para sair às ruas do país.

Esta época é importante para os zapatistas porque foi em 22 de dezembro de 1997 que o Estado mexicano, por meio de cem paramilitares, assassinou 45 indígenas, sendo 18 crianças e 22 mulheres, enquanto rezavam em um templo religioso em Chiapas.

Depois de 15 anos, o massacre de Acteal, ainda não foi julgado. Em 30 de janeiro de 2008, porém, a Comissão Civil Internacional de Observação dos Direitos Humanos sinalizou que o Estado teve responsabilidade nos fatos.

Por essa razão, o presidente do México na segunda metade da década de 1990, Ernesto Zedillo, foi acusado de ser o responsável político pelo massacre. No entanto, em setembro deste ano Zedillo foi absolvido nos Estados Unidos, onde mora atualmente.

Os zapatistas saíram às ruas das três cidades de Chiapas desde a madrugada desta sexta-feira (21/12), com homens, mulheres e crianças em caminhonetes vestindo máscaras. Despostos em fileiras, desfilaram sem dizer uma palavra.

Apesar de os líderes do EZLN não terem feito nenhum discurso, chamou a atenção a juventude dos manifestantes, escolarizados nos centros educativos comunitários dos indígenas.

Durante os anos em que os zapatistas se mantiveram em silêncio, o Estado manteve uma guerra de baixa intensidade contra os mesmos, com violências, abusos e agressões.