Avaliação da JCA sobre o 14° CONEB da UNE | Juventude Comunista Avançando

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Avaliação da JCA sobre o 14° CONEB da UNE

Campo da Universidade Popular se expressa na plenária final do CONEB
O 14° CONEB (Conselho Nacional de Entidades de Base) da UNE, que ocorreu no Recife entre os dias 18 e 21 de janeiro de 2013, forneceu mais uma demonstração do longo caminho que o movimento estudantil brasileiro ainda precisa percorrer para retomar seu papel de protagonista nas lutas sociais do povo brasileiro e, sobretudo, na defesa de uma educação pública e voltada para os interesses da classe trabalhadora e dos demais setores explorados e oprimidos pelo capital, quer dizer, na luta por uma universidade popular.

Há tempos que os CONEBs da UNE deixaram de ser a expressão do movimento de base, ou seja, da organização dos estudantes a partir de seus centros acadêmicos. Os métodos empregados pela força hegemônica (UJS e aliados) dentro da UNE pouco tem a ver com o fortalecimento da luta em cada local de estudo e resume-se muito mais a um processo de tiragem de delegados extremamente sazonal e despolitizado, que só se mobiliza a cada dois anos para retroalimentar a lógica de uma entidade já muito distante da luta real dos estudantes brasileiros. O que consegue é criar uma grande ilusão através da transformação de espaços políticos em grandes "eventos", com verba dos governos e empresas (inclusive da Rede Globo, como foi o caso nesta Bienal, que se seguiu ao CONEB).

E já que os métodos nunca estão desligados dos objetivos, o problema da UNE atual é ainda mais profundo. Esta despolitização a que nos referimos acima é, dentro dos objetivos almejados pela força hegemônica dentro da direção da UNE, necessária para que as coisas sigam como estão. Além de a UNE estar descolada das lutas reais que os estudantes travam constantemente dentro das universidades brasileiras, sua preocupação maior, pelo menos desde a eleição de Lula em 2002, é a de defender as políticas do governo em detrimento da política dos estudantes. Neste CONEB, não por acaso, a grande "atração" e a principal mesa de discussão girou completamente em torno da presença do Ministro da Educação, Sr. Aloízio Mercadante. Ou seja, como se não bastasse que em nossas universidade e no nosso dia-a-dia já sejamos tratados como meros espectadores, e tenhamos que conquistar na marra o direito de expor nossas próprias opiniões, a lógica que a UNE reproduz atualmente é exatamente a mesma, deixando claro o que de fato ela se tornou: uma entidade que, em nome do movimento estudantil, cumpre o papel de engessar este mesmo movimento.

Mas nem sempre foi assim, pois a força do nome "UNE" não surgiu do acaso, senão do elevado nível de organização e intervenção que o movimento estudantil brasileiro já logrou conquistar, sobretudo antes de ter sido desarticulado pela ditadura militar.

A reorganização da UNE depois da ditadura foi um processo muito importante de retomada de bandeiras históricas, como por exemplo a defesa da "verba pública apenas para educação pública", da expansão qualitativa e quantitativa do ensino público, entre outras, mas que não conseguiu retomar algo de fundamental que existia no período anterior de sua existência (embora fosse também limitada aquela experiência): a elaboração de um projeto estratégico de transformação da universidade brasileira capaz de absorver e estimular o acúmulo de forças das diversas lutas específicas que sempre ocorreram e sempre irão ocorrer onde quer que haja estudantes dentro do capitalismo. A atual direção na UNE não só não está preocupada em construir um projeto próprio dos estudantes em aliança com os setores populares para a universidade brasileira, partindo assim pra uma ofensiva organizada, como já se esqueceu de defender mesmo as bandeiras isoladas que a entidade retomou em sua reorganização nas décadas de 1970 e 1980.

Deste modo, o que está colocado como desafio para os estudantes lutadores em cada curso de cada universidade brasileira é, como já apontamos no início deste texto, um longo processo de reorganização, que não depende só da conquista da direção da "entidade UNE", mas da reconstrução do próprio movimento real do dia-a-dia, e isso em dois sentidos principais: a partir de baixo, retomando a organização estudantil em cada sala de aula, em cada centro acadêmico, e também a partir de uma noção do todo, ou seja, de uma análise do processo de reestruturação ao qual está sujeito todo o sistema de ensino superior brasileiro e da construção de um projeto alternativo, capaz de colocar a universidade nas mãos da classe trabalhadora, em detrimento da atual lógica dirigida pelo capital. Somente assim é que se pode avançar no sentido de acumular forças não só para trazer a UNE de volta para a luta, mas também para que esta luta possa culminar numa profunda transformação da universidade, na conquista de uma universidade popular, o que no fundo é o nosso maior anseio.

Aproveitamos para saudar o esforço de unidade da Oposição de Esquerda, reiterando que a unidade programática é o único caminho para consolidar de fato um campo combativo dentro do movimento (também no movimento estudantil, mas inclusive em todo o movimento universitário) a nível nacional. Este esforço de avançar no debate estratégico temos buscado fazer, em conjunto com outras organizações, através do Grupo de Trabalho Nacional de Universidade Popular (GTNUP). Todos os estudantes e coletivos interessados em conhecer melhor o Grupo de Trabalho e somar-se neste esforço serão bem vindos.

Direção Nacional da Juventude Comunista Avançando
Fevereiro de 2013

Mais imagens:

Oficina do GTNUP durante o CONEB

Plenária final do CONEB