Os desafios do ME secundarista | Juventude Comunista Avançando

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Os desafios do ME secundarista

A educação, assim como todo o sistema capitalista, passa por uma grave crise. A situação precária de completo abandono das escolas públicas no Brasil leva seus estudantes a uma enorme defasagem de aprendizagem. O discurso de que estudar garantia um bom emprego já não convence mais, pois há muito tempo não condiz com a realidade. A maioria dos jovens percebe essa contradição, porém muitas vezes não tem elementos para entendê-la, e demonstra sua revolta de diversas formas: com desinteresse pelas aulas, com a evasão, com violência, etc. Porém, quando tem acesso à análise crítica sobre o ensino escolar na sociedade capitalista, pode manifestar sua revolta através do engajamento político. 

O movimento estudantil secundarista tem um grande histórico de luta na sociedade brasileira, participando ativamente da vida política do país. Atualmente, porém, com todo o processo de desarticulação do movimento estudantil secundarista empreendido pela ditadura militar e hoje sustentado pela política conciliatória das organizações de juventude governistas (UJS/PCdoB e Juventudes do PT) e refletida nas entidades estudantis por elas dirigidas (União Brasileira de Estudantes Secundaristas –UBES – e boa parte das entidades estaduais e municipais de estudantes secundaristas)[1], os estudantes secundaristas perderam a escola como um espaço de resistência e formação política. 

O desafio colocado ao movimento estudantil secundarista atual é o de se reorganizar, começando pelas salas de aula, na disputa pela consciência crítica dos estudantes, e também pela retomada de suas entidades de base, os grêmios estudantis. Os principais obstáculos estão no autoritarismo que tomou conta das escolas através da estrutura antidemocrática de organização escolar que exclui a participação estudantil de suas decisões. Essa estrutura tem propósitos muito claros, no plano imediato, procura impedir que os estudantes e trabalhadores da educação possam transformar a escola tornando-a um espaço de questionamento e análise crítica da sociedade e, a longo prazo, o intuito é impedir a formação desses estudantes, futuros trabalhadores, enquanto sujeitos de sua própria vida e transformadores da realidade. 

Os estudantes hoje não podem contar com o apoio de sua entidade nacional, a UBES, completamente atrelada aos interesses do governo federal. Basta ver os meios de comunicação da entidade (pois vê-la no dia a dia das escolas é quase impossível!) que suas campanhas se resumem a pautas já previamente aprovadas pelo governo ou de apoios às políticas do mesmo, como o destino de 50% dos recursos do fundo social do Pré-Sal para a educação e a campanha para a participação eleitoral dos estudantes de 16 anos. Nenhuma delas analisa de forma crítica tanto a maneira como os recursos do Pré-Sal foram privatizados e nem mesmo os limites das eleições burguesas, apenas utiliza os estudantes como massa-de-manobra para as políticas dos partidos governistas. A denúncia do papel que hoje cumpre essa entidade e demais entidades estaduais e municipais é fundamental, e junto a isso, disputar a consciência dos estudantes e rearticular os grêmios estudantis. Só assim será possível reorganizar o movimento estudantil secundarista, reconquistando seu papel questionador e transformador da sociedade. 

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[1] É importante ressaltar que essas organizações hegemonizam apenas as entidades estudantis pelo afastamento que elas têm hoje do movimento de base. Nas escolas, elas se mostram completamente ausentes.