A JCA como escola de quadros | Juventude Comunista Avançando

sábado, 2 de março de 2013

A JCA como escola de quadros

Os comunistas, ao combaterem o capitalismo, não combatem um inimigo externo à própria humanidade. O capitalismo, já dizia Marx, é o produto de relações entre os próprios homens, relações que os homens contraíram historicamente, pois, ainda segundo Marx, "os homens fazem sua própria história, mas não a fazem como querem". Isso quer dizer que não será ninguém senão os próprios seres humanos que irão derrubar este sistema. 

A burguesia sempre buscou rotular os comunistas como se fossem agentes "externos", que somente seguiam "ordens de Moscou", ou de Havana, ou de qualquer lugar fora daqui, como se a luta pelo comunismo não fosse uma necessidade objetiva, que brota da própria luta dos trabalhadores contra o capital, de cada parafuso apertado no chão de fábrica, diariamente. Por outro lado, no entanto, apenas apertando parafusos os trabalhadores jamais chegarão ao comunismo. É preciso que se organizem, que se formem politicamente, que se tornem capazes de dirigir a si próprios, coisas que somente podem conquistar constituindo organizações próprias e com auxílio de outros lutadores, de outros locais e de outros tempos. 

Estas organizações, por sua vez, só podem funcionar e avançar se os trabalhadores que as compõe forem capazes de levá-las adiante. A um trabalhador capaz de conduzir a luta pelo comunismo é que chamamos de um "quadro comunista". O quadro comunista é mais que um mero membro de um Partido, ou Juventude Comunista, é mais que um mero aplicador de determinada política, ele é um "lugar sensível", como dizia o Che, "transmite o que vem da massa, e lhe infunde o que orienta o Partido". 

O quadro comunista, assim, é aquele militante da organização que está extremamente preocupado e atuante tanto no que diz respeito à construção da organização quanto no que diz respeito ao movimento de massa. Em ambos os espaços o quadro é sujeito que toma decisões, é ativo, não tem medo de errar porque busca agir de acordo com a orientação da organização, e não teme a orientação da organização porque ajuda a construí-la. Ao mesmo tempo, o quadro é responsável por suas ações, as assume, assim como assume as demandas coletivas do movimento e do povo em geral como se fossem demandas pessoais suas. 

O quadro é um militante extremamente disciplinado, que enxerga nas suas ações uma parcela das ações de todos os comunistas, que enxerga no seu crescimento enquanto militante o crescimento da intervenção de toda a organização, de todo o povo. Por isso todo militante precisa incrementar sempre sua formação, seja dedicando-se mais e mais à atuação prática na luta do povo (espaço privilegiado de aprendizagem), seja através da observação do exemplo de outros quadros, seja através da teoria revolucionária. Atue onde atuar, dizia Che, para todo quadro "o denominador comum é a clareza política". 

A JCA considera a si própria como uma "Escola de quadros", ao construirmos nossa Juventude estamos nos formando como quadros capazes de contribuir com a revolução brasileira. A JCA está ligada ideológica e programaticamente à Corrente Comunista Luiz Carlos Prestes, mas possui autonomia organizativa com relação a ela. Os jovens que a constroem, portanto, constroem o espaço do seu próprio aprendizado. Assim a JCA busca ser um espaço privilegiado para que os jovens descontentes com sua condição sob o capitalismo, estejam onde estiverem, transformem sua rebeldia espontânea em força organizada. Busca ser um espaço onde conquistemos avanços coletivamente, em que o crescimento coletivo se expresse no avanço individual de cada camarada, e em que o avanço individual de cada camarada contribua para o avanço coletivo de toda a organização e do movimento popular e juvenil em geral, rumo ao comunismo.

Sugestões de leitura:
Jorge Dimitrov: Sobre os quadros (disponível em: http://www.cclcp.org/index.php/inicio-cclcp/formacao/213-sobre-os-quadros)
Che: O quadro, coluna vertebral da Revolução

Publicado originalmente no Jornal Avançando no. IX