Homenagem a Elisa Branco | Juventude Comunista Avançando

sexta-feira, 8 de março de 2013

Homenagem a Elisa Branco

Elisa Branco (1912 - 2001) foi uma militante comunista brasileira muito aguerrida, conhecida como a heroína da paz. Desde cedo contestadora trocou as cartilhas escolares pelos jornais diários, com os quais seguia e admirava as ideias e andanças do Cavaleiro da Esperança pelo país. Aliada essa admiração ao seu interesse na militância ingressou no PCB (no qual foi secretária do Comitê Municipal de São Paulo) e na Federação das Mulheres do Estado de São Paulo. 

No Programa mínimo apresentado pelo Bloco Operário – frente de esquerda criada pelos comunistas em janeiro de 1927 – constava: implantação do voto feminino, proteção efetiva às mulheres operárias, licença remunerada às operárias grávidas de 60 dias antes e 60 dias depois do parto. 

Em fevereiro de 1930 uma circular do Comitê Central pede para que durante a mobilização do 8 de março de 1930 se levantem as reivindicações “imediatas e especiais” das mulheres: salário igual para trabalho igual; dia de 6 horas; repouso pago de dois meses antes e dois meses depois do parto; proteção ao trabalho feminino; creches junto aos locais de trabalho; licença para amamentar os filhos de meia hora, a cada três horas; direito de voto e direitos de família iguais ao dos homens. Conclama a “aproveitar toda a agitação para chamar às fileiras do Partido, da Juventude e de suas organizações auxiliares, as companheiras que melhor se revelarem”. Com afinco e disciplina revolucionária Elisa foi imprescindível para elaboração e luta dessas pautas. 

Em 1948, muda-se de Barretos SP para a capital em busca de emprego e passa a ser responsável pelos recrutamentos de quadros e liderar a Campanha pela Paz Mundial contra o envio de soldados brasileiros para participar da guerra dos Estados Unidos na Coréia, colhendo assinaturas na Praça do Patriarca. No mesmo ano, é presa pela primeira vez durante a instalação do I Congresso dos Trabalhadores Têxteis do Estado de São Paulo. 

Em 7 de setembro de 1950, quando trabalhava como costureira, organizou com suas companheiras de trabalho um protesto contra o envio de tropas brasileiras à Guerra da Coréia. No Vale do Anhangabaú, diante do palanque oficial das festividades do Dia da Independência, Elisa abriu uma faixa com os dizeres "Os soldados nossos filhos não irão para a Coréia". Por conta disso, foi condenada por um Tribunal Militar por ação subversiva a uma pena de quatro anos e três meses de reclusão no Presídio Tiradentes. 

Dentro da prisão, passou a alfabetizar outras detentas, além de ensinar corte e costura e higiene pessoal. Seus camaradas começaram a organizar um grande movimento por sua libertação. Com o apoio popular gerado por ele foram capazes de pressionar o governo a realizar um novo julgamento que absolveu Elisa. Permaneceu na prisão por um ano e oito meses. 

Após sair da prisão, Elisa tornou-se um dos exemplos do internacionalismo proletário. Após realizar atividades por todo país, reportando a luta de São Paulo. De lá partiu para a Europa, onde participou de vários Congressos de Mulheres. Em 1952 recebeu o Prêmio Stálin da Paz (que mais tarde mudaria o nome para Prêmio Lênin da Paz), na conferência mundial pela paz na Polônia, por seus atos e grande dedicação ao partido e à causa comunista. Nessa primeira viagem à Europa, estava acompanhada do escritor Jorge Amado, da atriz Maria Della Costa e da escritora Zélia Gattai. 

Seria presa novamente em outras duas ocasiões: em 1964, durante o Golpe Militar, foi presa pelo DOPS em sua casa, sem acusação e ficou detida por oito dias; em 1971 passou três dias desaparecida até ser liberada por falta de provas. 

No início da década de oitenta se escancaram as divergências políticas de Prestes com o Comitê Central do PCB, que na Carta aos Comunistas “afirma a necessidade de empreender uma virada drástica em relação à linha política de abandono aos objetivos revolucionários do PCB” (Anita Leocádia Prestes). Entre outros camaradas, Elisa Branco também sai do PCB com Prestes. Já no final de sua vida ingressa no Partido Comunista Marxista-Leninista, compondo sua direção nacional. Morre em 2001, deixando para todos os comunistas e trabalhadores do mundo o exemplo de dedicação dessa eterna lutadora que nos inspira para que um dia conquistemos a paz pela qual Elisa Branco sempre lutou.

Publicado originalmente no JA IX