À portas fechadas, EBSERH é aprovada no Conselho da UFMS | Juventude Comunista Avançando

domingo, 28 de abril de 2013

À portas fechadas, EBSERH é aprovada no Conselho da UFMS

Uma Reitoria fechada, sem ser feriado e nem ponto facultativo. O motivo: uma reunião do Conselho Universitário da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul - UFMS. Por conta das votações na Sala de Atos, que fica anexo à recepção da Reitoria, a Administração da Universidade fechou as portas e colocou o corpo de vigilantes como escudo aos manifestantes, a maioria de estudantes. 

O ato, além de autoritário, deixou transparecer que a Reitoria tinha algo muito grave a esconder. Os estudantes, motivo da existência de qualquer instituição de ensino, foram barrados na porta, a mesma coisa acontecendo com trabalhadores da Universidade e dos meios de comunicação.

A ordem era para entrar apenas conselheiros. Acontece que a recepção da Reitoria é um espaço livre e, naquele local, não acontecia nenhuma reunião. Ou seja, a Administração fez sua própria lei, impedindo acesso do público a um local público. Quem tinha algum documento para protocolar na Reitoria, ficou prejudicado em função da arbitrariedade. 

A confusão provocada por este ato, que ressuscitou os tempos obscuros da ditadura civil-militar no Brasil, motivou a presença dos principais veículos de comunicação do Estado à Reitoria da UFMS. Sem poder mostrar o que estava acontecendo lá dentro, os profissionais reportaram a revolta dos manifestantes. Infelizmente, mais um triste capítulo promovido pela Administração da Universidade, que deveria ser o topo do conhecimento e da convivência democrática de ideias.

Votação da EBSERH

O motivo da postura autoritária da Administração da UFMS foi em função da votação de um dos 14 pontos de pauta da reunião do Conselho Universitário (COUN), que previa a adesão do Hospital Universitário à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH).

O advento desta empresa, segundo os trabalhadores e estudantes, é um duro golpe na função de hospital-escola que o HUs desenvolvem, diminuindo também a influência da Universidade em seu comando. Em relação aos trabalhadores, a empresa vai neutralizar vantagens conquistadas e ainda aumentar a carga de trabalho.

Coincidência e votos

Todos os 14 pontos de pauta do COUN foram aprovados de acordo com o interesse e orientação da Reitoria. Com a maioria dos conselheiros votando por pressão e não por convicção, as votações foram “atropeladas” (segundo os relatos dados pelos representantes dos estudantes e técnicos). A votação estava programada para, no mínimo, 8 horas de debate, mas tudo foi feito em menos de 4 horas.

Antes da reunião do COUN – ocorrida no período da tarde desta terça-feira, 16 de abril, - aconteceu a reunião do Conselho Diretor e, coincidentemente, uma solenidade de entrega da carros e outros objetos às direções de centros acadêmicos, diretores de faculdades e diretores de unidades no interior.

O resultado? Dos quase 50 membros do Conselho – a maioria investida em cargos de confiança, sendo diretores de faculdades, coordenadores de curso, coordenadores administrativos ou pessoas ligadas a estes – apenas 6 tiveram a coragem e a dignidade de dizer não à EBSERH e outros pontos polêmicos existentes na pauta da reunião. São eles: Lucivaldo Alves dos Santos eValdevino Mateus Basílio, representantes dos técnicos; Kassandhra Pereira Zolin e Mariana Duarte Ferreira Maidana, da representação dos estudantes; e os professores Ana Paula Werri, do campus de Aquidauana, e Ronny Machado de Moraes, do campus de Corumbá.

*Retirado do SISTA-MS
**Republicado no blog da Frente Nacional contra a Privatização da Saúde em 21/04/2013