Estudantes da Unesp se levantam contra o PIMESP, por condições de permanência estudantil e democracia universitária! | Juventude Comunista Avançando

domingo, 12 de maio de 2013

Estudantes da Unesp se levantam contra o PIMESP, por condições de permanência estudantil e democracia universitária!

Os estudantes dos campi de Ourinhos, Assis e Marília estão em greve desde abril após o drástico corte na política de permanência estudantil sofrido nesse ano de 2013 que resultou principalmente na diminuição das bolsas-permanência deixando muitos estudantes sem as mínimas condições para continuar seus estudos. 

A realidade dos campi é diversa, porém todas convergem para o mesmo sentido: descaso com a permanência estudantil e exclusão dos estudantes e trabalhadores das decisões da universidade. Ao mesmo tempo, o governo do estado propõe a criação do PIMESP (Programa de Inclusão com Mérito no Ensino Superior Público Paulista) que sob o argumento de implantar uma política de cotas nas universidades estaduais, traz como objetivo oculto impedir que os estudantes de escolas públicas, bem como os negros, pardos e indígenas (como se refere o Programa) cheguem de fato à universidade pública, pois cria uma espécie de curso "preparatório" anterior de dois anos de má qualidade, por meio da educação a distância e cuja grade curricular não expressa as reais necessidades desses estudantes. 

Como parte das mobilizações estudantis, será realizada nessa terça-feira (14/05) uma paralisação estadual que já conta com a adesão de diversos campi da Unesp, e também de cursos da USP e Unicamp.

Na sexta-feira (17/05) será o dia de mobilização estadual com ato em frente à Reitoria da Unesp na capital do estado.

Abaixo a carta aprovada pelo Conselho de Entidades Estudantis Unesp/Fatec:

POR PERMANÊNCIA ESTUDANTIL PLENA! CONTRA O PIMESP: POR COTAS DE VERDADE! DEMOCRATIZAÇÃO DA UNIVERSIDADE: POR UMA ASSEMBLEIA UNIVERSITÁRIA QUE ACABE COM OS ESTATUTOS DA DITADURA!

A situação nas estaduais paulistas chegou a um momento crítico. Enquanto na UNESP a reitoria vem pra cima de trabalhadores e estudantes especialmente, querendo impor o grave ataque neoliberal do PIMESP, na esteira de seu planejamento estratégico privatista exposto no documento do PDI; a USP está ocupada pela polícia há quase dois anos, e estudantes em luta contra o estado militar são tratados como bandidos de alta periculosidade, ao mesmo tempo em que políticos corruptos colarinho branco, como Maluf circulam nos salões da burguesia; na UNICAMP, o avanço da terceirização e precarização do trabalho chega a níveis alarmantes.

Dizemos: Basta! Não aceitaremos mais um projeto de universidade de elite, sem políticas de permanências para os pobres e filhos da classe trabalhadora que conseguem atravessar o filtro segregador do vestibular. Somos nós mesmos e nossos pais que sustentam esta universidade, foi o suor do povo que a construiu. Exigimos que o governo do estado de São Paulo e os reitores garantam políticas unificadas de permanência estudantil, a fim de possibilitar que estudantes de baixa renda concluam seus cursos com tranquilidade, como forma de avançar na democratização da escola pública, levando em conta a história do Brasil e da formação do povo brasileiro.

Dizemos: Basta! Não aceitaremos que nos empurrem goela abaixo um programa racista e discriminatório como o PIMESP, que sob um verniz de cotas, traz em seu bojo um grave ataque neoliberal e precarizador das relações de trabalho, ensino e estudo. Não passarão! Os estudantes desta universidade declaram-se partidários de cotas proporcionais ao total da população do estado. Queremos que as entidades e movimentos historicamente ligados a questão das cotas participem dos debates e das decisões.

Exigimos que imediatamente se iniciem os procedimentos necessários para a instalação de uma Assembleia Universitária que modifique os estatutos da ditadura, e democratize as estruturas de poder, dando peso real decisório a categoria de trabalhadoras e trabalhadores e de estudantes. Não é admissível, sob nenhum ponto de vista, que uma universidade seja dirigida por castas privilegiadas --- que ironicamente se dizem partidários de cotas.

Fazemos o chamado a todos os estudantes e entidades estudantis, professores, movimentos populares e organizações do povo, a comporem a PLENÁRIA ESTADUAL DE ESTUDANTES, PROFESSORES E MOVIMENTO SOCIAIS afim de avançarmos nas mudanças estruturais necessária para garantirmos um país justo.

Ourinhos, 5 de maio de 2013

Conselho de Entidades Estudantis da UNESP-FATEC