O Brasil vai parar! Às ruas por um transporte público e de qualidade! Pelo direito à cidade! | Juventude Comunista Avançando

segunda-feira, 17 de junho de 2013

O Brasil vai parar! Às ruas por um transporte público e de qualidade! Pelo direito à cidade!

Nota da Juventude Comunista Avançando (JCA)
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Nas últimas semanas o Brasil tem experimentado uma onda de manifestações e protestos em torno do transporte coletivo, motivados principalmente pelo aumento no preço das tarifas nas diversas cidades brasileiras. Porto Alegre, Goiânia, São Paulo, Rio de Janeiro, Maceió foram algumas das cidades que viram trabalhadores e estudantes irem às ruas e manifestarem sua revolta contra esses aumentos que têm pesado cada vez mais no orçamento do povo brasileiro. A JCA tem se feito presente nesses atos, e orienta toda a militância a ir para as ruas!

As manifestações têm refletido o nível de insatisfação da população com as políticas de Estado voltadas ao grande capital em detrimento dos anseios dos trabalhadores. Em algumas cidades, o povo nas ruas já transcende a questão imediata da passagem e exige um transporte coletivo de qualidade. E no encalço das manifestações, surge também a reação repressiva do Estado representada pelo braço armado da polícia, preocupada em manter a ordem burguesa sob o pretexto da preservação do patrimônio público e da garantia do direito de ir e vir. Esquecem que o povo está nas ruas justamente pelo fato de que o seu direito de ir e vir ser constantemente cerceado pelo preço abusivo das tarifas e pela política irracional dos governos de incentivo aos monopólios do automóvel, o que tem levado as grandes cidades ao colapso do trânsito e da mobilidade urbana.

O modelo de transporte coletivo na sua configuração atual representa a mais perversa forma de prestação de um serviço público, essencial às necessidades da população, que ocorre sob a forma de concessão. Além de experimentar a péssima qualidade, com baixa frequência de horários, veículos desconfortáveis e superlotação nas horas de pico, trabalhadores e estudantes acabam pagando cada vez mais caro.

Este modelo está umbilicalmente ligado ao modelo econômico capitalista que vê o trabalhador apenas como portador de força de trabalho capaz de produzir bens e serviços, como mais uma mercadoria. O transporte urbano é visto apenas como um meio de levar o trabalhador ao seu posto de trabalho para que produza e garanta o lucro ao seu empregador. O direito ao lazer, à cultura, à educação e, em última análise, o direito à cidade é negado ao trabalhador, pois a escassez de horários e o custo da tarifa lhe são proibitivos.

Diante deste cenário, nós, comunistas, colocamo-nos ao lado daqueles que estão nas ruas lutando por uma cidade e uma sociedade sem catracas, que permita a todos acessar e ocupar as diversas potencialidades que a cidade oferece. A JCA defende a redução imediata das tarifas, o fim da repressão do Estado às manifestações populares legítimas e o projeto estratégico de um transporte público com tarifa zero. Defendemos, assim, a municipalização do transporte coletivo com vistas à criação de empresas públicas de transportes com controle social. A manutenção desse sistema deve ser feita pelo poder público visando à gratuidade, com custeio feito pela taxação da propriedade de grandes imóveis e empresas.

Na medida em que as manifestações se espalham pelo país, muitas delas de forma espontânea são motivadas pelo anseio generalizado de transformação social. Assim se fortalece um movimento amplo e massivo, com muitas pautas justas, porém ainda difusas e desorganizadas, que devem ser ligadas a uma estratégia comum, um projeto de sociedade alternativo ao atual. A luta contra a corrupção e a corja de políticos parasitários, os gastos abusivos com a Copa, a violência policial, entre outras, devem ir à verdadeira raiz do problema. A abolição de todos os males desse país só pode acontecer com a abolição deste modo de produção predatório, destrutivo e desumano que é o capitalismo. As lutas que estão sendo travadas estão tendo vitórias em vários locais, como vimos no caso de Porto Alegre. Mas em longo prazo, só serão vitoriosas se estiverem ligadas a uma estratégia revolucionária socialista, de derrubada e dissolução do Estado burguês e construção de um Estado verdadeiramente democrático, ancorado e construído através do poder dos trabalhadores e do povo. Por isso, chamamos a todos e todas para ir às ruas nesse momento, a fortalecer as manifestações em suas cidades, mas também mobilizar-se permanentemente na luta revolucionária pelo socialismo.

Todos às ruas!

Contra a repressão e a criminalização do movimento!

Pelo direito ao transporte público e de qualidade!

Pelo direito à cidade!

Pelo socialismo!