A onda de levantes populares e juvenis pelo mundo e o papel da juventude comunista | Juventude Comunista Avançando

terça-feira, 24 de setembro de 2013

A onda de levantes populares e juvenis pelo mundo e o papel da juventude comunista

O momento em que se encontram os países e os povos do mundo é historicamente marcante. A situação internacional que vivem as classes trabalhadoras e os povos de todo o mundo demanda seriedade, maturidade e paciência histórica, não somente para a correta análise da realidade como fundamentalmente para a necessária intervenção sobre ela. 

Vivemos o período histórico de crise estrutural do sistema do capital, em que a alternativa apresentada pelo sistema é salvar os galhos podres do capitalismo, retirando direitos dos trabalhadores e do povo através da crescente privatização dos serviços públicos, da destinação de recursos públicos para salvar grandes corporações, empresas e bancos, em suma, de usurpar as classes trabalhadoras em favor do capital. Essa alternativa tem significado miséria, fome, desemprego e morte para os povos do mundo. Para ilustrar a consequência da crise olhemos para a Europa, o principal centro da crise nos últimos 2 anos, segundo pesquisas de órgãos como a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), a tendência do desemprego tende a subir ainda mais, com índices que apontam uma margem de 30% em países como Espanha e Grécia (http://pt.euronews.com/2013/07/16/ocde-preve-subida-do-desemprego-em-portugal-para-2014/). A dívida pública da zona do euro corresponde a mais de 90% do PIB dos 17 países que a compõem. Está claro que a crise que ora atinge a Europa não é distinta daquela que atingiu os Estados Unidos em 2008 e a tendência é atingir todos os países do globo.

Abre-se, nesse contexto de crise, possibilidades de transformação, colocando em cheque a viabilidade e vitalidade do capitalismo. As revoltas populares que atingem distintos países são fruto disso e estão exigindo respostas e, mais do que isso, resoluções para os problemas sociais. Em 2011 entra em cena a chamada “Primavera Árabe”: revoltas populares que tinham como pano de fundo a situação vivida pelo povo que reivindicavam maiores direitos, democracia e justiça social. Neste mesmo ano um acampamento iniciado em Nova Iorque para protestar contra a dominação das grandes corporações financeiras também gerou um grande movimento onde o pano de fundo tornou-se as condições de vida da maior parte da população estadunidense. Também na Europa (Portugal, Espanha, Grécia) as ruas foram palcos de grandes manifestações contra as retiradas dos direitos do povo e das classes trabalhadoras ao longo dos anos de 2011, 2012. O ano de 2013 está se caracterizando pela mobilização em outros países como o Brasil, além de terem sido retomadas lutas no Oriente Médio. É importante analisar o significado dessas mobilizações a curto, médio e longo prazo e compreender seus limites e debilidades.

A ampla maioria das reivindicações apresentam pontos em comum, tais como a forma de convocação através da espontaneidade, tendo como recurso as redes sociais e massiva presença dos jovens, além da pauta de reivindicações ligadas à insatisfação da população pelas respostas apresentadas pelo Estado, seja na destinação de recursos públicos para salvar grandes corporações dos efeitos da crise, cortando assim os gastos com os direitos sociais básicos, seja com a autoridade com que governam os países em nome do capital. 

As revoltas populares são legítimas e fundamentais. Reivindicar uma sociedade melhor, mais justa, igualitária e verdadeiramente democrática é um passo fundamental de contestação. No entanto, é imprescindível que essa contestação seja direcionada e tenha objetivos claros, horizonte para o qual se dirige. O que distancia essas reivindicações e revoltas da verdadeira transformação é a necessária capacidade de construir bandeiras de luta táticas e horizonte estratégico que culminem com a transformação estrutural da sociedade capitalista tendo em vista a revolução socialista. Nesse sentido, torna-se fundante a atuação das organizações revolucionárias com clareza do momento histórico em que vivemos formando um bloco de forças capaz de combater o inimigo e de trazer alternativas palpáveis aos problemas vividos. Os jovens têm também papel transformador dessa realidade e sua organização é crucial, tornando a capacidade de indignação uma força social capaz de rumar junto aos trabalhadores à revolução socialista.

Publicado originalmente no JA no. XI