Intervenções militares dos EUA nos últimos 30 anos | Juventude Comunista Avançando

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Intervenções militares dos EUA nos últimos 30 anos

AFP / Kevin Lamarque

A possível intervenção militar na Síria é um método de ação habitual dos EUA. Os exemplos dos últimos 30 anos mostram que o país, na maioria dos casos, costuma empreender seus ataques sem a sanção da ONU.

O site russo vestifinance.ru compilou uma lista de intervenções militares lançadas pelos EUA nos últimos 30 anos. 


Granada, 1983 
Intervenção unilateral dos EUA 


Depois do golpe militar de 1979, em Granada, o movimento New Jewel chegou ao poder. Em Outubro de 1983, sob o pretexto de proteger os estudantes de medicina estadunidenses, bem como de responder aos apelos de uma série de países da Organização dos Estados Americanos - Antígua e Barbuda, Dominica, Santa Lúcia, São Vicente e Granadinas -, o então presidente dos EUA, Ronald Reagan, ordenou a invasão. À intervenção militar dos EUA contra Granada se deu o nome de “Fúria Urgente”.

AFP


Panamá, 1989 
Intervenção unilateral dos EUA

Em meados dos anos 80, EUA e Panamá entraram em conflito sobre os termos da transferência do controle do Canal do Panamá. Quando as autoridades do Panamá começaram a levar a cabo uma política externa independente dos Estados Unidos e a fortalecer os seus vínculos com os países da América Central e do Sul, os EUA começaram a exercer uma forte pressão diplomática, econômica e de informação. Após sanções econômicas fracassadas trataram de impulsionar um golpe de Estado. Em dezembro de 1989, o presidente George Bush ordenou a Operação militar “Causa Justa” contra o Panamá. 

AFP


Iraque 1991, 
Intervenção dos EUA, e de uma série de países com a sanção da ONU

A razão da intervenção foi o ataque do Iraque contra o Kuwait. Em julho de 1990, Saddam Hussein acusou o Kuwait de levar a cabo uma guerra econômica contra o Iraque pela desvalorização dos preços no mercado mundial, bem como a produção ilegal de petróleo no lado iraquiano do campo de Rumaila, que se encontra na fronteira. Ao Iraque foram impostas sanções, foi convocado o Conselho de Segurança da ONU e se formou uma coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos. Daí se realizou a “Operação Escudo do Deserto” para concentrar as forças da coalizão na região. Em janeiro de 1991, EUA e seus aliados lançaram a “Operação Tempestade no Deserto” para libertar o Kuwait.

AFP Manoocher Deghati


Somália, 1993 
Intervenção dos EUA, e de uma série de países com a sanção da ONU

Em princípios dos anos 90, Somália foi palco de uma caótica guerra civil e de uma catástrofe humanitária. Em Dezembro de 1992, como parte da “Operação Restaurar a Esperança”, foram enviadas ao país forças de paz da ONU. A operação começou com o desembarque das unidades do Corpo de Marines dos Estados Unidos na capital Mogadíscio. Em1993 se iniciou a nova “Operação Continuação da Esperança”. Como parte desta operação, os EUA tentaram sem sucesso capturar Mohamed Farrah Aidid, um dos líderes dos grupos armados locais que aspirava tomar o poder no país.

AFP Joel Robine


Iugoslávia, 1995
Operação da OTAN, sem a sanção da ONU 

A primeira operação militar em grande escala na história da OTAN representou uma violação dos princípios do direito internacional. O Conselho de Segurança da ONU não aceitou uma resolução que havia autorizado o uso da força por parte da OTAN. Como parte da guerra da Bósnia, que começou em 1992, os Estados Unidos e seus aliados da OTAN adotaram uma posição anti-sérvia e apoiaram abertamente os muçulmanos bósnios. Em 1995, se levou a cabo a “Operação Força Deliberada”. Os sérvios da Bósnia foram submetidos a bombardeios aéreos por aviões da OTAN.

AFP


Afeganistão e Sudão, 1998 
Ataque militar unilateral dos EUA 

Em 1998, na Tanzânia e no Quênia foram cometidos atos de terrorismo contra as embaixadas dos EUA. Em resposta, EUA lançou a “Operação Alcance Infinito”. Eles conduziram um ataque com mísseis de cruzeiro contra os campos de treinamento de milicianos da Al Qaeda no Afeganistão. Também lançaram mísseis contra uma fábrica farmacêutica no Sudão que, segundo as autoridades estadunidenses, havia sido utilizada para produzir armas químicas. 

wikimapia.org


Iugoslávia, 1999 
A intervenção da OTAN sem sanções da ONU 

A razão para a intervenção da OTAN liderada pelos Estados Unidos contra a Iugoslávia foi a guerra do Kosovo, que começou em 1996. Sob o pretexto de denúncias de limpeza étnica e crimes de lesa humanidade, assim como o descumprimento dos requisitos sobre a "retirada das tropas sérvias da região sérvia autônoma de Kosovo e Metohija", em março de 1999 começou a “Operação Força Aliada”. Como no golpe contra as forças sérvias em 1995, a operação se apresentou como uma "intervenção humanitária". A capital da Iugoslávia, Belgrado, e outras cidades do país foram atacadas com foguetes e bombas.

AFP SERBIAN TV


Afeganistão, 2001 – até hoje 
Intervenção da OTAN, sem a sanção da ONU

Depois dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, o presidente George W. Bush exigiu que o movimento Talibã extraditasse Osama Bin Laden. Os Talibãs se negaram a fazer, igual que em 1998, após os ataques terroristas na Tanzânia e no Quênia, então as autoridades estadunidenses puseram em marcha a “Operação Justiça Infinita” que logo passou a chamar-se “Liberdade Duradoura”. Em outubro de 2001 começaram os ataques com foguetes e bombardeios por parte do Talibã. As sanções da ONU sobre a introdução das tropas - Força Internacional de Assistência para Segurança -, foram impostas após o início da operação. As forças terrestres estadunidenses se encontram em processo de retirada do Afeganistão.

AFP Shah Marai


Iraque, 2003 
Intervenção dos EUA e de alguns aliados sem autorização da ONU

As autoridades dos EUA forneceram provas falsas para tentar convencer o mundo de que o Iraque desenvolvia armas de destruição em massa. A votação do projeto de resolução proposto pelos EUA não ocorreu depois que os representantes da Rússia, China e França anunciaram que vetariam qualquer resolução que contivesse um ultimato com possibilidade de uso da força contra o Iraque. Em março de 2003 se colocou em marcha a “Operação Liberdade do Iraque”. Em princípios de maio, o presidente George W. Bush anunciou a conclusão da fase ativa das hostilidades. Em 2011, se retiraram os últimos soldados estadunidenses.

AFP Rabih Moghrabi


Paquistão, Iêmen, Somália, 2002 - até hoje 
Ataques com aviões não tripulados sem autorização da ONU 

O uso de drones tem se convertido em parte integrante da estratégia de guerra dos EUA contra grupos terroristas. Desde 2002 várias modificações de aviões não tripulados atacaram os territórios do Iêmen, Paquistão e Somália. A intensidade dos ataques desde 2008, ano em que o presidente Barack Obama chegou ao poder, dobrou em comparação com a etapa inicial de utilização de aviões não tripulados. Funcionários da ONU têm criticado reiteradamente as ações dos EUA afirmando que Washington segue ignorando os riscos que esses ataques representam para a população civil. 

AFP John Moore


Líbia, 2011 
Intervenção da OTAN com a sanção da ONU

Em fevereiro de 2011, na Líbia, eclodiu o conflito armado entre as forças do governo liderado por Muammar Kadhafi e os grupos de oposição. Citando o uso de aeronaves para a repressão dos protestos pacíficos, algo que não foi comprovado, o Conselho de Segurança da ONU aprovou uma resolução para impor sanções contra o governo oficial da Líbia. Em virtude de uma nova resolução, aprovada em março, nos céus da Líbia se estabeleceu uma zona de exclusão aérea. Os países da OTAN lançaram bombardeios contra as forças e instalações governamentais do país. Oficialmente a guerra terminou com a morte de Kadhafi nas mãos de uma turba enfurecida em outubro de 2011.



Fonte: http://actualidad.rt.com/actualidad/view/104410-intervenciones-militares-eeuu-ultimos-anos

Tradução: JCA