Nota de apoio da Juventude Comunista Avançando à CHAPA 3 – “Independência pra lutar, coragem pra mudar” para o DCE da UFG | Juventude Comunista Avançando

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Nota de apoio da Juventude Comunista Avançando à CHAPA 3 – “Independência pra lutar, coragem pra mudar” para o DCE da UFG

Os problemas que atualmente atingem a universidade no Brasil têm de ser entendido num contexto maior de crise que atinge estruturalmente tanto a sociedade em geral quanto o próprio Estado brasileiro. A crise da universidade brasileira enquanto instituição, com repercussão direta no ensino, tem suas raízes não apenas em problemas internos e organizacionais, mas, sobretudo, em fatores de fundo político, econômico e social que de resto marcam toda a vida institucional brasileira. Trata-se, portanto, de uma crise estrutural, cujos efeitos se projetam no tempo, como se ela fosse uma crise permanente.

Há um evidente descompasso entre a universidade e a realidade social brasileira. De um lado porque a universidade não tem assumindo o seu papel de agente estratégico do desenvolvimento nacional autônomo; de outro, porque também não tem contribuído para a crítica a cerca dos modelos de desenvolvimento até hoje implementados de forma autoritária no país. Portanto, a universidade brasileira tem permanecido à margem desses processos sociais, políticos e econômicos, como se ela fosse uma entidade com objetivos internos e voltados para si própria, completamente alheia às necessidades e reclamos da população. O seu papel tem sido mesmo, como destacou Darcy Ribeiro, ou em manutenção da ordem vigente, ou de agência de uma “modernização reflexa”, que reflete projetos externos, muitas vezes contrários aos interesses da população brasileira.

Na Universidade Federal de Goiás, infelizmente, a realidade não tem sido outra. Nossa Universidade também tem sofrido as consequências do atual modelo precarizante e mercantilizador imposto pelo Governo Federal. O REUNI propagandeando ser a maior expansão do ensino superior público aumentou de fato o número de vagas na universidade, contudo não veio com a necessária ampliação de recursos e a necessária contratação de técnicos e professores. Não ampliou os direitos estudantis e vem precarizando significativamente essas instituições, através da superlotação das salas de aulas e a desvalorização do trabalho dos docentes.

Como reflexo, ano passado tivemos uma das maiores greves nas Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) dos últimos tempos. Contudo, enquanto a base lutava por melhorias na educação, tanto os sindicatos quanto as entidades estudantis tentavam o tempo todo deslegitimar e dar fim a greve. Episódios lamentáveis como a Assembleia da ADUFG que houve até agressões físicas por parte dos defensores do Governo marcaram a tomada da frente de luta pelas bases.

Enquanto o DCE tentava barrar a greve estudantil, os estudantes se uniram e iniciaram a greve antes mesmo dos professores, exigindo melhorias no ensino, na pesquisa e na extensão e várias outras pautas estratégicas, como por exemplo, contra a EBSERH que pretende a privatização dos hospitais universitários.

A JCA sempre defendeu um Movimento Estudantil autônomo, construído “de baixo pra cima”, desde a base. Contudo, a atual gestão do DCE tem se preocupado bem mais em defender as pautas e bandeiras dos seus partidos do que as reais necessidades do Movimento Estudantil. Exemplo disso foi atuação do DCE durante a greve. Postura esta que inclusive levou os militantes da JCA a romperem com a gestão que outrora chegaram a fazer a parte pela necessidade dos estudantes do campus da Cidade de Goiás terem voz na entidade geral. Durante a greve a JCA não só fez parte do Comando Geral de Greve como também tocou a luta real do ME, participando inclusive da ocupação na Faculdade de Direito em Goiânia.

Na contramão do movimento, a gestão do PT/PCdoB, participava da greve mas sempre sem fazer as críticas necessárias e reivindicadas pelos estudantes do atual modelo de ensino e das medidas precarizante do Governo Federal.

Além da postura durante a greve, pouquíssimas foram as atuações e intervenções do DCE nos Campi do interior. Nos últimos anos, as últimas gestões tem visto o interior como um verdadeiro “curral eleitoral”. Durante as eleições vêm cheios de vontade, ideias e propostas para nosso campus, contudo passadas as eleições, as promessas ficaram apenas no papel ou nas palavras ditas.

Durante a greve, várias entidades estudantis, organizações políticas, grupos estudantis organizados e estudantes independentes, se propuseram a fazer um debate sério sobre a atual situação da Universidade, do Movimento Estudantil e sobretudo da nossa sociedade. Dentre estes estudantes e organizações que efetivamente construíram a greve, estavam os que hoje compõem a CHAPA 3 - “INDEPENDÊNCIA PRA LUTAR, CORAGEM PRA MUDAR”

Por isto, por entender a necessidade de construirmos um DCE autônomo, independente, democrático, crítico e que construa um programa de gestão não apenas a partir das bandeiras de partidos, mas das bandeiras reais de luta do Movimento Estudantil, dos Movimentos Sociais e do povo brasileiro, é que a JCA vem demonstrar o seu apoio a CHAPA 3. Uma chapa que demonstra o compromisso de se pensar criticamente o papel da universidade na sociedade, partindo sempre da nossa realidade concreta, bem como os problemas gerados pelo atual modelo de Universidade imposto pelo Governo Federal e defendido pelos grupos políticos ligados aos partidos que não só defendem este governo, mas também se negam a criticá-lo.

Assim, nos propomos a contribuir na construção de uma gestão combativa, construída pela base de forma democrática, atendendo as reais demandas tanto do Movimento Estudantil como da Movimento Universitário como um todo. Um DCE combativo dentro da Universidade e fora dela, que também dialogue com os Movimentos Sociais que tanto contribuem para a transformação da nossa soicedade.

Contudo, propomos ainda o debate estratégico sobre o projeto de Universidade Popular como a alternativa a este atual modelo. Uma universidade crítica, criadora, democrática e de qualidade. Uma gestão de DCE deve se propor a lutar por esse projeto, para não só alcançar avanços por dentro da atual estrutura universitária, mas para romper com ela, construir uma universidade inteiramente nova, educacionalmente crítica à atual sociedade, criadora de ciência e tecnologia para as reais necessidades do povo brasileiro e aberta a ele, para que seja também sujeito desse processo de transformação.

Juventude Comunista Avançando
Estado de Goiás
Setembro de 2013