A Luta Espontânea e a Organização Revolucionária | Juventude Comunista Avançando

terça-feira, 1 de outubro de 2013

A Luta Espontânea e a Organização Revolucionária

Nos meses de maio e junho de 2013 explodiu um forte movimento espontâneo no Brasil, confundido este por algumas organizações de esquerda como limiar do surgimento de uma "primavera brasileira" ou propagandeada pela mídia nativa como o "gigante que acordou". O foco do texto que se segue não é diretamente a análise do porque dessas confusões, mas centraliza-se em dar a base marxista para o entendimento a respeito dos movimentos espontâneos e sua íntima relação com uma organização revolucionária.

Muitos se questionaram e ainda continuam se questionando, "como" um movimento que aglutinou milhões de pessoas nas ruas e que trazia esperança de uma suposta primavera brasileira transformou-se em algo com pautas tão difusas?

A esperança na primavera brasileira e a confusão do que ela se tornou, está na falta de entendimento do que é um movimento espontâneo. Lênin nos aponta que "...no fundo o elemento espontâneo não é mais do que a forma embrionária do consciente" (Lênin, 2010), sendo, portanto, apenas um embrião de algo a se tornar consciente, e como todo embrião, o mesmo estará sujeito a muitas intempéries até chegar a sua maturidade.

Diz Lenin: "Por que - perguntará o leitor - o movimento espontâneo, o movimento pela linha de menor resistência, conduz precisamente a supremacia da ideologia burguesa? Pela simples razão de que a ideologia burguesa é muito mais antiga pela sua origem do que a ideologia socialista, porque é mais completa a sua elaboração e porque possui meios de difusão incomparavelmente mais numerosos" (idem).

O excerto acima demonstra a razão primordial da subversão e difusão das pautas, portanto não há ainda hoje meios de contradifusão eficientes que consigam dar direção ao movimento espontâneo, no entanto isto não nos exime da autocrítica, não nos exime de aproveitar a experiência do movimento para fortalecer o movimento de esquerda, ou seja, "... deve-se aproveitar a experiência do movimento e dela tirar lições práticas, buscando compreender por completo as causas e o significado de um ou outro problema" (ibidem).

Devido as questões apresentadas, surge a questão "O que Fazer?" diante destes breves lampejos de consciência? 

"(eu afirmo)... que quanto maior for a massa espontaneamente integrada à luta, massa que constitui a base do movimento e nele participa, mais imperiosa será a necessidade de se ter tal organização, e mais sólida ela deverá ser (uma vez que será fácil para os demagogos arrastar as camadas atrasadas das massas)" (ibidem).

Apenas a organização revolucionária dos trabalhadores tem a capacidade de direcionar o espontaneísmo das massas para o socialismo, apenas através de tal direcionamento pode-se impedir o retrocesso e os desvios à direita. Enquanto tal organização não estiver devidamente consolidada e internalizada pelos que lutam, deve-se aproveitar a experiência dos movimentos espontâneos para capitalizar ao máximo a elevação da consciência, aglutinando cada vez mais àqueles que lutam por uma alternativa a atual ordem sociometabólica do capital.

Logo, diante dessa realidade fica claro que a formação de quadros revolucionários e a difusão das denúncias sobre as contraditórias relações de produção que evidenciam o caráter de exclusivismo burguês é o desafio urgente em nossa conjuntura. 

(Lênin, 2010. O que Fazer? Problemas Candentes do nosso movimento, Editora: Expressão Popular)

Sugestão de Leitura: O Que Fazer? Problemas Candentes do nosso movimento, de Lênin, para se entender a complexa relação recíproca do movimento espontâneo das massas e a necessária organização revolucionária, e 18 de Brumário de Luís Bonaparte, de Karl Marx, onde há uma análise das diversas classes e estratos de classe em um momento revolucionário na França de 1848.

Publicado originalmente no JA no. XI