CFH-UFSC diz não às empresas juniores | Juventude Comunista Avançando

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

CFH-UFSC diz não às empresas juniores

O Centro de Filosofia e ciências humanas da UFSC (CFH) dá mais um exemplo de democracia ao debater de forma ampla e participativa a pertinência pedagógica das Empresas Juniores em suas dependências físicas e institucionais.


No inicio da noite de quarta-feira, dia 13 de novembro de 2013 o CFH em assembleia geral, convocada por seu Conselho de Unidade em audiência no ultimo dia 24 de setembro, deliberou pela não criação de Empresas Juniores em suas dependências. A votação contou com 160 votos favoráveis e 329 votos contrários a implantação das referidas empresas.


A exemplo das eleições para direção de centro, a referida assembléia ocorreu com participação universal dos setores que compõe sua comunidade, de modo que cada individuo professor, técnico ou estudante tiveram o mesmo peso em seu voto, sem a setorização das categorias.

A Juventude Comunista Avançando (JCA), juntamente com outras organizações políticas, Centros Acadêmicos do CFH e um grande número de independentes, articulados e de forma coletiva construíram o Movimento contra Empresas Juniores no CFH. Este movimento organizou diversos debates acerca do tema, trazendo a discussão de concepção de universidade e de políticas públicas necessárias para educação brasileira. Nesse período foi grande a produção de materiais informativos buscando politizar a pauta e instrumentalizar a comunidade do CFH para tomar uma decisão adequada à realidade da universidade pública. Este movimento cumpriu o papel fundamental de aprofundar o debate (mesmo com o movimento pró-Empresa Junior esquivando-se das discussões) sobre as crescentes formas de privatização da universidade pública brasileira, que acontece cada vez mais de forma velada, seja através das “fundações de apoio”, da implantação da EBSERH ou das empresas juniores, que utilizam a estrutura da universidade pública para prestar serviços à empresas privadas, frequentemente sem transparência e através de trabalho precarizado.

Essa vitória vem para contribui para uma discussão séria e profunda a respeito do que é, e sempre foi, a produção de conhecimento na universidade pública brasileira, buscando apontar alternativas populares para a produção de conhecimento e extensão universitária. A posição contrária à implantação das empresas juniores no CFH esteve sempre acompanhada do debate da extensão universitária, que deve ser desenvolvida no intuito de sanar os inúmeros problemas sociais brasileiros. Neste contexto a criação de 'serviços modelo'/'escritórios modelo', que não reproduzam a estrutura hierárquica empresarial, e que estejam vinculados a setores da sociedade que não têm acesso ao conhecimento científico é essencial, articulando a transformação da universidade em prol do povo com o acúmulo de forças necessário para uma profunda transformação social.

Dessa forma a Juventude Comunista Avançando reafirma a importância da experiência democrática do CFH e saúda a todos aqueles envolvidos nesta importante vitória. Reafirmamos também nosso compromisso com a universidade pública, seguindo na luta pela construção por uma Universidade Crítica, Criadora e Popular.