Inspirados por Alfonso Cano, crescem nossas esperanças de paz | Juventude Comunista Avançando

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Inspirados por Alfonso Cano, crescem nossas esperanças de paz

“Persistiremos em nossos esforços por alcançar a paz democrática pelas vias civilizadas do diálogo, tal como o fizemos desde há 44 anos, porque é nossa concepção revolucionária, porque assim são nossos princípios”.
Comandante Alfonso Cano.

Dois anos atrás, a 4 de novembro de 2011, entre o bosque escasseado pelos estampidos das bombas, a metralha e o opressivo cheiro de pólvora, aos montes, sem risco no combate, arrancaram violentamente da comunidade da resistência latino-americana o comandante Alfonso Cano, o irmão maior, o comandante geral da confraternidade revolucionária fariana.

Todas as emoções se disparam nesta data no conjunto da militância guerrilheira, miliciana, do partido e na imensa massa de simpatizantes que acompanha nosso sonho pela paz. Imensa é a ausência de quem não está hoje presente, ajudando a modelar certezas. Porém, também é imensa em toda a coletividade fariana a responsabilidade de fazer realidade seu legado de justiça social, de amor pelos pobres e desamparados, e de combate contra a desigualdade e os privilégios dos opressores. Formidável é nossa convicção de manter firme o leme sobre o rumo da paz, para que esta possa pousar-se plena nos lares de todos os colombianos, como ele o corroborou até o último fôlego.

Para falar de Alfonso Cano, esse excelso comandante guerrilheiro do altiplano colombiano, há que retrair as lutas históricas de todos os oprimidos na construção de modelos de governos libertadores e independentes; tecer os fios das lutas sociais, juvenis, estudantis, operárias e campesinas; relembrar a dor e a raiva dos encarcerados e perseguidos; situar-se no cenário das lutas de mulheres, indígenas e negritudes; Há que reabastecer-se de utopias, de literatura, de cinema, de arte, de história, de equilíbrio meio ambiental, de sacrifícios pela coletividade, de muito amor pelos seres humanos. Porque sua vida e suas emoções, desde muito jovem, estiveram agarradas aos anseios dos pobres por melhorar suas condições de existência, consagradas a pesquisar e multiplicar a palavra e ação dos subjugados de Nossa América e do planeta, a despertar resistências, a nutrir o pensamento crítico e emancipatório da humanidade, a articular a sólida argumentação teórica e prática que a nação requer para apropriar-se de seu destino e enterrar a opressão.

Para os capitalistas e seus porta-vozes jurídicos e midiáticos, que reclamam diariamente obediência ante o insaciável modelo de exploração, Alfonso, esse fogo estrondoso da rebeldia continental, foi um mau exemplo. Ele perturbava a tranquilidade de seus privilégios. Por isso, toda a força do terror midiático e militar dos opressores nacionais e transnacionais caiu sobre sua humanidade para assassiná-lo. E, depois de assassinado, vomitaram infâmias sobre seu corpo inerte.

Perdemos um magnífico líder, porém com ele crescemos e seguimos crescendo, ampliando e estreitando laços com as imensas massas de colombianos que lutam por uma paz justa e verdadeira, por melhores condições de vida, por melhores salários. Que se mobilizam contra as máfias enriquecidas à custa da deterioração da saúde dos colombianos e suas necessidades de moradia; que se manifestam multitudinárias pelo direito à educação, pelo direito à terra para o campesino que a trabalha. Contra a judicialização e criminalização do protesto social; contra a privatização da educação, dos serviços públicos e a entrega do território e dos recursos naturais a corporações multinacionais, a monopólios nacionais e a latifundiários nativos.
O povo da Colômbia, em toda a amplitude de sua geografia humana, avança mobilizado contra a injustiça econômica e social incrementada pelo governo neoliberal de Juan Manuel Santos. E, por cima da fascistização de todos os espaços da sociedade, também a insurgência se agarra ao terreno da ação política e militar, confirmando, uma vez mais, com seu acionar e presença ativa na mesa de conversações em Havana, que a paz é a única fórmula válida para resolver um conflito que vai cumprir meio século no próximo ano.

A paz que se constrói desde Havana tem avivado o apoio nacional, um crescente número de iniciativas acompanha o clamor pela concretização de acordos que afiancem a reconciliação. Todas estas iniciativas, as temos recolhido e integrado à nossa visão de paz, porque vêm do povo e seus anseios. Por isso, saudamos as propostas apresentadas pelo Doutor Álvaro Leyva Duran e a Doutora Clara López, em representação do Polo Democrático, porque tudo o que contribui a avançar para a paz e contra a guerra é substancial para a conquista da reconciliação. Oxalá o governo tenha a capacidade de interpretá-lo com sentimento pátrio e não meramente reeleitoreiro.

E aos que se esforçam pela manutenção e pelo aprofundamento da guerra graças à qual prosperam, aos que exigem maior impunidade para proteger as atrocidades cometidas por militares e policiais e se esganiçam contra a inconstitucionalidade da reforma ao foro militar, os convidamos que se manifestem diariamente para que a barbárie termine, a que ponham atenção ao sentir de oficiais de baixo escalão, suboficiais e soldados, que nas zonas de operação expressam o cansaço pela guerra e suas atrocidades, e evitam o combate esperançados num cessar total da guerra.

Aos que, desde posições transitórias de poder ministerial, uivam ameaças de aniquilamento à guerrilha, e anunciam novos contingentes de soldados para fazer a guerra; e aos que não creem que chegamos a Havana “porque é nossa concepção revolucionária, porque assim são nossos princípios”, como afirmou Alfonso, senão porque estávamos derrotados, lhes relembramos as palavras deste, em carta ao general Valencia Tovar: “Sustentar qualquer proposta na imagem que a propaganda oficial vende de umas FARC derrotadas, agoniadas de impúberes, sem apoio de massas, sem comunicações etc, não é sério. O general Valencia deve recordar como a mentirosa campanha midiática do governo dos Estados Unidos, por ocasião de sua agressão ao Vietnã, finalmente lhe recaiu contra”.

Na memória do comandante Alfonso Cano, nos crescemos de esperanças pela paz e em acompanhamento de colombianos que padecem as injustiças do regime. Nestes dois anos de ausência, nos inspirou sua clara mensagem: “os caminhos que conduzem ao incremento da luta popular em suas mais variadas formas e à conquista do poder nunca foram fáceis, nem em nosso país nem em nenhuma outra parte do mundo, nem agora nem antes. Só a profunda convicção na vitória, na justeza, validez e vigência de nossos princípios e objetivos e um monolítico esforço coletivo garantirão o triunfo. Aos reacionários que fazem contas alegres com as FARC, lhes informamos que a intensidade da confrontação nos tem fortalecido, estreitamos vínculos com as comunidades, suas organizações e as lutas populares, elevado a disciplina e o respeito pela população civil e incrementado nossa qualificação e aprendizagem. Têm caído guerrilheiros porque assim é a luta, porém também seu generoso sangue derramado é evidência de nosso total compromisso com o povo, outros camaradas já cobriram a trincheira e muitos mais continuam chegando às nossas fileiras, assim foram também a gesta de nossa independência e todos os processos libertadores da humanidade onde se desataram os demônios da guerra... Somos uma força revolucionária com suficiente história, solidez e consistência para superar o falecimento de nosso Comandante-Chefe, porque ele mesmo nos instrumentou e contribuiu no esforço coletivo de consolidação política e militar. O Secretariado, o Estado-Maior Central, os Estados-Maiores dos blocos e das frentes, os comandos de todo nível, os comandos e combatentes das FARC-EP garantiremos o triunfo”.

O legado do comandante Alfonso Cano sempre será estímulo para encontrar o fio mobilizador do país para as transformações que reclama. Seu exemplo na análise de cada conjuntura, sua convicção a toda prova, observando sempre o horizonte estratégico, e seu desprezo à ortodoxia nos obrigam a refletir sobre o método, o como poder mobilizar o compromisso do povo pelas mudanças que reclama este pútrido modelo em que agoniza a humanidade.

Memória eterna ao heroico comandante.