Finaliza o 18° Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes em Quito | Juventude Comunista Avançando

sábado, 14 de dezembro de 2013

Finaliza o 18° Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes em Quito


Conversando com os comunistas do Equador percebemos que a história desse país é marcada por instabilidade política. Foram muitos golpes de Estado e deposições de presidentes onde houve tanto a toma do Palácio por generais, quanto pelo movimento popular. Esses processos demonstraram o descontentamento e rebeldia do povo equatoriano, mas não foram capazes de construir uma alternativa mais além da rejeição ainda imatura ao modelo de desenvolvimento capitalista. O Processo autoproclamado como “Revolução Cidadã” é um novo momento no quadro político do Equador e o povo tem interesse renovado quanto aos rumos do país. Ao rejeitar a tentativa de golpe aplicada contra Correa, os equatorianos deram demonstrações de estar em outro nível de maturidade política. Em 2010, a burguesia subserviente ao imperialismo tentou aplicar um golpe a partir de uma greve da polícia que manteve o presidente sequestrado, ao mesmo tempo em que “convocava o povo a governar”. Mas diferente de outros momentos históricos o povo tomou as ruas para defender o processo em curso e o presidente eleito.

Entre as medidas mais marcantes do governo Correa estão o fechamento da Base Militar de Manta, controlada pelos EUA, a realização de plebiscitos e a reforma constitucional, medidas que fortalecem o espaço para organização e participação popular. Esse é um processo muito contraditório, tem forte influência de países como Venezuela e Bolívia, mas deve ser analisado a partir de sua própria dinâmica. O Partido Comunista do Equador (PCE) e sua juventude (JCE), que tiveram grande protagonismo na construção do XVIII FMJE, apoiam a Rafael Correa, sem participar do governo e mantendo suas críticas, e nos fornecem importantes aportes para conhecer mais de perto esse processo.

Os últimos dias do Festival

Hoje foi o último dia do 18° FMJE. As reuniões ao total foram mais de 2 dezenas. Na manhã do dia 10, quarta-feira, soubemos da triste notícia do assassinato de mais um camarada do Partido Comunista do México. Imediatamente fomos levar nossos sentimentos de solidariedade aos camaradas da Liga da Juventude Comunista, juventude do PCM, aos quais nos propusemos para auxiliar no que fosse possível. O paramilitarismo no México já tem feito diversas vítimas entre os lutadores sociais como suposta luta contra o “narcotráfico”, reforçando no país o que já ocorre há tempos na Colômbia, tudo com a conivência do Estado, demonstrando que as classes dominantes se organizam tanto dentro da institucionalidade burguesa como por fora dela.

Falamos em nossa nota do dia 9, que a Resolução Política mundial do Festival estava, desde o nosso ponto de vista, avançada. O mesmo não se pode falar da Resolução Regional da América Latina. A Resolução Regional foi aprovada sem contemplar os pontos de vista distintos, colocados em reunião anterior, o que acaba passando uma ideia pouco realista sobre o que passa em nosso continente. Por exemplo, o governo brasileiro foi apontado como “progressista e revolucionário”, junto com os demais governos mais avançados de nosso continente. Isso diverge de outros documentos da própria Federação em que a caracterização do Brasil é feita de forma distinta de países como Venezuela, Bolívia e Equador.

No dia 12, a JCA participou de um espaço deveras importante. Foi uma reunião convocada pela Juventude Comunista do Equador (JCE), com o objetivo de aglutinar as Juventudes Comunistas do mundo presentes no 18° FMJE. O entendimento comum é que a luta contra o imperialismo não pode ser separada da luta contra o próprio sistema capitalista. Também houve pleno acordo sobre a necessidade de se manter o caráter amplo e democrático da FMJD, o que não exclui a necessidade de articulação das JC´s no sentido de ser uma fração resoluta na luta contra o imperialismo e pela paz, que sabemos ser apenas plenamente possível na sociedade sem classes. A exitosa reunião contou com a presença de 18 JC´s de todo o mundo e aprovou uma saudação ao Festival como um primeiro passo na articulação conjunta dessas juventudes, o que se pretende que seja mais desenvolvido. Além disso, as JC´s presentes concordaram que seja feito um esforço para tornar a articulação da JC´s algo mais duradouro, que se passe a debater no interior de cada uma a possibilidade de que o próximo ano seja um ano para dar passos nesse sentido. A reunião também marcou sua solidariedade aos camaradas mexicanos. Outras formas mais simples de articulação imediata também foram encaminhadas.

Hoje, dia 13, foi o último dia. Além de poucas reuniões, participamos de um bonito ato em solidariedade aos camaradas mexicanos. Dele participaram muitas juventudes comunistas de todo o mundo.

Agora estamos nos preparando para a viagem. O 18 FMJE acabou. Saímos do Equador fortalecidos, pois também sai fortalecida a articulação internacional anti-imperialista e entre as Juventudes Comunistas. A JCA tem que fortalecer mais e mais suas relações internacionais, como uma trincheira inseparável da luta em nosso país, visto que o desenvolvimento desigual da luta de classes no mundo faz com que cada passo que se dê em um país seja um passo a mais na luta pela revolução socialista mundial.

Viva o 18° FMJE!
Viva a luta anti-imperialista!
Viva a unidade das Juventudes Comunistas!

Delegação da JCA ao 18° FMJE
Quito, 13 de Dezembro de 2013.