Contribuição da JCA para a Plenária de Grêmios da FENET | Juventude Comunista Avançando

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Contribuição da JCA para a Plenária de Grêmios da FENET

A grande maioria dos jovens brasileiros sente já nos primeiros anos de vida as consequências da luta de classes: no momento em que os pais chegam cansados em casa, não têm tempo, não têm dinheiro para o lazer, para a passagem de ônibus, etc. E mais da metade desses jovens ingressam no ensino secundário, enquanto a parcela que frequentará as universidades é bem diminuta. É justamente por isso que a organização política deve começar já na educação secundária, pois muitos desses estudantes vão ingressar diretamente no mercado de trabalho, muitas vezes trabalhos precarizados, que não exigem qualificação ou são informais, ou seja, trabalhos que explicitam ainda mais a luta a de classes.

Uma relação mais ligada ao mundo do trabalho acontece com o ensino técnico, que muitas vezes é secundário e profissionalizante ao mesmo tempo (curso técnico integrado ao ensino médio), e por se tratar de um espaço massivo de adestramento da força de trabalho é também um importante espaço de disputa ideológica e construção da consciência. Ou seja, a organização de estudantes do ensino médio, principalmente do técnico, é extremamente importante para a organização da classe trabalhadora.

No entanto temos cada vez mais dificuldades de organizar o movimento estudantil no ensino técnico, pois quase metade da rede desta modalidade de ensino é privada, parcela que vem aumentando desde a implantação do Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e ao Emprego), que injeta dinheiro público no “Sistema S” (SESI, SENAI, SENAC, etc), e mascara esse investimento público na educação privada com a dita “expansão da rede federal (IF’s)”; expansão que de fato acontece, mas de forma precarizada, sem infraestrutura nem contratação de novos professores. Portanto, instituições de ensino que são propícias para a organização estudantil (as públicas) estão cada vez mais precárias, tendo somente uma falsa expansão; enquanto instituições que não são abertas para a organização estudantil (“Sistema S”) estão cada vez mais inchadas pelo governo federal.

Além disso, a entidade nacional que deveria representar os estudantes secundaristas (inclusive do ensino técnico) – a UBES – atualmente perdeu completamente sua capacidade de mobilização política; sua direção majoritária é composta pelo PT e PCdoB, que através da entidade legitimam todo o processo de sucateamento da educação realizado pelo governo federal. É nesse contexto que a FENET (Federação Nacional dos Estudantes em Ensino Técnico) surge como uma opção para os estudantes do ensino técnico, como entidade que se propõe a fazer um diálogo com as bases, levantando bandeiras específicas do ensino técnico, como por exemplo: piso salarial do técnico compatível com 66% do salário do engenheiro de mesma área; implantação de creches e berçários nas instituições; oposição ao repasse de dinheiro público pro “Sistema S”; lutas nacionais pelo bandejão; maior frequência de concursos públicos para a contratação de professores; e a defesa do Pré-sal brasileiro frente aos leilões bilionários.

Portanto é extremamente importante a formação de grêmios estudantis nas instituições de ensino técnico, para lutar contra o sucateamento da educação, principalmente nessa modalidade; grêmios que componham a FENET, fortalecendo cada vez mais um movimento nacional que vá contra a corrente governista que o Movimento Estudantil tem vivido atualmente, e que tenha como horizonte político mudanças profundas na sociedade, com a compreensão de que a educação só será de fato para todos com o fim do sistema capitalista.