Nota de esclarecimento do Movimento por uma Universidade Popular de Santa Catarina – MUP/SC | Juventude Comunista Avançando

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Nota de esclarecimento do Movimento por uma Universidade Popular de Santa Catarina – MUP/SC

Construindo o GTNUP rumo ao II SENUP!

Florianópolis, fevereiro de 2014.

O Movimento por uma Universidade Popular de Santa Catarina nasceu em 2006, do acúmulo de experiências de grupos universitários e populares que desde a década de 90 já faziam a disputa da universidade, buscando debater um projeto que não se limitasse apenas a respostas imediatas aos problemas internos da educação, mas compreendendo que não é possível uma mudança de fundo sem uma luta conjunta pela própria transformação da sociedade.

Assim nasceu o movimento, de caráter amplo, aberto, não apenas estudantil ou do movimento universitário, mas que busca agregar outros setores da classe trabalhadora, por mais que seja essa tarefa uma das mais difíceis. Essa atuação se dá na construção das entidades de massa (CAs, DCEs, etc.), ocupações de reitoria, participando de movimentos populares, e fazendo atividades de formação e debate a respeito dos rumos da universidade e da educação como um todo. Seu projeto perpassa pela imperativa necessidade de uma estratégia global de universidade, identificada com a resposta às demandas históricas do povo brasileiro, em contraposição ao modelo de ensino imposto pela capital. Simultaneamente a essa ideia central estiveram presentes alguns princípios importantes para a construção do movimento, como a necessidade de expansão para fora da universidade bem como sua consolidação dentro dela, de massificação ampla e nacional e de representatividade que transcenda uma ou outra organização política.

Tendo essa orientação o MUP/SC foi um dos pioneiros na construção do exitoso Seminário Nacional de Universidade Popular – SENUP em 2011, onde participaram mais de 500 pessoas de vários estados do país. Compreendemos que o I SENUP representou um importante marco na trajetória da disputa do projeto da Universidade Brasileira, pois, dentro de seu contexto histórico, conseguiu dar visibilidade, articular e impulsionar a nível nacional a luta pela Universidade Popular. O SENUP foi capaz de articular tanto movimentos locais que já faziam a disputa da universidade, quanto agregar militantes distribuídos pelo país dispostos a se juntar a essa luta, dando, dessa forma, um caráter amplo e nacional a essa bandeira.

Foi nesse espaço de muito debate, pautado em consenso, que foi aprovada a carta de Porto Alegre – com a síntese de todos os espaços de discussão – e criado o Grupo de Trabalho Nacional por uma Universidade Popular – GTNUP, não com o objetivo de se fazer enquanto mais uma entidade, mas sendo uma instancia de formação, debate, e articulação dos GT’s locais, um instrumento importante para a construção do II SENUP. O GTNUP desde sua criação é um espaço onde todas as decisões são tomadas através de consenso, onde, independente de a pessoa pertencer ou não a alguma entidade ou organização política, pode propor encaminhamentos e orientações.

Recentemente a construção do movimento tem passado por uma intempérie: o rompimento unilateral por parte da UJC – União da Juventude Comunista (juventude do PCB), com o GTNUP, seguida de um chamado para o ENMUP – Encontro Nacional de Movimentos em luta pela Universidade Popular para a mesma data que estava prevista a realização do II SENUP desde a última reunião do GTNUP na Paraíba. De imediato essa ruptura semeou muita confusão, obrigando as entidades, grupos, organizações, assim como os Grupos de Trabalho e Movimentos locais que estavam alinhados com as posições do GTNUP, a discutirem o acontecido.

A partir do exposto acima o MUP/SC vem através desta nota esclarecer suas posições. Nos reunimos no dia 10 de fevereiro na ausência dos companheiros da UJC local, que não manifestaram desacordo com data, horário e local da reunião, como também propuseram ampliação de pauta no grupo do MUP/SC. Mesmo assim, não apareceram na reunião.

Sobre a argumentação exposta na carta de rompimento, de que o GTNUP estava engessado e com dificuldade em realizar reuniões, lembramos que a responsabilidade de realizar os chamados e sediar as reuniões no Rio de Janeiro e na Paraíba era justamente dos companheiros que romperam. Se a participação dos demais componentes estava comprometida é porque houve atrasos excessivos no lançamento das convocatórias por parte dos organizadores das reuniões, o que inviabilizou a garantia de transportes. De forma alguma o MUP/SC procurou “desmobilizar” a reunião, como insinuado.

As reuniões do GTNUP sempre se deram através do diálogo aberto e entendemos que todas as críticas e autocríticas, sugestões ou discordancias devem ser primeiramente expostas em reunião para uma possível solução, o que em nenhum momento foi feito com relação as críticas expostas na carta de rompimento da UJC. Sem diálogo não é possível se construir uma unidade. A necessidade da massificação e ampliação das lutas nacionalmente sempre foi consenso entre todos que compunham o GTNUP, se havia discordância a respeito do formato e da metodologia, isso deveria ter sido posto em pauta. Se existe consenso a respeito da estratégia e das táticas, não existe divergência sobre o formato da organização que não possa ser resolvida. O GTNUP é um espaço democrático, plural e fraterno.

Assim, viemos a público dizer, diante das razões expostas, que permanecemos alinhados às posições políticas do Grupo de Trabalho Nacional de Universidade Popular – GTNUP e construiremos o II SENUP, espaço UNITÁRIO de construção da luta pela Universidade Popular. A construção do ENMUP, Encontro Nacional de Movimentos que lutam por uma Universidade Popular nunca passou por nenhuma discussão ou reunião do MUP-SC, nem do GTNUP, de modo que seus integrantes – não pertencentes ao grupo que rompeu – sequer sabiam da sua existência antes de ser convocado. Considerando equivocada a forma com que está sendo organizado esse Encontro, o II SENUP será construído com diálogo visando a unidade de todos os que lutam por uma universidade popular, pois entendemos que somente dessa forma é possível seguir ganhando forças para um movimento nacionalizado.

Por fim, convidamos a todos a se somarem nessa tão necessária luta de transformação radical da universidade brasileira como um passo importante na construção de uma nova sociedade onde esteja abolida a exploração entre seres humanos.