Cartazes em Porto Alegre denunciam acordos com empresa bélica israelense | Juventude Comunista Avançando

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Cartazes em Porto Alegre denunciam acordos com empresa bélica israelense

Alexandre Haubrich

Parte de Porto Alegre amanheceu nesta sexta-feira (25) coberta de cartazes que denunciam a parceria do governo do Rio Grande do Sul e de universidades gaúchas com uma das empresas-símbolo do chamado “apartheid israelense”. Os cartazes foram afixados em postes, lixeiras e paradas de ônibus e trazem uma charge de Carlos Latuff e as frases “Pra que (m) serve teu conhecimento?”, “Desmilitarize o conhecimento” e “Não colabore com o apartheid israelense”.

Foto: Página Fora Elbit

No início de 2013, o governo do Estado do Rio Grande do Sul firmou um acordo com a AEL, filial da empresa isralense Elbit. O acordo envolve algumas das principais universidades gaúchas – UFRGS, PUC, Unisinos e UFSM -, que passam a receber recursos para trabalhar em um projeto conduzido pela Elbit e pelo governo, que visa a construção do polo aeroespacial gaúcho, o segundo do país. Já no fim de março de 2014, a Força Aérea Brasileira anunciou a compra de um veículo aéreo não tripulado da Elbit, para reforçar o aparato de segurança durante a Copa do Mundo. O custo foi de US$ 8 milhões.

Desde o primeiro acordo, firmado pelo governo do Rio Grande do Sul, movimentos sociais ligados à causa palestina têm se manifestado de forma indignada. Isso porque a Elbit é considerada uma das “empresas-símbolo” da ocupação israelense e do muro que foi construído por Israel para separar os palestinos. Em 2004, o Tribunal Internacional de Justiça considerou o muro uma violação do Direito Internacional. A Elbit é a principal empresa bélica israelense, fornece equipamentos de guerra ao governo de Israel e colaborou na construção do muro e do aparato de segurança no entorno dele.

Em 2013, após firmar o acordo, o governador Tarso Genro (PT) concedeu entrevista ao site Opera Mundi, na qual defendeu a decisão: “Nosso estado tem o dever de estabelecer relações com quaisquer empresas em função de seu projeto regional de desenvolvimento”, afirmou então. Naquele mesmo contexto, a Coordenação dos Movimentos Sociais do Brasil (CMS) condenou o acordo em nota oficial: “Elbit Systems é um símbolo para a ocupação e apartheid israelense, que vive de e abastece a guerra e sistemas de repressão e controle na Palestina e em todo o mundo. Ela produz os drones usados nos ataques contra Gaza e no Líbano e fornece equipamentos para os tanques Merkava israelenses. O Muro do Apartheid de Israel, que isola as comunidades palestinas em guetos murados, tem proporcionado uma enorme fonte de rendas para Elbit e alguns dos assentamentos israelenses ilegais são ‘segurados’ pela tecnologia Elbit”, diz a nota.