JCA presente na construção do Movimento Estudantil do Ensino Técnico | Juventude Comunista Avançando

quarta-feira, 30 de julho de 2014

JCA presente na construção do Movimento Estudantil do Ensino Técnico


Aconteceu nos dias 18 a 21 de abril de 2014 o III ENET (Encontro Nacional de Estudantes de Ensino Técnico) da FENET (Federação Nacional dos Estudantes de Ensino Técnico). O encontro aconteceu em Brasília, predominantemente no IFB, e contou com a presença de mais de 1500 estudantes secundaristas do ensino técnico de 25 estados do Brasil, além do DF.

A programação do evento foi fielmente cumprida, acontecendo em diversos momentos plenárias de grêmios para a discussão e decisão de qualquer questão importante que tocava o evento, além da realização de debates importantíssimos para os estudantes do ensino técnico brasileiro, tais como: expansão da rede técnica federal e a assistência estudantil; financiamento da educação e divida pública; democracia interna e participação estudantil; mercantilização da mulher; restrição da meia entrada; livre acesso à universidade e vestibular; a criminalização dos movimentos sociais; mercado de trabalho e o piso salarial técnico; as lutas da juventude no mundo; democratização de meios de comunicação, entre outros.

Encontros como o realizado são extremamente importantes para a juventude brasileira, principalmente aquela que faz um curso técnico, pois atualmente esta modalidade de ensino é uma ferramenta de controle ideológico da burguesia, de adestramento da força de trabalho, que tira da responsabilidade das empresas a formação de seus trabalhadores e foca seu ensino em questões meramente tecnicistas, sem se preocupar com uma educação que desenvolva todas as potencialidades do ser humano; portanto é necessário que haja espaços onde estes estudantes façam debates e reflitam sobre a sociedade em que vivemos e a quem serve esta educação, ainda mais quando se trata de futuros trabalhadores de chão de fábrica.

Tal evento também cumpre um papel fundamental no movimento estudantil brasileiro hoje, que nenhuma outra entidade nacional é capaz de fazer: o debate efetivo com participação massiva das bases. É um espaço extremamente importante para a formação política dos estudantes ali presentes, pois vemos hoje que a maioria das organizações políticas não tem grande inserção no movimento estudantil secundarista, e menos ainda quando se trata do ensino técnico, que é extremamente importante, pois a próxima leva de trabalhadores que teremos em nosso país está inserida nessa modalidade, já que uma parcela mínima de estudantes tem acesso à universidade. Além do mais percebemos a potencialidade do ME secundarista técnico, que justamente por sua proximidade com o mundo do trabalho tem reivindicações palpáveis e concretas muito mais explícitas que no movimento universitário, por exemplo.

Apesar da vitória que significa a realização de um encontro de tal porte é necessário que lutemos contra a expansão da rede técnica privada, que atualmente é maioria nesta modalidade (quase metade destes estudantes encontram-se em instituições privadas), e conta com financiamento do governo federal, que com projetos como o PRONATEC injeta no Sistema S (SESI, SENAI, SENAC, etc) uma quantidade abusiva de verba pública. Se nas instituições de ensino técnico público já percebemos a falta de uma educação que explore as potencialidades do ser humano como um todo, no setor privado é ainda pior, e a organização estudantil é ainda mais dificultada, um exemplo disso foi a participação exclusiva de estudantes instituições públicas no ENET.

Neste contexto percebemos que o fortalecimento da FENET é de suma importância para a criação de uma futura classe trabalhadora consciente, pois com somente três anos de vida já realizou o maior ENET da história e vêm trabalhando com projetos importantes em grêmios estudantis, inclusive aprovando em sua plenária final resoluções como a criação de projetos contra uma educação sexista no ensino técnico e a participação na luta por uma educação popular.

Publicado originalmente no JA no. XIII