As crises e o movimento comunista internacional | Juventude Comunista Avançando

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

As crises e o movimento comunista internacional

Os Anos 90 e a Crise do Socialismo
A Revolução de Outubro foi o primeiro grande golpe dado nas estruturas do capital. Isso se deu porque não foi simplesmente uma derrota local, isolada da burguesia. A Revolução Russa abalou as estruturas do capital influenciando metade da Europa e parte considerável da Ásia. Abriu caminho para ondas revolucionárias à China, à Coreia, ao Vietnã, Laos, Cuba e o Leste Europeu. 

Com o colapso da URSS através de uma contrarrevolução articulada pelo imperialismo por dentro e por fora do bloco socialista, grande parte dos processos socialistas, progressistas e democráticos ruíram junto, destruindo uma enorme gama de países que não se alinhavam ao imperialismo dos EUA. Assim, o Imperialismo e a burguesia perdiam sua maior adversária, e a classe trabalhadora perdia a mais importante base de ação e referência, causando um grave refluxo nas organizações comunistas. 

Com a queda do bloco socialista, o imperialismo partiu para a ofensiva, articulando uma enorme quantidade de políticas antipopulares recomendadas pelo “Consenso de Washington”, principalmente para os países dependentes e subdesenvolvidos da América Latina e da África, com dramáticas privatizações e retiradas de direitos. Na Europa, acelerou-se o processo de desmonte do “Estado de bem-estar social” e na Ásia a entrada do capital na economia chinesa foi intensa. 

A ordem burguesa aparentemente voltava a reinar, tranquila. Por outro lado, muitos Partidos Comunistas do mundo seguiram linhas equivocadas, caindo no reformismo e em alguns locais em posições claramente oportunistas e contrarrevolucionárias.

Os Anos 2000 e a Crise do Capitalismo
Após o fim da década de 90, o mito da invencibilidade do capitalismo logo se mostrou frágil. Na Ásia, viu-se um processo de avanço dos comunistas Indianos, que através da guerra de guerrilhas chegaram tomar 40% do território de seu país, escrevendo até alfabetos próprios para que os dialetos locais pudessem ser passados para a juventude. Na América Latina, após grandes ondas de mobilizações populares surgem governos – com destaque para Venezuela, Bolívia e Equador – que rejeitam se curvar à Washington. Em 2001, a crise estoura na Argentina e o povo derruba vários presidentes. Uma tentativa de golpe contra o presidente Hugo Chávez em 2002 – à qual se seguiram várias outras, inclusive recentemente contra o atual presidente Nicolas Maduro – foi rechaçada com amplo apoio popular.

Em 2008, a grave crise do capital emerge a partir dos EUA, o coração do sistema, espalhando-se de forma avassaladora sobre a Europa e repicando nos demais continentes. A população europeia, principalmente a juventude, é exposta ao subemprego e ao desemprego. Em países como a Grécia e a Espanha a luta ganha novos contornos, com greves gerais que mobilizam milhões de jovens trabalhadores e desempregados em Atenas, ou mineiros grevistas que tomam povoados e vilarejos nas Astúrias. 

A retomada das lutas a nível mundial apresenta terreno fértil para a reorganização do movimento comunista internacional, que ainda está em processo inicial. Partidos Comunistas (como o PC da Venezuela, da Grécia e o PCPE da Espanha) com linhas revolucionárias ganham espaço frente ao oportunismo e ao abandono da classe trabalhadora e do marxismo-leninismo por parte de muitos. Na Colômbia também os comunistas buscam ampliar a inserção na luta pela paz com justiça social. 

No âmbito das Juventudes Comunistas do mundo isso também tem consequências. A JCA participa de uma articulação de Juventudes Comunistas no interior da Federação Mundial das Juventudes Democráticas (FMJD) que defendem o socialismo como única alternativa possível para a superação da barbárie capitalista. Essa articulação ainda embrionária deverá caminhar para formar mais orgânicas de intercâmbio no futuro.

Sabemos que esse processo de reorganização será duramente combatido, e a burguesia não tem escrúpulos, como já demonstra claramente a ascensão do fascismo na Ucrânia. As organizações da classe trabalhadora e dos jovens revolucionários devem se temperar nas lutas, se estruturar ainda mais e fazer frente à crescente repressão e criminalização imposta pelo Estado. 

Apesar de a classe trabalhadora ainda não estar próxima de tomar o poder, esse novo ciclo do século XXI permite ver o quanto é instável o domínio do capital sobre a sociedade. A tendência é que a luta de classes se acirre e é necessário que vejamos o cenário internacional e nacional como interligados. O que impõe o princípio do internacionalismo proletário aos comunistas é o próprio fato inconteste de o domínio do capital atingir todas as partes do globo (sem excluir particularidades), o que faz da classe proletária uma classe internacional. Como dizia Marx no Manifesto do Partido Comunista, “de vez em quando, os operários triunfam, mas sua vitória é passageira. O resultado verdadeiro de suas lutas não é o sucesso imediato, mas a extensão sempre maior da união dos operários”. Sem dúvida podemos comprovar esse fenômeno, quando greves, manifestações específicas, servem como catalisadores de processos mais amplos, que acabam se espalhando como rastilhos de pólvora. 

A organização da juventude é fundamental para o triunfo das lutas pela democracia e pelo socialismo no mundo todo. È nas lutas atuais que se forjarão os quadros políticos que poderão contribuir para dar maior lucidez às lutas mais decisivas do futuro, que certamente surgirão. Combater os monopólios e o imperialismo – e no Brasil deve-se acrescer o latifúndio –, que são as expressões mais desenvolvidas do capital a nível mundial, é absolutamente central para a conformação de um bloco proletário e popular capaz de apresentar um projeto viável de sociedade. As lutas espontâneas não levarão “em si” à vitória. É necessário clareza de objetivos, persistência, paciência e muita disposição de luta!

Publicado originalmente no JA no. XIII