Desemprego, despejos e suicídios: A Espanha e o que o capitalismo tem para nos oferecer | Juventude Comunista Avançando

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Desemprego, despejos e suicídios: A Espanha e o que o capitalismo tem para nos oferecer


A Espanha tem expressado uma das faces mais bárbaras da crise capitalista que assola os países da Europa. Uma das mais sentidas manifestações dessa crise aponta principalmente para as novas gerações, sendo a juventude espanhola a mais atingida pelo desemprego de toda a Zona do Euro. 

Dados do início desse ano confirmam que mais da metade de todos os espanhóis com até 25 anos não conseguem emprego[1]. Imaginemos o impacto disto comparando com o Brasil onde 13,1% dos jovens estão desempregados, segundo a OIT (janeiro/2014), o que já é suficiente para condenar nossa juventude à completa insegurança perante seu futuro e a sofrer com a  constante criminalização de sua condição por parte do Estado.

A vida dos espanhóis, desde essa última crise, tem chegado a uma condição nunca antes vista na história recente do país. Estima-se que, somente entre 2008 e 2012, os despejos por dívida hipotecária, impulsionados por uma legislação hipotecária que dá todo poder aos bancos, tiraram de mais 350 mil famílias o teto em que viviam[2]. Por conta disso, o povo espanhol presencia uma escalada nos números de suicídios marcando em 2012 um crescimento de 11% em relação ao ano anterior[3], muitos deles envolvidos diretamente com dívidas hipotecárias. 

Esses dados, apenas uma parte dos sofrimentos vividos diariamente pelos espanhóis, mostram que o capital não tem limites e tenta se erguer sobre os corpos de uma população que vê sua vida espoliada a cada dia. Definitivamente, a Espanha é o quadro do completo fracasso do capitalismo, sistema incapaz de manter a mínima dignidade do povo trabalhador. 

Não bastasse, esse quadro é ainda mais agravado pela submissão dos países da periferia europeia às medidas monopolistas e imperialistas da União Europeia. Esta que, para salvar o Euro, força os países a sacrificarem os direitos sociais e laborais, a demitirem milhares de trabalhadores, despejá-los de seus lares, o que só serve para salvar o capital em ruína naquele continente. Além disso, como a própria Espanha, não só os países pertencentes ao Euro sofrem com isso, temos visto o caos a que a Ucrânia foi levada para se submeter aos interesses do grande capital europeu, cuja entrada na Zona do Euro favoreceria à escalada do capital. O que de fato não ajudaria em nada, apenas serviria para amenizar a perda dos ricos europeus e piorar a vida dos seus povos.

A real solução para os problemas da Espanha passa pela luta contra a União Europeia e a OTAN. Movimentos nesse sentido crescem em outros países também solapados pelas políticas de austeridade promovidas pelo FMI, coadunado com a União Europeia e o Banco Central Europeu. Mostra disso é a chamada “Iniciativa”, como ficou conhecida a articulação criada entre partidos comunistas e operários de vários países europeus, como Itália, França e Grécia, reunindo forças para construir a alternativa socialista. Vemos que os povos europeus não se calarão frente à crescente degradação de suas condições de vida. Os espanhóis dão mostras diárias de resistência a essa situação e erguem-se, como na recente greve nas fábricas da Coca-Cola, encontrando na luta de classe a fonte da dignidade dos seus povos. Perde seu medo aos poucos a classe trabalhadora que vê no horizonte a verdadeira solução surgir: o poder popular.

Notas:
 [1] http://www.eldiario.es/economia/Espana-vuelve-record-juvenil-Europa_0_215928557.html
 [2] http://www.jornada.unam.mx/2013/03/23/economia/026n1eco
 [3] http://www.elmundo.es/espana/2014/01/31/52eb7f75e2704e4c3c8b456e.html

Publicado originalmente no JA no. XIII