Luta contra a EBSERH em Goiás | Juventude Comunista Avançando

domingo, 18 de janeiro de 2015

Luta contra a EBSERH em Goiás


2014 foi intenso politicamente. Não só para o Movimento Estudantil: em âmbito nacional tivemos uma disputa eleitoral cheia de ingredientes que lhe deram um sabor mais picante do que estamos acostumados, principalmente pela questão do debate sobre orientação sexual e a luta pela igualdade e diversidade de gênero, gerando discursos de ódio da extrema-direita. 

Para a JCA-Goiás foi particularmente especial, com o crescimento da organização e seu papel de liderança e destaque na luta estudantil. Ajudamos a conduzir o processo que levou nossa chapa à vitória no DCE-UFG e a luta contra a EBSERH, que é a terceirização/privatização dos HUs.

A luta contra a EBSERH por aqui uniu estudantes, partidos e organizações sindicais e estudantis. A reivindicação é um Hospital das Clínicas público, gerido e mantido pelo Estado e pela Universidade, que respeite e garanta que os profissionais da saúde que lá trabalham atuem participativamente na condução dos rumos do Hospital e, acima de tudo, que não olhe a saúde como mercadoria e o paciente como um "produto dispendioso de ser mantido".

O nosso enfrentamento foi contra a Reitoria, altamente cupulista, subserviente ao governo e presidida por um Reitor de postura autocrática, um "trator" que impede o livre direito de se expressar – não só daqueles que se posicionavam contra a EBSERH, mas de seus próprios conselheiros! – por meio de interrupções sistemáticas durante suas falas. 

Nas duas primeiras de quatro reuniões do Conselho Universitário (Consuni) em que foi debatido sobre a EBSERH, foi unicamente a pressão exercida pela união e mobilização dos estudantes, dos técnicos administrativos da saúde e de alguns professores que permitiram que o debate fosse prolongado; caso contrário, na segunda reunião já seria "votada" a adesão à EBSERH. 

05/12/2014 – Dia da terceira reunião do Conselho, ocorrida duas semanas depois da segunda. Fatídico dia em que ocorreu a votação relâmpago: o Reitor Orlando do Vale solicitou que quem fosse a favor da adesão levantasse a mão, e somente pelo contraste visual, sem o reconhecimento devido de quem levantou o braço, em um processo que durou menos de dez segundos, foi "aprovada" a entrada da EBSERH na Universidade Federal de Goiás (a única Federal do Centro Oeste que ainda não se vendeu ao empresariado governista). O Reitor e os conselheiros tentaram fugir. Começou a cair uma tempestade. No estacionamento do prédio da Reitoria, que fica próximo ao auditório onde tinha ocorrido o Conselho e onde estavam estacionados os carros deles, o bloco de mais ou menos 80 manifestantes cercou os entreguistas e, mesmo sob a forte chuva, não os deixou ir embora. A pressão obrigou o Reitor a se reunir conosco no saguão daquele prédio para discutir a votação. O resultado disso foi outra reunião puxada para a semana seguinte para se discutir a legitimidade ou não da votação (não da adesão) e mais uma semana para tocarmos a mobilização. Como já era esperado, o Conselho, por votação nominal (exigência nossa, algo que não esperavam e lhes desagradou muitíssimo), votou a favor da legitimação. Docentes da UFG que são também advogados entrarão com uma ação judicial contra a adesão, causando um desgaste jurídico, que aproveitaremos para gerar um desgaste político do Reitor e do Conselho Universitário.

O processo como um todo refletiu a falta de democracia no espaço universitário, o peleguismo das instâncias de deliberação da Universidade e a autocracia do Reitor e dos conselheiros. Alguns diretores de faculdades, que são também conselheiros, receberam notificações de estudantes e técnicos para que o tema EBSERH fosse discutido em Conselhos Diretores e, mesmo diante da escancarada e majoritária postura contra a empresa dentro dos prédios das faculdades, esses conselheiros ou convocaram reuniões e votaram a favor da adesão (votaram pela opinião deles, não pela da maioria), ou simplesmente ignoraram os pedidos e a democracia, não convocaram o Conselho e também votaram pela adesão. 

Sabemos que essa luta não acabou. A EBSERH está aí e nossa organização tem papel importantíssimo na luta e na mobilização. A JCA deve tocar também as reivindicações democráticas, sendo a principal delas a instituição de um plebiscito para que toda a comunidade universitária possa se expressar. A organização reconhece a importância da união de movimentos/organizações de esquerda como UJC/PCB, MEPR, PSTU, correntes do PT, Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior (ANDES), Sindicato dos Trabalhadores Técnico-administrativos em Educação das Instituições Federais de Ensino Superior do Estado de Goiás (SINT-IFESgo) e FASUBRA, pois todas estas foram importantes para a luta pela defesa da democracia interna da instituição. A luta continua!