Missão de Solidariedade internacional com a Venezuela e a Revolução Bolivariana - parte 1 | Juventude Comunista Avançando

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Missão de Solidariedade internacional com a Venezuela e a Revolução Bolivariana - parte 1

Saludos Camaradas!

A JCA que já mantém há alguns anos relações internacionais com juventudes comunista e socialistas do mundo, e compõe a Federação Mundial de Juventudes Democráticas - FMJD. Como a verdadeira e autêntica construção do socialismo, apesar de partir dentro de lutas patrióticas, só conseguirá se realizar na sua plenitude através do Internacionalismo proletário, a solidariedade internacional tornou-se também um dos eixos constituintes de nossa luta cotidiana.

Assim, fomos convidados, em conjunto com outras juventudes comunistas e progressistas, para participar da Missão de Solidariedade internacional com a Venezuela e a Revolução Bolivariana. Um evento de solidariedade política que até agora conta juventudes do mundo todo, desde as mais moderadas ideologicamente, até as históricas juventudes comunistas. Temos aqui presença de organizações de diversos países da América Latina com a União da Juventude Comunista – UJC de Cuba, Federação de Jovens Comunistas de México, Juventude Comunista da Bolívia – JCB, Juventude Comunista Colombiana – JuCo e muitas outras. Mas também há a presença de organizações do continente europeu, africano e norte-americano, como a Juventude Comunista da Grécia – KNE, Frente da Juventude Comunista da Itália – FGC, Juventude Socialista dos EUA, Coletivo de Jovens Comunistas da Espanha – CJC, entre outras. Pretendo, a partir da experiência adquirida aqui transmiti-la a todos através de um relato diário, mesmo que com um pouco de atraso por escasso acesso à internet.

O primeiro sentimento que tive quando cheguei a Caracas foi que essa cidade e esse país, estão respirando um ar patriótico do qual nunca havia visto antes. As ruas estão repletas de cartazes, pinturas, letreiros, murais e todo tipo de comunicação possível que expressa o mais forte sentimento de patriotismo, de defesa da soberania nacional e de luta pela continuidade das transformações sociais que começar durante o primeiro mandado do Comandante Hugo Chávez Frías. Em todos os lugares estão expressos os valores da Revolução Bolivariana, para todos os cantos que olho, tais frases e imagens convocam o povo venezuelano a defender sua pátria contra a oligarquia nacional associada ao imperialismo ianque.

Não há como descrever com perfeição esse sentimento. Mas imagine que numa nação latino-americana, tão esmagada e castigada pela história como as outras, primeiro colonizada pelos espanhóis e depois oprimida e espoliada pelo imperialismo estado-unidense, começa a desenvolver um conjunto de transformações que, em pouco tempo, fazem a palavra “socialismo” passar a fazer parte do vocabulário popular. Ainda que a esmagadora maioria não compreenda a profundidade do significado do socialismo, mas que essa palavra tenha rompido as páginas dos livros de história ou das discussões catedráticas, é um passo enorme. O passo de o povo venezuelano conseguir identificar que seus interesses, seu bem estar, estão em completa oposição aos interesses dos “ricos”, dos “gringos”, é um passo grande, embora insuficiente, mas necessário. Ainda mais, identificar o socialismo com a independência da pátria venezuelana, com a valorização de suas riquezas, de sua cultura, significa para um país latino- americano unir a luta pelas reformas democráticas nacionais ao horizonte mais amplo de construção do socialismo, única maneiro de resolver os problemas históricos do país.

Essa missão foi organizada tanto pela Juventude do Partido Socialista Unificado da Venezuela – JPSUV quanto pela Juventude Comunista da Venezuela – JCV. Contudo, identifiquei um protagonismo muito grande dos militantes da JCV. Imediatamente fomos recebidos por eles e no Aeroporto não seguimos pela fila comum da imigração e alfândega, passamos pelo setor da diplomacia. Ao sair do aeroporto embarcamos numa caminhonete preta, com os vidros escurecidos, e fomos até um hotel onde ficamos hospedados. Este hotel, apesar de luxuoso e pomposo, ostenta uma grande bandeira da Venezuela logo em seu hall de entrada, e depois descobri que fomos hospedados ali porque ele havia sido nacionalizado pelo governo. Este trajeto foi realizado durante o dia 19.

Depois de conhecer vários camaradas comunistas e socialistas do mundo e pernoitar no hotel Gran Melia, na manhã do dia 20 fomos para a Reunião Regional da FMJD. Fomos encaminhados para lá dentro de um ônibus não identificado e com todas as janelas cobertas. A todo tempo estamos sendo escoltados por camaradas da JCV que estão cumprindo essa função com maestria, não podemos nos desgarrar do grupo e circulamos por entre os locais planejados com bastante rapidez. A reunião abriu com algumas saudações do secretariado da FMJD, um militante da juventude cipriota e da libanesa.

Falaram sobre o Conselho Geral da FMJD que acontecerá no Líbano em novembro, onde também haverá uma Missão de Solidariedade, dessa vez com a Palestina. Os participantes visitarão um dos campos de refugiados palestinos mais pobres. Falaram da importância das forças progressistas combaterem as diversas formas de fascismo, citaram que para além da situação venezuelana, ainda temos que combater o ISIS e os neo-nazista de Kiev. Este também é um ano da FMJD, que além de comemorarmos a derrota do nazi-fascismo, comemoramos também o aniversário de 70 anos da fundação da Federação.
Depois das saudações também tivemos as declarações dos camaradas da JPSUV e da JCV. Ambos falaram sobre a situação nacional de tentativa da direita oligárquica ligada ao imperialismo de desestabilizar o país. Esse foi um dia bastante tenso também pela realização da prisão de um dos principais líderes da direita: o prefeito de Caracas Antonio Ledezma, acusado de conspiração golpista. Os camaradas nos relataram que depois das eleições onde Nicolás Maduro foi eleito, mas que foram apertadíssimas, a direita partiu para manifestações de rua, pela violência e agressividade. Foram os chamados “Manos Brancas” que através das Guarímpas assassinaram 43 venezuelanos, a maioria apoiava o governo. Também criaram uma guerra midiática, simulando uma suposta repressão do governo, espalhando fotos falsas pela internet.

Depois do esmorecimento das guarímpas, embora os distúrbios nas ruas não tivessem findado completamente, a direita investiu todas as suas forças numa Guerra Econômica, escondendo itens essenciais, de primeira necessidade do mercado, fazendo os preços subirem, especulando com as necessidades do povo. Sua tática é de criar uma desestabilização econômica a ponto de passar a ideia de que a República Bolivariana da Venezuela é um projeto falido. E a articulação das oligarquias nacionais com o imperialismo fica muito evidente quando os EUA e seus aliados (a monarquia absolutista e sanguinária da Arábia Saudita) se organizam para manter o preço do petróleo baixíssimo, principal fonte de renda da Venezuela. Nesse ponto, reconheceram que o processo Bolivariano não conseguiu superar a dependência econômica e tecnológica, deixando-os reféns do que chamam de “mono-rentismo” do petróleo. Tanto que uma das principais tarefas futuras é a reforma econômica do país, produzindo uma industrialização e ampliando a produção de alimentos.

Os camaradas venezuelanos afirmaram, também, que o governo conseguiu descobrir um plano golpista, articulado por setores da oligarquia local, dos opositores em Madrid e Miami. Estava se planejando um bombardeio na capital com um setor entreguista da aviação das Forças Armadas Nacionais Bolivarianas – FANB. Entre os alvos estava a emissora TeleSUR e o Palácio Miraflores. Contudo, esse plano foi descoberto e neutralizado pelo governo, contando também com a prisão de um de seus mentores, o prefeito de Caracas: Antonio Ledezma.

Depois disso a Reunião Regional da FMJD transcorreu durante o dia todo. Em uma pausa para o almoço fomos até um prédio governamental, passando por algumas ruas do centro de Caracas. É impressionante o amor que o povo venezuelano nutre pelo que chamam de seu “Comandante supremo”, Hugo Chavez, um homem que apesar de ter perecido fisicamente, parece estar mais vivo do que nunca. Numa onipresença permanente, de onde quer que você vá, Chavez estará lá. Mas não apenas Chavez, também Simón Bolívar e outros líderes nacionais.

No fim deste relato, fica evidente que a solidariedade com a Revolução Bolivariana é algo urgente e necessário, apesar das dificuldades de realizá-la plenamente. Temos que defender com firmeza a Revolução Bolivariana e suas conquistas. Defendê-la de todos os ataques oportunistas de esquerda e da extrema-direita. Porque para além da solidariedade com esse processo em particular, trata-se da defesa do socialismo e da revolução social como único meio possível de livrar a humanidade das chagas do capital. Essa tarefa, tenho certeza que a JCA cumprirá com maestria dentro de suas possibilidades, mas devemos ter em mente que a melhor maneira de nos solidarizarmos com o povo venezuelano, ou palestino, ou cubano, ou coreano, ou de qualquer outra parte do mundo, é a tarefa de construir e acelerar a Revolução Brasileira.

Avante Camaradas!

Giovanny Simon, Caracas, 21 de fevereiro de 2015.