Missão de Solidariedade internacional com a Venezuela e a Revolução Bolivariana – parte 2 | Juventude Comunista Avançando

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Missão de Solidariedade internacional com a Venezuela e a Revolução Bolivariana – parte 2


Buenas Camaradas!

O segundo dia de nuestra misión foi marcado para conhecermos algumas importantes conquistas da Revolução Bolivariana, primeiro no campo esportivo e depois no campo musical.

Na noite anterior, a agitação da cidade me fez gastar um tempo assistindo o jornal televisivo. Para minha infeliz surpresa a primeira coisa que vejo ao ligar a televisão foi, advinhem quem? Aquele bandido William Wack, atacando justamente a Revolução Bolivariana em seu boletim diário de falácias que chama de Jornal da Globo. Imediatamente me pus a pensar como que “a tão sanguinária ditadura chavista” de Maduro permitiria que os bastiões da liberdade de imprensa transmitissem seu lixo na Venezuela? Com certeza a única ditadura capaz de censurar a Globo seria a Ditadura do Proletariado. Mas como esse (ainda) não é o caso venezuelano, só consegui concluir que o nível dos absurdos mentirosos inventados pela mídia burguesa é muito alto. Aliás, numa passada rápida pelos canais pude perceber que a proporção de canais aparentemente de oposição, e os canais que são estatais é bastante equilibrada. Diria mais, que a oposição tem um conforto grande até demais nos meios midiáticos.

Mas depois do café da manhã, embarcamos novamente no ônibus, e outra coisa curiosa foi quando o motorista a sintonizou em uma rádio que estava tocando uma seção de música de Silvio Rodriguez. Algo que me deixou muito feliz de perceber que a cultura latino-americana tem sido valorizada. Pois ao mesmo passo vi uma rápida notícia que Alí Primera foi considerado pelo governo como Patrimônio Cultural de Caracas.

Bueno, nosso destino dessa vez foi um Centro Poliesportivo de Caracas em um encontro com atletas de alto rendimento e dirigentes do campo esportivo no Estado. Em uma conferência proferida por várias autoridades e também por atletas, nos mostraram importantes vitórias da Revolução Bolivariana neste campo. Há na Venezuela bolivariana uma concepção completamente distinta a respeito do esporte. Em primeiro lugar, a concepção procura transformar a massa de expectadores fanáticos por esportes em uma massa de praticantes do esporte. Ou seja, seu principal objetivo, antes de ganhar medalhas em grandes competições, é massificar a prática esportiva. Mas não apenas massificá-la. Entendem o esporte como parte constituinte de uma formação integral do ser humano.

Dessa forma, afirmaram que para alcançar esse horizonte estabeleceram três grandes objetivos. Desenvolver a infraestrutura esportiva para garantia do direito do povo: isso ficou evidente, pois o Centro Poliesportivo estava repleto de pessoas praticando esporte, em quadras, piscinas e ginásios. Relataram ainda que o governo construiu centros como esse por todo país, e possui vários programas para dar infraestrutura esportiva para escolas e universidades, e financia reformas em quadras esportivas comunitárias. Outro dos objetivos é o esporte como cultura e consciência de paz: por isso foram criados programas esportivos dentro de penitenciárias e comunidades. Para isso, o governo pretende assumir o controle absoluto dos esportes: combatendo as máfias das confederações de atletismo e dos clubes privados.

O governo criou uma inúmera gama de competições esportivas internas na Venezuela, como os Jogos Universitários, que em sua última edição agregou mais de 70 instituições. Acompanhado disso, também inseriu o esporte em todos os níveis educacionais, do mais baixo ao mais alto.

Fiquei, depois desse discurso, bastante invejado, vindo do país, que se gaba por conquistas esportivas, vi que aqueles atletas não eram apenas atletas, mas sim eram revolucionários (como eles mesmo se chamavam), porque defendiam outro tipo de esporte dentro do espectro político da Revolução Bolivariana e estavam dispostos a enfrentar grandes grupos econômicos para isso. Também tive, naturalmente, certa vergonha dos absurdos que tivemos de ouvir de “ídolos” do futebol, como Pelé e Ronaldo.

Depois da conferência, fomos visitar as instalações do Centro Poliesportivo e também aproveitamos para jogar um rápido futebol dos povos, entre as diferentes juventudes presentes.

A tarde e a noite passamos conhecendo o chamado Sistema: um movimento musical na Venezuela. Um Maestro, há 40 anos, convocou centenas de músicos para se reunirem com um objeto de transformar a música erudita num gosto do povo, acreditavam que não deveria ser de acesso exclusivo de uma pequena parcela da população, mas sim de todos, através de um ação educativa e coordenada. Embora tivesse convocado centenas, compareceram apenas 12 deles, mesmo assim o movimento foi criado e depois de 4 décadas possui mais de 300mil membros, com 300 núcleos educativos espalhados no país. Estima-se que por volta de 2 milhões de habitantes já passaram pelo Sistema.

Sua dedicação em levar a música erudita, através de orquestras infantis e juvenis, bem como também corais, é algo enorme. Explicaram-nos que eles têm programas para inserir até os cidadãos que ainda não nasceram no gosto pela música erudita, com um programa para mulheres grávidas. Atendendo crianças de todas as idades, desenvolvem um belíssimo trabalho, completamente gratuito e totalmente financiado pelo Estado: desde as aulas, instalações e também os instrumentos musicais. Visitamos salas de ensaios tanto individuais quanto coletivas, de recitais, de composição. Mas o mais impressionante, sem dúvida, foi a oportunidade de termos assistido a Orquestra Sinfônica Simón Bolívar da Venezuela, com o Maestro Gustavo Dudamel, um dos maiores do mundo, claro também é um socialista dedicado.

O belíssimo concerto, com todo teatro lotado, com o público extasiado, aos gritos de emoção na entrada dos músicos, foi inesquecível. Nunca imaginei que na Venezuela haveria um maestro como ídolo nacional. Ao final, os aplausos eram incansáveis, nunca presenciei uma salva de palmas tão longa, ela simplesmente não parava, não importa o que fizéssemos, o público seguiu aplaudindo a orquestra e seu maestro até que se retirassem do palco. Depois da maravilhosa apresentação fomos receber o maestro: A FMJD oficialmente recebeu e saudou o grande Maestro Venezuelano: a sinfonia da revolução continuava.


Giovanny Simon, Caracas, 22 de Fevereiro de 2015.