Saudação ao VII Congresso da União da Juventude Comunista | Juventude Comunista Avançando

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Saudação ao VII Congresso da União da Juventude Comunista

Camaradas da União da Juventude Comunista,

Desde a Direção Nacional da Juventude Comunista Avançando saudamos a realização deste VII Congresso e agradecemos a oportunidade de poder participar desse momento de debate político tão importante para a UJC e para o PCB. Gostaríamos de compartilhar com os camaradas algumas reflexões sobre o momento político que vivemos, na esperança de estimular o debate e contribuir com a boa realização do Congresso.

O pacto entre as frações das classes dominantes tem sido um elemento constante na história política brasileira. Os momentos de transição mais importantes que passamos se deram através de alianças que excluíram os trabalhadores e setores populares. Para buscar diminuir e eliminar a capacidade política dos explorados e oprimidos, a burguesia se desenvolve de mãos dadas com o latifúndio, um dos pilares mais atrasados e conservadores da sociedade brasileira, e com o imperialismo (especialmente o estadunidense). Dessa forma o capitalismo se consolida no Brasil de forma dependente e associada. Na falta de disposição e na impossibilidade de fazer concessões à classe trabalhadora, as classes dominantes tem no Estado autocrático o instrumento para reduzir ao mínimo os espaços de participação política, reprimir e minar qualquer possibilidade organização autônoma dos trabalhadores. 

A história do movimento comunista, que inicia em 1922 com a fundação do PCB, nos dá inúmeros exemplos. O partido foi perseguido, várias vezes posto na ilegalidade, inúmeros militantes perseguidos, presos, torturados, assassinados e desaparecidos. As classes dominantes sempre tiveram entre suas prioridades impedir que as lutas de massa chegassem a um nível superior de organização, mas principalmente, que os lutadores do povo tivessem contato com os revolucionários, especialmente com os comunistas.

A geração da qual fazemos parte, que nasceu dos anos 80 em diante, não experimentou o período mais duro da ditadura militar e gozamos de relativa liberdade. Ainda assim, é importante atentarmos para o caráter autocrático do Estado que permanece. É impossível ignorar a repressão e criminalização dos que lutam por direitos e transformações sociais. A liberdade burguesa é circunstancial e está adequada ao momento que se encontra a luta de classes. Ela só foi possível, pois nos últimos anos a desmobilização e a cooptação da classe trabalhadora foi uma das táticas mais importantes para manter a hegemonia burguesa.

Talvez esse seja o momento político mais difícil para nós que não vivemos no período da ditadura militar. Não é uma coincidência histórica que a cahamada transição “lenta, gradual e segura” tenha acontecido no momento de crise do movimento comunista, depois de décadas de perseguição violenta aos revolucionários brasileiros e quando o eurocomunismo se espalhava pelo mundo. Quando o movimento de massas começa a ressurgir no nosso país seus vínculos com o marxismo são muito frágeis, portanto, o espaço para disseminação da ideologia burguesa é muito grande e também são as possibilidades de cooptação do movimento dos trabalhadores.

O Partido dos Trabalhadores optou pelo caminho da conciliação para chegar ao governo federal e já nos primeiros anos deu continuidade às mesmas políticas demandadas pelos monopólios, latifúndio e imperialismo, que eram pautadas pelos governos anteriores. Setores volumosos da esquerda brasileira, que encontrávamos nas ruas, apesar das divergências, passaram a se integrar ao governo e ao invés de organizar os setores populares para pressionar o governo, passaram a se dirigir às bases da sociedade para justificar as medidas do governo federal e apresentá-las como vitórias. Aos jovens brasileiros, especialmente os estudantes, esse processo fica cada vez mais evidente com as práticas do PCdoB e de sua juventude UJS no interior da União Nacional dos Estudantes. A UNE que foi construída com o trabalho de décadas de muitos camaradas e companheiros nos últimos anos tem sido usada como porta-voz do Ministério da Educação, mesmo com a resistência e o trabalho de várias organizações e agrupamentos de esquerda que recusaram a cooptação.

O que temos visto desde Junho de 2013, no entanto, é uma mudança de cenário. A insatisfação é tão grande que tem arrastado as pessoas às ruas, mesmo sem existir uma plataforma política e organizativa capaz de orientar a força popular e garantir vitórias. Em 2013 havia um conjunto difuso de aspirações democráticas, ligadas ao descaso do Estado com o transporte coletivo nas grandes cidades, com educação e saúde, com o aumento do custo de vida, com os gastos exorbitantes com a Copa e uma insatisfação generalizada contra toda forma de institucionalidade. Os protestos foram parcialmente dirigido pela mídia no momento. 

Nas manifestações deste ano temos aspectos novos. Por um lado, é nítido um caráter golpista e de propaganda contra a esquerda, que tem fortalecido o discurso de que a esquerda é o PT e assim estendendo essa perspectiva a todos os setores, inclusive de oposição de esquerda ao Governo Federal. Também a capacidade de articulação e direção da direita é muito superior, principalmente através da mídia, mas agora também dos partidos da direita tradicional. O objetivo da burguesia é desgastar o governo e aprofundar a realização de seus objetivos por dentro e por fora dele. Se não estamos à beira de um golpe de Estado, não podemos descartar nenhum cenário. As manifestações de rua dirigidas pela direita parecem perder fôlego na medida em que o impeachment é a única pauta concreta e, por hora, não se apresenta como algo tangível. Mas no Congresso a direita faz uma ofensiva movimentando pautas muito perigosas para os trabalhadores. Se a redução da maioridade penal e a lei das terceirizações, por exemplo, forem levantadas por essas manifestações de direita como pautas pontuais e concretas a situação política pode piorar muito.

Por outro lado, há uma grande massa de trabalhadores que alimenta um descontentamento legítimo contra o Governo do PT. Erram os setores governistas que pretendem fazer frente à direita defendendo o Governo. O momento é de fortalecer um polo de esquerda alternativo que seja capaz de enfraquecer a articulação da direita ao mesmo tempo em que formule um programa unitário de transformações capaz de empolgar a expressiva camada de trabalhadores de permanece inerte e assiste boquiaberto a esse circo de horrores.

Camaradas, todas as organizações de esquerda que não se entregaram à conciliação com as classes dominantes precisam refletir seriamente sobre a responsabilidade que temos na construção de caminhos alternativos. É ainda mais dramático ver que ainda há espaço para fragmentação e divisões entre nós.

É necessário que busquemos unificar a esquerda em torno de uma pauta mínima capaz de aglutinar os trabalhadores e os setores populares e mostrar que existe alternativa para além do golpismo de direita e da capitulação de partidos pelegos. 

No aspecto internacional nosso continente passa por um momento delicado: as negociações colombianas de paz que ocorrem em Havana estão se aproximando do momento decisivo; a Venezuela vem sofrendo uma escalada de ataques articuladas pelo imperialismo estadunidense. O Brasil tem grande peso no continente, somos a maior economia e do ponto de vista político o mais débil em capacidade de enfrentar as demandas do imperialismo. Ao governo norteamericano, não é necessário sequer ser desobediente, basta politicamente não seguir automaticamente suas demandas, ou no ritmo por eles desejado, para que qualquer governo represente um obstáculo. As articulações econômicas do Brasil com China, Rússia, India e Africa do Sul e por outro lado a postura de “diálogo” do governo federal com os países latinoamericanos, mesmo não representando qualquer intenção de solidariedade entre os povos, e sim apenas possibilidades de afirmação de interesses de frações do capital financeiro internalizado, desagradam os EUA. Além disso, para os EUA, os recursos do pré-sal são estratégicos e lhes é desejável acelerar o processo de privatização e entrega da Petrobrás. Todo o sensacionalismo midiático em torno da operação “lava-jato” mal consegue esconder esse saque que estão articulando contra o povo brasileiro. 

São algumas das questões sobre as quais sabemos que os camaradas da UJC irão se debruçar durante esses dias de Congresso e de onde esperamos que saiam importantes reflexões e formulações.

De nossa parte, seguimos abertos para a construção de alternativas de unidades entre a esquerda e entre os comunistas que sejam sérias, duradouras, com profundo espírito de fraternidade e respeito. É fundamental que os comunistas se esforcem ainda mais para estar junto aos trabalhadores e ao povo, buscando se inserir nas lutas e aprender e ampliar a inserção no momento da luta de classes brasileiras que se abre.

Viva a luta comunista!

Viva o VII Congresso da UJC!

Direção Nacional da Juventude Comunista Avançando