A Educação a Serviço do Capital | Juventude Comunista Avançando

sábado, 13 de junho de 2015

A Educação a Serviço do Capital



Contribuição de jovens comunistas mexicanos ao debate educacional

Por Laura Quintero* 

As escolas técnicas - como os Colégios Nacionais de Educação Profissional Técnica-Conaleps, Centros de Estudos Tecnológicos Industriais e de Serviços-CETIS, Centros de “Bachillerato” Tecnológico Industrial e de Serviços (CBTIS), “Bachilleratos” (o Bachillerato é equivalente ao nosso Ensino Médio), etc - são centros de suma importância para o capitalismo. Esses tipos de escolas estão concebidas para formar jovens que constituirão a classe trabalhadora assim que concluam seus estudos. São projetadas para educar os filhos de trabalhadores (os quais de acordo com a lógica do capitalismo, em sua maioria, não poderão ter acesso a uma educação de nível superior) já que o que o capital necessita é de mão de obra qualificada. Há que esclarecer que no sistema capitalista, a educação tem uma dupla tarefa que deriva das relações de produção: o trabalho e o processo de produção. 

É absurdo perceber como os meios de comunicação a serviço da burguesia reproduzem a ideia de que aqueles que não conseguiram entrar na universidade não se “esforçaram o suficiente”. No melhor dos casos, sustentam críticas ao sistema educativo como se esse fosse autônomo e não estivesse a serviço dos interesses dos monopólios. Um elemento muito importante, por exemplo, é que os filtros de exclusão do Centro Nacional de Avaliação para a Educação Superior-Ceneval se estruturam sob bases classistas. Como os exames realizados levam em conta questões culturais, étnicas e, evidentemente, econômicas, as possibilidades dos filhos da classe trabalhadora e outros setores populares ingressarem é quase nula. Essa situação de exclusão nos leva a estudar em alguma carreira técnica. 

Tais centros de estudo constituem parte da estrutura do sistema e têm a função de produzir trabalhadores qualificados. O capital espera que os programas educacionais respondam a suas necessidades. A oferta “oficial” de educação e a demanda social classista de educação
operam de acordo com a correlação de tais forças classistas e é assim que se determina a dinâmica educativa. 

Em conformidade com a orientação classista de nosso trabalho, temos que frisar a importância dos centros de estudo de orientação técnica, já que são desses centros de estudos que emanará um setor muito importante de jovens que farão parte do sujeito revolucionário. Tais jovens, como trabalhadores, são aqueles que podem transformar o curso da história. É importante que desde o período em que são estudantes assumam sua condição de classe e seu papel na história. 

O problema da educação não é a falta de vagas suficientes para que todos tenham acesso, ou para que todos possam ser “bacharéis” ou “engenheiros”. O verdadeiro problema radica na função que a educação tem, uma vez que não é possível democratizar a educação de um país sem democratizar a economia através da socialização dos meios de produção. Quer dizer, enquanto o modelo econômico continuar sendo baseado na exploração das pessoas, a educação seguirá funcionando para preservar essa exploração. 

Como comunistas, acreditamos na educação como um valor universal, contudo, o capitalismo faz a mercantilização dela, o que rechaçamos. A organização dos estudantes de escolas e cursos técnicos é fundamental, já que sua organização acumulará dentro do processo revolucionário. É importante que tais estudantes se unam à Federação de Jovens Comunistas e que lutem para melhorar suas condições e por currículos que estejam a serviço do povo e não das necessidades do mercado.

Tradução: JCA