Moscou 1985 | Juventude Comunista Avançando

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Moscou 1985


Baseado no livro “Moscou – uma cidade para o homem”, escrito por Vladimir Promislov, presidente do Soviete Urbano de Deputados do Povo de Moscou, algo próximo do que chamamos de Prefeito, trazemos um panorama de como era a capital soviética em 1985, que mesmo em um período de declínio da URSS, apresentava indicadores absurdamente avançados, muitos inclusive comparando por exemplo, com São Paulo, nossa maior cidade, nos dias de hoje.

Ciência e Educação
Moscou, com uma população de 8,5 milhões de habitantes, possui 3% da população da URSS e lá trabalham 25% dos cientistas do país. Em número de trabalhadores, a ciência passou a ocupar, na cidade o segundo lugar, perdendo apenas para a indústria.
Ao passo que no Brasil temos cronicamente uma queixa da população com a educação básica, com falta de vagas e estrutura, em Moscou, haviam mais de 1100 escolas de ensino médio. Na capital soviética, mais de 630 mil jovens estudavam em 78 estabelecimentos de ensino superior mantidas pelo Estado Soviético que via a importância da educação em seu projeto de nação. Ao passo que hoje, 30 anos depois, nossa maior metrópole, São Paulo, com uma população de 12 milhões, possui cerca de 120 faculdades, sendo 95% delas privadas e com uma abrangência intelectual mínima.
Vale destacar que além da grandiosa Universidade de Moscou fundada em 1755 com 15 faculdades e mais de 30 mil estudantes, a cidade contava também com a Universidade da Amizade dos Povos Patrice Lumumba, uma universidade voltada exclusivamente para a prática da solidariedade internacional, trazendo estudantes de 110 países da America Latina, África e Ásia. Lá era plenamente garantido de forma gratuita o ensino, a assistência médica, e a moradia estudantil.

Estrutura
Sob a jurisdição do Estado Soviético, em Moscou funcionavam 5500 estabelecimentos comerciais, mais de 8000 empresas de alimentação pública e toda uma enorme rede de transporte coletivo, que contava com 1600 ônibus elétricos, 1000 bondes, 6000 ônibus e 17000 táxis, sendo que ao todo diariamente a rede pública de transporte moscovita transporta mais de 15 milhões de pessoas, uma quantidade maior do que qualquer cidade do mundo. Para andar de ônibus na cidade, se gastava apenas 5 centavos de rublo.
Enquanto São Paulo sofre uma longa crise de abastecimento devido as irresponsabilidades de seu governo, em Moscou diariamente eram fornecidos cerca de seis milhões de metros cúbicos de água, ou em média 700 litros por habitante e com o plano de em poucos anos aumentar para 1000 litros diários.
O fundo residencial da cidade é de mais de 2,7 milhões de apartamentos, praticamente todo pertencente ao Soviete de Moscou. Para cada moscovita corresponde uma área habitável de 17m², ou 68m² para uma família de quatro pessoas. O problema habitacional em Moscou não era de casas sem pessoas nem pessoas sem casa, mas apenas o desafio de assegurar para cada família um apartamento com todas as comodidades urbanas modernas e correspondente ao seu tamanho, muito a frente da situação de São Paulo hoje, que tem um déficit habitacional de 670 mil residências, num dado da prefeitura. A construção habitacional é 90% custeada pelo Estado que cobra um aluguel a um preço de menos de um terço do custo de manutenção do lar, buscando garantir a universalidade do atendimento do direito humano a uma moradia, que inclusive consta na constituição soviética.

Esporte e Cultura
Moscou contava com 63 museus, com grande destaque aos estabelecimentos construídos na década de 30 nas estações de metrô, como forma de levar a cultura a classe trabalhadora no seu dia a dia. Eram mais de 300 bancas de livro e 200 livrarias na cidade, mais de 120 cinemas, 30 teatros, dentre estes, o mundialmente famoso Bolchói. São Paulo hoje conta com 78 museus, sendo 27 deles dirigidos pela iniciativa privada. Na URSS, todos eles eram públicos e mantidos pelo Estado, que via na cultura uma importante dimensão da formação humana.
A capital soviética tinha mais de 100 parques municipais e hortos florestais, 1400 ginásios esportivos, 60 estádios e mais de 400 campos de futebol. O que em muito se deveu as várias obras feitas para as Olimpíadas de 1980, muito apesar de antes disso Moscou já ser uma cidade muito esportiva.

Política
Toda a superintendência da cidade de Moscou é feita pelo próprio povo, através do órgão estatal Soviete Urbano de Deputados do Povo de Moscou. Ao passo que hoje em São Paulo, a representação legislativa é exercida por 55 vereadores, que na atual legislatura, não conta com nenhum jovem e apenas 5 mulheres, em Moscou eram eleitos 1000 deputados com mandatos de dois anos e meio. No verão de 1982, destes 1000 deputados, cerca de metade eram operários, 456 eram mulheres e quase um terço tinham menos de 30 anos de idade.

Saúde
Evidentemente a assistência médica era prestada universalmente e de forma gratuita a população. Cada habitante está registrado na policlínica do local onde mora. Em Moscou haviam cerca de mil policlínicas e ambulatórios, 430 farmácias, 243 hospitais com um total de 124 mil leitos. Cada hospital grande possui junto de sua estrutura uma policlínica, para assegurar a continuidade do tratamento de seus pacientes antes e depois da hospitalização. Os grandes hospitais moscovitas servem de base clínica para os numerosos institutos de pesquisa da cidade de forma a orientar todos os progressos científicos da saúde para o bem estar da população.
Esses e muitos outros aspectos mostram o quanto é possível ser feito em termos sociais quando a economia e a política estão voltadas para o bem do povo e não do interesse de oligarcas. Essa preocupação com o ser humano é típica do socialismo, que tem por base ética-filosófica o humanismo concreto. A União Soviética, enquanto um processo concreto, calcado na realidade concreta, não deixou de ter seus erros, contradições e limitações, mas são exemplos como esses da cidade de Moscou que nos mostram a grandiosidade do que construíram o povo soviético, e nos dão a certeza da possibilidade de construir algo diferente do que existe hoje e a certeza que a humanidade só poderá encontrar sua prosperidade no futuro, no socialismo.