Thomas Sankara vive! | Juventude Comunista Avançando

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Thomas Sankara vive!

"A problemática em torno das árvores e as florestas é exclusivamente a da harmonia entre o indivíduo, a sociedade e a natureza. Este combate é possível. Nós não retrocedemos ante a imensidade da tarefa nem viramos as costas ao sofrimento dos demais, pois a desertificação não tem fronteiras" (Thomas Sankara, "Conferência sobre a árvore e a floresta: o imperialismo é o incendiário de nossas florestas e nossas savanas [05/02/1986]")

Sankara foi o elemento central da revolução democrática popular em Burkina Faso (antigamente denominada República do Alto Volta, foi colônia da França até a década de 1960). País localizado na parte ocidental da África atualmente faz divisa com 6 países: Mali, Níger, Costa do Marfim, Ghana, Togo e Bênin. Era rico em ouro e os donos do país se enchiam de dinheiro às custas da fome e miséria do povo.
Em 4 de agosto de 1983, Sankara liderou um movimento insurgente desde uma base militar em Pô até a capital, Uagadugu. Instaurando 4 anos de governo revolucionário com o poder nas mãos dos camponeses, trabalhadores, mulheres e jovens. O povo de Burkina Faso estava mobilizado em levar a frente campanhas de alfabetização (o analfabetismo atingia 92% da população), de vacinação (a esperança de vida era de somente 43,8 anos de idade), de abertura de poços de água, de plantação de árvores e criação de florestas, de construção de moradias e eliminação das relações opressivas de classe na sociedade. Àquela época o país era um dos mais pobres do mundo com quase 8 milhões de habitantes.
Nacionalizou a terra para que os camponeses (90% da população na época da revolução) pudessem produzir alimentos e vencer a fome do povo.
Lutava contra o misticismo e a excisão feminina (mutilação genital). Algo que não se conseguiu vencer e se intensificou com o fim do governo revolucionário, a partir de 1987.
Com firmeza internacionalista, Sankara compreendia que o marxismo "era a generalização das lições das lutas da classe trabalhadora a caminho de sua emancipação por todo mundo, enriquecida por cada batalha." (WATERS, Mary-Alice, Prefácio de "Thomas Sankara: discursos de la revolución de Burkina Faso 1983-87"). Visitou Cuba em 1984 e 1986, e Nicarágua em 1986, onde foi escolhido para falar em nome das 180 delegações internacionais durante a comemoração de 25 anos da criação da FSLN (Frente Sandinista de Liberación Nacional), com mais 200 mil pessoas presentes.
Traído por seu "companheiro" Blaise Compaoré, Sankara e mais 12 de seus assistentes foram assassinados e o governo revolucionário destituído em um golpe de estado em 15 de outubro de 1987.
Viva Thomas Sankara!

Viva a luta dos povos da África!