Nota sobre as Eleições Municipais 2016 Florianópolis - SC e São José - SC | Juventude Comunista Avançando

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Nota sobre as Eleições Municipais 2016 Florianópolis - SC e São José - SC


Passamos por um aprofundamento e aceleração da retirada de direitos e arrocho salarial das classes trabalhadoras em nosso país. Não é de hoje que nossos direitos vêm sendo retirados, mas agora a frequência, intensidade e profundidade dos ataques se tornam cada vez maiores.
O Estado autocrático burguês (com poderes centralizados e pouquíssima participação popular, atuando de forma autoritária) desenvolve e aprofunda seus aparelhos repressores cujo alvo principal são as lutadoras e lutadores do povo.
Diferentemente de certos setores, que defendem a participação de forma apenas “propagandística” e/ou auto-proclamatória, ou dos que acham desnecessário, entendemos que a participação nos pleitos da democracia burguesa é parte integrante da luta pela revolução. Pois a eleição de candidaturas ligadas aos setores populares podem potencializar a organização das forças populares e das classes trabalhadoras visando a manutenção, garantia e aumento de direitos para o povo. Ou seja, defendemos mandatos populares como instrumentos para fortalecer a luta do povo e da classe trabalhadora.
Nesse sentido, explicitamos nossos votos nas cidades de São José e Florianópolis, na certeza de que o processo das eleições são parte constituinte da luta revolucionária, pois somente ela muda a vida e pode proporcionar “um mundo onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres” (Rosa Luxemburgo).

Florianópolis



Eleger Jota Costa 50580 vereador em Florianópolis
Elson 50 prefeito em Florianópolis

Florianópolis como centro administrativo do governo do estado e como capital catarinense possui uma relação de grande influência no panorama político estadual. A disputa pela prefeitura de Florianópolis representa uma parte importante do poder em nosso estado. Não é surpresa que grandes oligarquias de nosso estado, tanto a nova, representada pelos Berguer (PMDB); quanto as tradicionais; representadas por Amin, Konder e Bornhausen, se fizessem presentes na disputa ao governo de Florianópolis. E além das oligarquias tradicionais, há também o desgastado “petismo”, com PCdoB e PT, que tanto aqui e em nível nacional, apesar das divergências, apresentam uma política clara de conciliação de classes, continuando sua conformação ao interesse dos monopólios e latifúndios em detrimento dos explorados e oprimidos.
A nova oligarquia catarinense, dos Berguer, está representada na candidatura de Gean Loureiro (PMDB). Gean foi secretário de governo da Prefeitura de Florianópolis (espécie de Casa Civil municipal) da gestão de Dário Berguer, no ano de 2011. Além disso, quando vereador, sempre foi testa de ferro na defesa da precarização das condições de trabalho dos municipários de Florianópolis e consequentemente da qualidade de atendimento e prestação de um serviço público de qualidade. Seu vice, João Batista (PSDB), também foi vice-prefeito de Dário. Nessa chapa se encontram PMDB, PSDB, DEM, PDT, PSC e outros.
O setor que representa as oligarquias tradicionais de nosso estado aparece em duas principais candidaturas a de Angela Amin (PP) e Murilo Flores (PSB). O segundo declaradamente apoiado por Jorge e Paulo Bornhausen (PSD). As relações da família Souza, César Souza e César Souza Júnior (também PSD), com a família Bornhausen são de longa data. Tanto que na eleição passada, Cesinha foi apoiado desde o início pelos Bornhausen. Já a chapa, PP e PSD, quer aproveitar dos “louros” das gestões Amin, tanto de Angela como de Espiridião, para garantir sua manutenção no poder de Florianópolis. Por isso, tanto Colombo quanto Cesinha mantém seu apoio à Angela e seu vice Rodolfo Pinto da Luz, enquanto os Bornhausen apoiam Murilo.
Essa unidade dos setores tradicionais da oligarquia catarinense já vem acontecendo há muito tempo para de garantir os interesses na estrutura de poder regional. Vale lembrar  Rodolfo Pinto da Luz, ex-reitor biônico da UFSC na Ditadura, assim como Espiridião foi governador biônico catarinense. Cezar Souza Júnior, atual prefeito (com o vice João Amin), aquele que assinou o consórcio Fênix (acordão das empresas do transporte coletivo de Florianópolis) e que não cumpriu as promessas com os municipários da cidade, colocando a qualidade do atendimento e prestação de serviços em cheque, apoia abertamente a candidata.
Há que se lembrar que nestas duas chapas das oligarquias catarinenses, há representantes das gestões do estado e do município. Contudo engana-se quem acha que a chapa construída pelo campo “petista” (PCdoB e PT) não fez parte das gestões pessedistas estadual e municipal. A própria cabeça de chapa, Angela Albino, foi Secretaria de Estado da Assistência Social, Trabalho e Habitação de Raimundo Colombo, além de seus correligionários construírem a gestão César Souza Junior (ou destruírem ainda mais direitos e serviços essenciais ao povo).
Entendemos que das candidaturas citadas, nenhuma corresponde com os anseios dos explorados e oprimidos. A única que em nosso entendimento pode contribuir com a organização popular dado o seu caráter progressista é a do PSOL: professor Elson Pereira. Ele nos parece ser a única que possa de fato se aproximar do povo de nossa cidade e ser permeável às suas reivindicações e propiciando vitórias populares. O programa que visa uma nova percepção da cidade, que seja de fato pública e que permita acesso ao povo, que defenda e atue na defesa do público contra o privado nas suas mais diversas esferas é que nos parece a mais sólida e capaz de propor e construir mudanças através das pressões populares. Outros setores aliados também estão apoiando a candidatura de Elson, como as Brigadas Populares, o Movimento por uma Alternativa Independente e Socialista - MAIS e a Esquerda Marxista, além de outras organizações do campo progressista.
Contudo, não podemos deixar de criticar o fato da política de alianças pelo qual o PSOL optou na cidade de Florianópolis. Por mais que PV e REDE sejam oposição e tenham política local distintas com pouca expressão, não possuem compromisso ideológico-político firme com pautas progressistas, se somando muitas vezes ao campo reacionário e conservador. Por mais que a coligação seja realizada para ampliar a visibilidade e o tempo de TV, não acreditamos que some para a luta esse pragmatismo eleitoral em detrimento de princípios. Outras candidaturas do PSOL, como a de Marcelo Freixo no Rio de Janeiro e Luiza Erundina, mostram que é possível serem construídas através da força popular, sem recuos programáticos em troca de tempo de TV. A candidatura de Elson tem boas propostas execráveis a nível de poder municipal, mas carece de uma posição maior como liderança política, alinhada e sintonizada com as lutas nacionais, perdendo a oportunidade de utilizar a campanha como instrumento de disputa de consciência.
Mesmo assim, por entender que a candidatura do professor Elson é a que pode aglutinar com maior força os campos populares e progressistas e que pode ter a maior permeabilidade às demandas populares, é que defendemos o voto em Elson 50.

Eleger JOTA COSTA 50580



Camarada Jota Costa 50580 é manézinho da ilha, pescador, ex-comerciante e praça da Polícia Militar aposentado.  É o candidato do Polo Comunista Luiz Carlos Prestes - PCLCP, via filiação democrática no PSOL, a vereador de Florianópolis. Fundador da Associação de Praças de Santa Catarina - APRASC, onde foi presidente da mesma. Além de sua experiência nas lutas da categoria dos praças, sempre se fez presente nas mais diversas lutas em nossa cidade; sempre apoiando as diversas pautas dos setores sindicais e populares.
Intransigente defensor das lutas da classe trabalhadora, fiel e sempre pronto para um bom combate, se propõe a construir um mandato que sirva ao povo de Florianópolis. Não teme tomar posição frente aos ataques às classes trabalhadoras e que se torne meio de potencializar as lutas dentro do campo popular, ajudando a ampliar as vitórias populares em nossa cidade.

São José



Eleger Vivian Haviaras 50123 vereadora em São José
Rafael Melo 50 prefeito de São José

Cidade vizinha à Florianópolis, por muitos considerada como “cidade dormitório” visto o grande deslocamento populacional à capital diariamente para trabalho e estudo, contudo enfrenta diversos problemas que vão do deslocamento da casa aos locais de trabalho e estudo dentro da própria cidade, agravando-se nas regiões periféricas, na prestação de serviços públicos de qualidade, na segurança, além de ser dividida pela BR-101, colocando diariamente as trabalhadoras e trabalhadores à mercê da violência no trânsito.
São José não escapa as influências das oligarquias catarinenses, contudo desde a eleição de Dário Berguer, no seu duplo mandato de 1997 à 2004, as gestões seguintes são todas fruto do mesmo projeto político, sejam quais: Fernando Elias, Djalma Berguer seu irmão e agora Adeliana Dal Pont. Por mais que hoje haja uma divisão entre as elites locais na disputa eleitoral em São José, os projetos e sua origem possuem o mesmo ponto inicial, o projeto iniciado por Dário Berguer, representante máximo da nova oligarquia catarinense.
Adeliana Dal Pont, na tentativa de sua reeleição, num movimento semelhante ao ocorrido em Florianópolis, rompe com antigos aliados na gestão da cidade de São José tentando fortalecer o protagonismo do PSD na política catarinense. Notadamente não enfrentou os principais problemas da cidade de São José, deixando de enfrentar as filas da saúde pública, o problema da segurança, da mobilidade urbana e moradia popular. É importante lembrar do seu autoritarismo e falta de diálogo ao tratar com os servidores públicos da cidade.
O oponente a atual recandidatura do PSD é o atual vice-prefeito de São José, José Natal do PMDB. Numa polarização entre as duas principais forças da direita em Santa Catarina, PSD e PMDB, Natal se apresenta como “o novo” na cidade de São José, prometendo enfrentar os problemas, que como vice-prefeito, não enfrentou. Representante da nova oligarquia catarinense, Natal não representa uma saída. Mario Marcondes, do PSDB, e Fernando Anselmo, do PDT, apesar de colocarem como “oposição”, fazem coro com o mesmo projeto que debilita São José.
O PT lança sua candidatura com Antônio Battisti, mesmo não fazendo parte desse grupo intrinsecamente e de seu discurso mais à esquerda, algo a muito escondido na tática petista. Por mais que tenha sido até 2012 o vereador mais progressista da cidade, o mesmo partido compôs a chapa com Djalma Berguer, na posição de vice-prefeito. Desse modo não acreditamos que o partido possa se colocar como oposição real à esse projeto.
A opção que pode dar espaço as reais demandas do povo é Rafael Melo 50, do PSOL. Foi candidato no último pleito a prefeitura de São José, conquistando em torno de 4% dos votos, resultado de uma campanha modesta financeiramente. Desde então é o candidato que mais têm se relacionados com as trabalhadoras e trabalhadores da cidade e com o movimento popular.
Rafael Melo 50 é a única candidatura que pode apresentar uma maior permeabilidade as demandas dos explorados e oprimidos em São José. Com um projeto notavelmente ligado as lutas das mulheres, dos negros, dos LGBTs, da população de rua, e demais setores marginalizados, com uma defesa incondicional aos serviços públicos, gratuitos e acessíveis ao povo, além de uma gestão democrática e transparente.
Por mais que a campanha de Rafael Melo 50 seja novamente modesta financeiramente, acreditamos que a desesperança e dificuldades experimentadas pelo povo de São José possam fazer enxergar em Rafael Melo 50 uma real possibilidade de mudança nos rumos de nossa cidade. Sendo assim indicamos voto em Rafael Melo 50, esperando que possa surpreender.


Eleger Vivian Haviaras 50123



Camarada Vivian Haviaras 50123 é assistente social do Instituto de Cardiologia e dirigente do Sindicato da Saúde - SINDSAUDE SC. Presente cotidianamente nas lutas pelo SUS de qualidade, público e gratuito e na defesa dos direitos das trabalhadoras e trabalhadores da saúde, privada e pública. Intransigente defensora dos direitos sociais e básicos, luta na construção por um mandato que venha a se relacionar com os explorados e oprimidos da cidade.
Sem dúvida será um mandato que poderá potencializar as lutas na cidade de São José, se colocando como um mandato popular e que sirva aos interesses dos que mais necessitam.


JCA - Florianópolis