Participação dos comunistas nas eleições burguesas | Juventude Comunista Avançando

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Participação dos comunistas nas eleições burguesas

Participação dos comunistas nas eleições burguesas*
Estamos em época de eleições municipais em nosso país, com isso nos vem à reflexão de que forma os comunistas devem participar desse processo. Entendemos como necessária uma analise ampla da atual estrutura de poder e de classes de nossa sociedade, bem como o seu contexto histórico.
No Brasil vivemos no capitalismo dependente e seu bloco de poder dominante, impõe um domínio autocrático que restringe ao máximo qualquer possibilidade de avanços sociais e democráticos para a ampla maioria da população.
Faz-se necessário entender que o Estado cumpre um papel muito bem delimitado como um instrumento de dominação de classe controlado pela grande burguesia, latifúndios e imperialismo, portanto trata-se de um Estado burguês. Compreender isso não significa negar que a dinâmica da luta de classes é contraditória e que esse mesmo Estado é reflexo dessa dinâmica, portanto é sim possível que a classe trabalhadora e o povo consigam abrir brechas nele e obter conquistas. Mas essas conquistas sempre serão insuficientes enquanto os explorados e oprimidos não se organizarem para efetivar a ruptura com esse Estado (a sua destruição) e construir um novo, de transição, onde os trabalhadores e o povo é que detém a hegemonia do poder. 

As eleições diretas são permitidas até o ponto em que as classes dominantes não se sintam ameaçadas. Se alguma medida progressista em favor do povo ameaçar o seu poder, ela recorre ao golpe de estado. Com isso, é fundamental não nos iludirmos com as eleições burguesas.
Esse ano teve algumas mudanças na campanha eleitoral, com regras definidas na Lei 13.165/15, apelidada de Minirreforma Eleitoral, que reduziram o tempo de campanha de 90 para 45 dias e o período de propaganda no rádio e na TV de 45 para 35 dias. A lei também proibiu o financiamento eleitoral por pessoas jurídicas e reduziu os custos oficiais das campanhas, que serão financiadas exclusivamente por doações de pessoas físicas e recursos do Fundo Partidário.

Portanto, vemos que a nossa atuação nas eleições não deve ser desprezada, pois nesse momento podemos dialogar com o povo mostrando que só a partir da construção de outro projeto societário é que poderemos acabar com as mazelas mais sentidas da população. É importante ressaltar que essa não é nossa luta central, é apenas uma tática dentro da estratégia maior de conquista do poder, e que as candidaturas estejam intimamente ligadas à luta e a organização popular, com mandatos subordinados a essas lutas e que jamais cedam às tentativas de cooptação permanentes por parte do poder dominante.

“O proletariado deve aqui cuidar de que por toda a parte, ao lado dos candidatos democráticos burgueses, sejam propostos candidatos operários, na medida do possível de entre os membros da Liga e para cuja eleição se devem acionar todos os meios possíveis. Mesmo onde não existe esperança de sucesso, devem os operários apresentar os seus próprios candidatos, para manterem a sua democracia, para manterem a sua autonomia, contarem as suas forças, trazerem a público a sua posição revolucionária e os pontos de vista do partido” Karl Marx/Friedrich Engels.

Precisamos mostrar ao povo que somente a revolução poderá mudar radicalmente a situação de exploração. Nesse sentido é fundamental buscar cotidianamente meios para a elevação do nível de consciência e organização do povo em seus espaços de trabalho, estudo e moradia, e também é importante que as organizações políticas busquem uma atuação conjunta construindo uma frente de unidade popular.
*Nota escrita pelo Núcleo Leocádia Prestes, da JCA Florianópolis-SC.