24 de Outubro em Porto Alegre: repressão desnecessária e arbitrária. Ato vitorioso. Povo Sem Medo | Juventude Comunista Avançando

terça-feira, 25 de outubro de 2016

24 de Outubro em Porto Alegre: repressão desnecessária e arbitrária. Ato vitorioso. Povo Sem Medo


JCA-RS
No dia de ontem, em Porto Alegre, a Frente Povo Sem Medo, a juventude estudantil e trabalhadora, setores sindicais e populares juntaram-se em uma ampla agenda contra a PEC proposta pelo governo ilegítimo de Michel Temer.
No início do dia, um trancaço na Avenida Mauá (uma das principais entradas da cidade), foi realizado com sucesso e sem confusão. Mesmo assim, a Brigada recusou-se negociar a liberação gradual das pistas e a tropa de choque em seguida efetuou a dispersão regada a gás lacrimogêneo que certamente afetou os motoristas mais próximos. Juntando-se ao ato dos professores ligados ao sindicato do CPERS, em seguida, iniciou-se mais uma manifestação que percorreu o centro da cidade de Porto Alegre.
No início da tarde, os servidores federais dos Institutos e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, conjuntamente com estudantes e professores, também realizaram um ato, que dirigiu-se até o prédio do Tribunal Regional do Trabalho, denunciando as contra-reformas previstas pelos golpistas.
No final da tarde, finalmente, realizou-se o Grande Ato Contra a PEC, chamado pela Frente Povo Sem Medo e o Comitê das Escolas Independentes (CEI). Praticamente todas as forças socialistas, de esquerda e progressistas da cidade compareceram, além de estudantes secundaristas e universitários, os professores ligados ao ANDES e diversos outros coletivos, conjuntamente com representantes das categorias que haviam promovido os atos do início do dia e da tarde. O ato, sucesso desde o início, contou com aproximadamente sete mil pessoas e desenrolou-se sem nenhum tipo de imprevisto na totalidade de seu trajeto. 
Ao chegar na Avenida Osvaldo Aranha, a intenção do ato era organizar a dispersão no campus central da UFRGS, onde ocorria uma vigília contra a PEC, em caráter de ato cultural. Nesse momento, as primeiras bombas de gás foram lançadas pela polícia, próximo ao Hospital de Clínicas e de pessoas que esperavam os ônibus em paradas próximas. Mesmo com o início da repressão, o ato conseguiu manter uma coesão (que deve ter soado à Brigada como uma provocação), e seguiu seu trajeto, estando já muito próximo do campus. A Brigada decidiu então realizar uma barreira em frente à manifestação e outra nas suas costas. Bombas foram jogadas de ambos os lados e a manifestação teve que correr para o meio do Parque da Redenção, em meio às árvores, buscando um trajeto pela tangente que levasse à entrada da UFRGS. 
Alcançando a entrada da UFRGS, o ato havia chegado aonde havia planejado: à vigília. As pessoas, entrando aos poucos, surpreenderam-se com, passados alguns minutos de chegado no local, duas bombas de gás que explodiram praticamente do lado das grades da Universidade. Em uma atitude ridícula por parte da Brigada, bombas foram lançadas em pessoas que já não estavam mais caracterizadas pelo ato, e sim pessoas que estavam se preparando para uma atividade cultural e para posterior dispersão. A polícia fez questão impedir que o ato realizasse o terrível crime de chegar aonde quer. Mais algumas bombas explodiram em meio ao local e o vento levou o gás para dentro, até às portas da reitoria. Uma das bombas certamente foi jogada para dentro da Universidade, o que constitui inclusive crime. Até o momento da redação desta nota, o reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (que não seria eleito não fosse a antidemocrática forma dos 70/15/15), Rui Opperman, que não se posicionou contra a PEC mesmo que a maioria dos professores (mesmo os da SUA base!) tenha, também não se pronunciou sobre esta grave questão.
A polícia perseguiu ainda pessoas desesperadas em escapar de sua armadilha pelas ruas adjacentes, do bairro Bom Fim. Seguiu utilizando gás lacrimogêneo mesmo em local amplamente residencial, cuja maioria dos moradores são idosos.
Fica claro que a perseguição aos movimentos sociais irá se intensificar. A atitude da polícia mostrou-se absurda e arbitrária. O que queriam eles nos levando para um parque escuro? O que queriam eles colocando-se dos dois lados de uma avenida e nos deixando sem saída? Ofendemos a corporação ao chegar no local que queríamos de forma pacífica e sem confronto direto?
Sabemos que a luta contra o Golpe e suas medidas anti-povo irão se intensificar, e sabemos que a grande mídia ignorou todos os fatos do dia de ontem em Porto Alegre, mesmo que a cidade tenha sido tomada por manifestações que alteraram sua rotina literalmente pelo dia inteiro. Seguiremos em luta e não deixaremos que desgovernem nosso país.

AQUI ESTÁ, O POVO SEM MEDO, SEM MEDO DE LUTAR!