A JCA homenageia o camarada Marcos Cardoso Filho com a criação de núcleo de base na cidade de Joinville | Juventude Comunista Avançando

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

A JCA homenageia o camarada Marcos Cardoso Filho com a criação de núcleo de base na cidade de Joinville



Marcos Cardoso Filho nasceu em maio de 1950 na cidade de Tubarão (SC). Filho de pai agricultor, mudou-se ainda criança com a família para a região de Itapocu, próxima de Joinville e Araquari. Marcado desde cedo pelo amor à leitura e por não seguir a rígida disciplina que era imposta nas escolas e colégios que frequentara, Marcos passou algumas dificuldades nesse período. Aos 17 anos ingressou no colégio estadual Governador Celso Ramos, em Joinville, onde deu seus primeiros passos na militância política, construindo o grêmio estudantil da escola, atuando em peças de teatro e outras atividades. Nesse período, através de João Jorge de Sousa, estabelece contato com Teodoro Ghercov e entra para o então Partido Comunista Brasileiro (PCB). No fim dos anos 1960, então, mudou-se para Florianópolis, onde foi estudar Engenharia Elétrica na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Marcos foi desde o início muito ativo no movimento estudantil de Florianópolis. Chegou a compor chapa para as eleições indiretas do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFSC no fim dos anos 1960, mas a mesma foi cassada pela repressão, que favorecia a chapa de Rodolfo Pinto da Luz (que mais tarde seria reitor da UFSC, ocuparia cargos no alto escalão do Ministério da Educação na era FHC, e seria nomeado Secretário de Educação de Florianópolis nos governos Dário Berger e César Souza Júnior). No início dos anos 1970 começou a lecionar Física no Colégio de Aplicação da UFSC, universidade na qual mais tarde seria professor de Engenharia e onde seria responsável por organizar o PCB. Nesse período, também fez parte da composição do Comitê Estadual do PCB em Santa Catarina e o Comitê Municipal em Florianópolis, sendo o responsável pelo setor de Agitação e Propaganda estadual do Partido.

Em 1973, começou a dar aulas na Escola Técnica Federal de Santa Catarina (ETFSC; hoje IFSC). Dois anos depois, em novembro de 1975, foi preso junto de 42 outras pessoas no estado na Operação Barriga Verde (OBV). Levado inicialmente para Curitiba, para a sede do DOI-CODI que operava por trás do estabelecimento de fachada que era a Clínica Marumbi, foi severamente torturado pelos militares, com castigos que incluíam ser pendurado no pau-de-arara, ser sufocado em sacos amarrados na cabeça, afogado várias vezes seguidas em baldes d’água, ter café fervente e outras substâncias despejadas sobre as genitais e sofrer eletrochoques durante mais de 10 horas a fio. Mais tarde, foi levado para a prisão no quartel da Polícia Militar em Florianópolis, onde reestabeleceu contato com sua família.

Nesse período, escreveu uma carta denunciando a tortura que sofreu no DOI-CODI que, graças ao professor francês Jean-Marie Farines (com quem trabalhou na UFSC), ganha repercussão internacional e resulta em um documento encaminhado em julho de 1976 pela Anistia Internacional para autoridades brasileiras com 772 assinaturas de pessoas de várias nacionalidades pedindo sua libertação, prontamente negada. Em setembro de 1976, a Justiça Militar realiza uma audiência no auditório da ETFSC para julgar o relaxamento de prisão de 26 presos da OBV, expondo Marcos Cardoso Filho na frente de seus alunos em uma cena que seria marcante para todos eles. Marcos tem seu pedido de relaxamento negado, e continua preso sem ter data para um julgamento de seus supostos crimes. Professores da UFSC chegaram a fazer um abaixo-assinado pedindo sua liberação para dar aulas em regime semiaberto, sem sucesso. Em abril de 1977, decide fazer greve de fome, sem resultado. Em fevereiro de 1978, é julgado em Curitiba e condenado a 3 anos de prisão. Dois meses depois, é libertado.

Marcos voltou a dar aulas na UFSC em maio de 1978. Em agosto do mesmo ano, o diretor da ETFSC, Frederico Guilherme Buendgens (que assumiu a cadeira no início da ditadura civil-militar, em 1964, e só saiu após seu fim, em 1986) decide expulsá-lo da instituição por justa causa por ter sido condenado pela ditadura. Ainda assim, Marcos era professor destacado na UFSC, no laboratório de automação e na área de computação. Acabou morrendo eletrocutado em 1983, aos 33 anos, em um acidente enquanto passeava de barco com outros cinco familiares na Costa da Lagoa, em Florianópolis, causado pela má instalação da rede de alta tensão feita às pressas, nas vésperas das eleições.

A Juventude Comunista Avançando reconhece o histórico de lutas incansáveis do camarada Marcos Cardoso Filho e valoriza sua militância, homenageando-o com a nomeação de seu recém-criado núcleo de base em Joinville (SC), composto hoje por estudantes do IFSC e de engenharia da UFSC, e que muito se ligam a história de sua juventude nesta cidade e de suas atividades nestas instituições. Marcos Cardoso Filho, presente!





Foto: Lourival Bento.