A chama do Festival Mundial de Juventudes e Estudantes permanece viva! | Juventude Comunista Avançando

sábado, 25 de março de 2017

A chama do Festival Mundial de Juventudes e Estudantes permanece viva!



O Festival Mundial de Juventude e Estudantes (FMJE) há 70 anos se consolidou na consciência de milhões de pessoas. Em 1947, durante um período em que os povos ainda estavam tentando superar os escombros que o fascismo e o nazismo deixaram na Segunda Guerra Mundial, milhares de jovens progressistas de todo o mundo, sentindo a necessidade de unidade internacional, implementaram o FMJE.

Para a história, o 1ª FMJE foi acolhida pela Checoslováquia Soviética na bela cidade de Praga em 1947. Muitos foram aqueles que correram para condenar a FMJE e seu propósito, ao tentar alinhá-la totalmente com a política externa da União Soviética. Mas a realidade estava em outro lugar, já que o próprio FMJE, que mais tarde se transformou em movimento, negou aqueles elementos maliciosos, enviando simultaneamente uma forte mensagem de paz, amizade e solidariedade

No entanto, é um fato inegável que a União Soviética permanece na história como um firme defensor do FMJE, pois na realidade, fortaleceu e apoiou o movimento do festival, sediando-o várias vezes com desprendimento e altruísmo. As ideias e os ideais que o próprio festival estava promovendo desde o início, estavam também profundamente enraizados na consciência dos povos dos países soviéticos.

O curso histórico do FMJE, começou no ponto inicial da Guerra Fria, logo após a vitória antifascista dos povos. No entanto, contra o fluxo dos desenvolvimentos do período, com a intensificação da Guerra Fria e da propaganda imperialista, o Movimento do Festival conseguiu professar a unidade e a amizade da juventude de todo o planeta. Essencialmente, a realização do primeiro festival em 1947, destinado a fortalecer o movimento juvenil antiimperialista internacional, onde em novembro de 1945 em Londres, estava estabelecendo suas fundações através do congresso fundador da Federação Mundial da Juventude Democrática (FMJD). A FMJD foi seguida então pelo estabelecimento da União Internacional de Estudantes (IUS) em Praga em agosto de 1946.

A IUS e a FMJD desenvolveram uma ação conjunta e em 1947 tomaram a decisão histórica de conduzir o 1º FMJE. A luta conjunta destas duas organizações contra o fascismo, o imperialismo e o colonialismo foi o catalisador da sua cooperação, uma cooperação que deu origem ao FMJE. Assim, em conjunto, as duas organizações internacionais assumiram o papel decisivo de coordenadoras do processo preparatório, juntamente com a responsabilidade organizacional principal de cada FMJE. A FMJD, que permanece viva e ativa até hoje, com o legado de sua história, se estabeleceu como o principal pilar do Movimento do Festival.

A partir de 1947, o FMJE perpassa pela história, se desenvolve, cresce e fortalece, e junto com o FMJE, as vozes dos povos oprimidos e injustiçados também são fortalecidas, dos povos que lutam pela libertação contra o colonialismo, daqueles jovens que lutavam por direitos trabalhistas, à educação, ao entretenimento e ao esporte. Sucessivamente em cada FMJE que se seguiu, com sua participação, milhares de jovens que estavam sob o domínio colonial, aproveitaram a oportunidade para receber apoio internacional e solidariedade para a sua luta de libertação nacional. Milhares de jovens da Ásia, Europa, América Latina, Oriente Médio e África fundaram a luta anti-imperialista, a solidariedade internacionalista e a amizade dos povos, como características, mas também como ideais do Movimento do Festival.

O Festival de Praga foi seguido pelo Festival de Budapeste (1949), Berlim (1951 e 1973), Bucareste (1953), Varsóvia (1955), Moscou (1957 e 1985), Viena (1959), Helsinque (1962), Sófia (1968), Havana (1978) e Pyongyang (1989).

Com a dissolução da União Soviética em 1991, muitos foram aqueles que correram para julgar antecipadamente o desenlace do Movimento do Festival. Em seu esforço para enterrar a luta dos povos e derrubar a continuidade de ideias e ideais específicos, eles correram para enterrar tanto o Movimento do FMJE juntamente com a Federação Mundial de Juventude Democrática.

No entanto, a FMJD ainda não havia dito sua última palavra, manteve-se de pé apesar das dificuldades que existiram durante os anos 90 e superou o intenso debate sobre qual orientação ser seguida. Durante os anos 90, à frente da FMJD, principal organizadora do FMJE, havia uma estrada repleta de obstáculos e dificuldades. Os desenvolvimentos internacionais da época, a restauração do capitalismo e a vingança ideológica de seus defensores, criaram confusão mesmo nos círculos do FMJD. Várias organizações-membro da FMJD foram dissolvidas.

No entanto, apesar das condições difíceis que a FMJD foi chamada a enfrentar, com a determinação de várias organizações membros, que declararam consistência no seu papel de membros da Federação e com os momentos importantes da 14ª e 15ª Assembleia Geral do FMJD em Lisboa (fevereiro de 1995) e Lárnaca (fevereiro de 1999) respectivamente, o FMJD enviou uma forte mensagem de que a militância da juventude do mundo não foi dissolvida nem extinta. Contra a agressão imperialista bárbara, a juventude progressista do mundo levantou sua responsabilidade e prometeu continuar a luta dada por todas as gerações anteriores da FMJD.

A preservação da própria FMJD e sua ação também intensificaram a unidade dos jovens e dos povos que lutavam contra o imperialismo. Essa escalada também criou a necessidade de implementação do 14ª FMJE. No entanto, em 1997 o 14ª FMJE é realizado, elo veio, pelo contrário, numa época em que muitos estavam convencidos de que a chama do FMJE havia findado e que com a ausência da União Soviética a realização de um Festival era impossível. Com a contribuição decisiva do povo cubano e do falecido líder da Revolução Fidel Castro Ruz, a instituição da FMJE reviveu depois da interrupção temporária em 1989. Graças à militância do povo cubano e à contribuição pessoal de Fidel Castro, o FMJE ficou com sucesso na "Ilha da Revolução" em 1997, depois de oito anos. Com a FMJD novamente na vanguarda, os processos foram iniciados para a realização do 14ª FMJE.

O 14º FMJE permanece na história como um dos mais importantes. Os jovens do mundo, em 1997, enviaram uma forte mensagem anti-imperialista de um país que até hoje enfrenta a agressão imperialista. O Festival de 97 constitui um fato que significou a continuação da série de Festivais. Cuba foi seguida pela Argélia (2001), pela Venezuela de Hugo Chávez (2005), pela África do Sul de Nelson Mandela (2010) e pelo Equador (2013).

Com o tempo, e especialmente depois de 1990, muitos foram aqueles que tentaram copiar o FMJE, mas o resultado de seu esforço não teve sucesso e não estava relacionado em nenhum dos casos com o FMJE. No entanto, os círculos dominantes não ficaram apenas nos esforços de cópia, ao verem o relançamento do FMJE, eles tentaram organizar um "Anti-Festival", tanto em 1997 como em 2001. Apesar dos esforços de sabotagem, o FMJE permaneceu intacto e vivo, superando o ataque coordenado dos imperialistas, demonstrou que mesmo com uma grande soma de dinheiro, mesmo com a ajuda e o apoio dos meios de comunicação dominantes, eles não podiam prejudicá-lo.

Assim, a história em si é um testemunho de que ao longo de seu curso, a FMJD esteve consistentemente do lado do povo e especialmente dos jovens que lutavam por seus direitos, contra o colonialismo e o imperialismo, contra o saque e a escravidão dos povos. Na rota e na passagem da FMJD, está incluído o Movimento do Festival, e sua história mostra que, enquanto as ideias e os ideais permanecerem vivos, o própria FMJE continuará a avançar com a parte mais progressista e militante da juventude mundial. A história do Festival ensina-nos que a infraestrutura e as grandes somas de dinheiro sozinhas não podem atingir as expectativas, nem tocar o sucesso do FMJE. Mas os ideais de paz, a amizade dos povos, a solidariedade internacionalista juntamente com a sede de luta antiimperialista, são os que caracterizam o Festival e constituem a pedra angular do sucesso de cada FMJE.

Avançando, com a chama viva, o ano de 2017 promete outro sucesso do FMJE. A Federação Mundial da Juventude Democrática é mais uma vez a única organização internacional que lidera o processo preparatório do 19º FMJE, que será realizado no próximo mês de outubro na cidade de Sochi, na Rússia. Ao mesmo tempo em que se realiza o 19º FMJE, 100 anos desde a Grande Revolução Socialista de Outubro estarão completos, cujo aniversário também será um dos temas principais do 19º Festival, uma vez que é considerado um grande evento, tanto em seu caráter quanto em suas realizações, e sua importância para o desenvolvimento do movimento antifascista, anti-colonial e anti-imperialista.

O 19º FMJE será dedicado às personalidades de Che Guevara e Mohamed Abdelaziz, cujos nomes estão relacionados com a luta contra o imperialismo e o colonialismo. Che é um símbolo moderno da luta, seu rosto é encontrado nas bandeiras e cartazes nas marchas e demonstrações de jovens, estudantes e trabalhadores. Sua ação permanece ligada ao FMJE, uma vez que  Che, com a crença de que a opressão humana e a injustiça não têm fronteiras, lutou contra o imperialismo por um mundo de paz e solidariedade.

O 19º FMJE acrescentará outra página gloriosa na história do Movimento do Festival sob o título "Por Paz, solidariedade e justiça social lutamos contra o imperialismo - Honrando nosso passado, construímos o futuro". Continuando com os ideais da FMJE, os jovens do mundo, junto com a FMJD e através do 19º FMJE, darão as mãos para se tornarem os "CONSTRUTORES" do mundo da paz e da solidariedade, um mundo livre do imperialismo, deste sistema global de dominação do capital e dos monopólios, onde mesmo que pareça tão poderoso, não é invencível!

Nikolas Papadimitriou
Presidente da FMJD

Março de 2017

(Tradução para o Português - JCA)